<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376</id><updated>2012-01-26T00:26:04.754-02:00</updated><title type='text'>Flor de Bela Alma - recortes do desejo</title><subtitle type='html'>""A linguagem é uma pele: esfrego minha linguagem no outro. É como se eu tivesse palavras ao invés de dedos, ou dedos nas pontas das palavras. Minha linguagem treme de desejo."" ( Roland Barthes)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>119</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-1641569236280685298</id><published>2011-04-26T04:21:00.000-03:00</published><updated>2011-04-26T04:21:03.017-03:00</updated><title type='text'>Para a maneira mais bonita de se contar....</title><content type='html'>O pensamento em suspensão.&lt;br /&gt;Pousei meus olhos sobre a paisagem de seu corpo nu - o último limite entre a loucura e a sanidade. Naquele corpo convergiam um amontoado de narrativas, frases soltas, ruídos de diálogo, fantasmas de amor, pedaços de silêncio acumulados durante toda uma vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa espécie de epifania, recolhi meus fragmentos e tentei alojá-los no corpo daquele homem. Com o coração arfante e com um medo do inapreensível, recolhia os resíduos no chão dos meus sonhos, desesperada por uma unidade e alguma coesão, mas o que insistia eram cacos, memórias, rastros, índices. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi com a nostalgia na ponta dos dedos e o frescor asfixiando a saudade de um passado. Havia em mim um erotismo do extremo e vivo- ali na beira do abismo e no olhar enigmático de um menino que me contou de muros e liberdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada letra era uma cerca viva pedindo para ser podada, cada palavra me imantava ainda mais em seu signifcante da contagem de si. Era o incompleto pedindo abrigo na letra, o paradoxo encerrado na nudez, que embora esteja à nossa frente, jamais será conquistada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever era perder o controle, mas também dar corpo ao sentimento mais bonito que já havia passado por mim.- aquilo que desestabilizava meu centro e continha algo de inatingível nisso que se deixa tocar ao abrir-se inelutavelmente para a comunicação com outro. E saber da delicadeza de ter que continuar se contando, pois tal “conquista” não é definitiva, mesmo quando no afã dos corpos ela quer render-se. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma contagem investida de seus símbolos e aquilo que da palavra, segue no caminho do risco, do fio tênue, da oscilação e da violação contínua. O desejo atrevido e , insistente de querer ver, de querer saber sempre mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um colchão de chita costurado entre a dor e a maravilha da descoberta de si pelos olhos encantados do outro- duas almas estendidas em suas verdades e em seus assombros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia um corpo além do corpo, além da pele em sua obviedade. Corpo fazendo borda na palavra com os enigmas e singularidades de cada carne em um transe erótico e o o sentido em excesso de saber que um encontro se deu e se dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós dois ali, completamente despidos de qualquer defesa- nessa ausência luminosa que guarda um elo com a morte, mas que também é vida, e numa cena fulgurante de amor, entrecortada por outras imagens, tocávamos o infinito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa gestualidade se encerra o erotismo em Bataille- o gesto nu,aquele que dá sentido á sua frase: “ somente a nudez tem o sentido da morte”- quando se morre se está nu.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bataille ao dizer isto define o impossível. Esse que me faz, apaixonada, contar tudo que veio antes e escrever junto o depois, pertencer ao tempo. Durar com você no tempo e ir permanecendo louca e abismada em você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-dW2p8mjdWFc/TbZyHAXg4oI/AAAAAAAACVs/Up7yF61dVAs/s1600/cor.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="286" src="http://1.bp.blogspot.com/-dW2p8mjdWFc/TbZyHAXg4oI/AAAAAAAACVs/Up7yF61dVAs/s400/cor.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-1641569236280685298?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/1641569236280685298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=1641569236280685298' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1641569236280685298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1641569236280685298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2011/04/para-maneira-mais-bonita-de-se-contar.html' title='Para a maneira mais bonita de se contar....'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-dW2p8mjdWFc/TbZyHAXg4oI/AAAAAAAACVs/Up7yF61dVAs/s72-c/cor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-7639667845760223894</id><published>2011-04-05T19:04:00.002-03:00</published><updated>2011-04-05T19:32:59.464-03:00</updated><title type='text'>Sobre futebol</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-6NaTKMk7Y6M/TZuX5rVMB7I/AAAAAAAACVY/e_my6JAuFSw/s1600/P004TF002708.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="239" r6="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-6NaTKMk7Y6M/TZuX5rVMB7I/AAAAAAAACVY/e_my6JAuFSw/s320/P004TF002708.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;(foto Farkas- estádio do Pacaembu) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca entendi o futebol, mas como as coisas mais bonitas de minha vida, ele foi atravessando minha existência, ora silenciosamente, ora aos ruídos de um radinho de pilha antigo de meu avô. Tenho lembranças dos domingos na rua " quase-vila" e o dos gritos do vizinho enfurecido com o juiz,&amp;nbsp;de todas as copas do mundo e da minha mãe cortando bandeirinhas de papel para pendurarmos na rua&amp;nbsp;em mutirão. Lembro de coisas poéticas que pareciam saídas de um filme iraniano:&amp;nbsp;os meninos jogando num chão de terra batida com os pés descalços e alaranjados até a alma , o&amp;nbsp;meu pai de camiseta vermelha nas fotos do time de Descoberto num campo inóspito no meio da mata. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em muitos momentos de minha infância, deitada no passeio quente de casa com meu pai, senti uma espécie de paz, ouvindo as narrações totalmente incompreensíveis para qualquer menina da minha idade e sentindo a calma apaixonada de meu pai- que só acontecia nessas ocasiões. Ele, que nunca prestava atenção em uma coisa só, desviava de vez em quando a atenção para me dizer alguma coisa do tipo: " Presta atenção, menina. Deixe de ser petulante." Nunca aprendi e ele continuava na sua insistência constrangedora de dizer que eu gostava de futebol. E eu dizia: " Pai, você me faz pagar mico." Aquilo era uma espécie de detonador de bombas. Funcionava ás avessas e no dia seguinte ele chegava com um short de futebol e uma camisa de time. Foi assim a vida toda- fato comprovado pelas inúmeras fotos com camisa de futebol: Vasco, cruzeiro, Botafogo, Seleção Brasileira. As crianças todas fofas, de vestidinho e eu lá com aquelas roupas.&amp;nbsp; Hoje, quando vejo essas fotos, fico comovida e penso que alguma coisa ele tentava transmitir através do futebol. Minha mãe, com sua ironia peculiar, solta, de vez em quando:&amp;nbsp; " Deve ser por isso que você ficou tão feminina, fã de vestidos e bem cheia de frescuras." -&amp;nbsp;e sentimos falta das loucuras do meu pai&amp;nbsp;nas entrelinhas partilhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu entendi o futebol, essa&amp;nbsp;mistura estranha de espontaneidade e elaboração, de criatividade e disciplina, de acasos e estratégias. Meu pai me dizia que se eu amasse o futebol, entenderia que todas as regras da vida cabiam ali. E num desconcerto enorme, comovida diante do enigma da falta de respostas, olhei para as quatro linhas do campo, onde&amp;nbsp;comparecem misteriosamente elementos da&amp;nbsp; da ética e da estética e concordei. &amp;nbsp;A bola, quase aquela de Dylan Thomas, ainda não tocou o chão. E revisitando minhas fotos, eu começo a lembrar que a bola&amp;nbsp;é mesmo esse objeto &amp;nbsp;imponderável, ao mesmo tempo controlável e incontrolável, completo como nenhum outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paro de filosofar e&amp;nbsp;sinto no corpo um amor transbordante pelo jogo. Lembro de momentos com primos, da educação física na escola e assustada, constato que sempre gostei de futebol, como aquelas coisas ao longo do caminho que não sabemos controlar e tentamos expurgar; &amp;nbsp;o futebol, essa espécie de celebração estética do corpo e difícil de apreender em conceitos, me deixava assustada. Gostar de futebol era aceitar perder o controle e ir, coisa que nunca me permiti. Sempre fui de planos de voô, mesmo nos meus descontroles e improvisos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, apaixonada por um rapaz, aceitei&amp;nbsp;ir ao estádio de futebol&amp;nbsp; e sem entender absolutamente nada e irritada, eu disse: " Ei, me ensina alguma coisa."E ele nervoso: " Bianca, é só olhar e querer desvendar. Você precisa filosofar menos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Quando o jogo terminou, lembro dele me contando a famosa cena do jogo entre filósofos gregos e alemães, encenada pelo Monty Python- ao vivo no Hollywood Bowl (1982.)&amp;nbsp; Ele amava me contar aquilo: De um lado do campo entram Heráclito, Sócrates,&amp;nbsp;Platão, Aristóteles, etc..todos vestidos com aquelas túnicas brancas e sandálias típicas. Do outro lado vem Kant,&amp;nbsp;Hegel, Nietzsche, Marx e a patota, trajados com casacos e chapéus pretos, conforme os costumes europeus dos séculos 18 e 19. Os árbitros são Confúncio, Agostinho e Tomás de Aquino, escolhidos provavelemente pela reputação de serem santos.Os dois times estão animadíssimos, mas quando Confúcio apita o início da partida, o que acontece? Isso mesmo, nada acontece, ou melhor, os filósofos começam a fazer o que sabem melhor, isto é, pensar. Ficam meditando de um lado para o outro, alguns coçando a cabeça, outros o queixo.&amp;nbsp; Marx e Hegel iniciam uma longa discussão, o mesmo acontece entre Sócrates e Platão, mas chutar a bola que é bom, ninguém faz. Depois de alguns minutos o locutor desiste de narrar o jogo e vai embora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achava óbvio que fosse assim, mas hoje entendi&amp;nbsp; que para penetrar o mundo do futebol é preciso&amp;nbsp;deslizar entre a violência e a graça dos movimentos sutis e delicados dos corpos correndo atrás da bola- essa coisa platônica e fractal que&amp;nbsp;sempre me intrigou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Hoje, com uma palavra,&amp;nbsp; através de um significante profundo e preciso, eu assumi meu amor pelo futebol- esse que sempre esteve ali na lateral dos meus sonhos e das minhas lembranças mais legítimas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lateral- o real lacaniano, o tempo da intermitência da linguagem, o momento da bola na mão, a falta de senso da vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo que eu sempre fui, estava encarnado ali. Todos os meus esquemas defensivos de uma vida inteira, a&amp;nbsp;minha relação com o feminino, o corte e costura de regras profundas, que aprendi correndo atrás do olhar do meu pai,&amp;nbsp; sempre pousado&amp;nbsp;nas margens mais enigmáticas da vida- essas que o futebol encerra num&amp;nbsp;espetáculo simultaneamente épico, trágico e cômico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha existência&amp;nbsp;toda passava por essa transmissão insistente- minha forma de calcular o gesto, o descontrole, e essa pergunta&amp;nbsp; sempre&amp;nbsp;ao lado, como a bola na mão numa lateral; esse enigma que corre o tempo&amp;nbsp;nessa&amp;nbsp;margem incalculável e irredutível e que gera movimentos imprevisíveis, fazendo com que meus olhos úmidos se recordem, aflitos e felizes, do meu pai chutando a bola e dizendo: " Chuta a bola e deixa ela ir embora, mas aprende a chutar de verdade e sem medo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigo aprendendo....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" height="320" r6="true" src="http://1.bp.blogspot.com/--viVaCFJkVs/TZuRoaCI--I/AAAAAAAACVU/ulEi7dUuz0c/s320/199676_137179213021579_100001885024674_247877_1365475_n.jpg" width="216" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;(foto pai em descoberto) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-7639667845760223894?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/7639667845760223894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=7639667845760223894' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/7639667845760223894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/7639667845760223894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2011/04/sobre-futebol.html' title='Sobre futebol'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-6NaTKMk7Y6M/TZuX5rVMB7I/AAAAAAAACVY/e_my6JAuFSw/s72-c/P004TF002708.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-1547453031579991908</id><published>2011-02-15T02:23:00.012-02:00</published><updated>2011-02-16T15:07:24.696-02:00</updated><title type='text'>Futebol</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-szvdFTXZRfg/TVwEKXVWBaI/AAAAAAAACTY/xzhwFqzAuKk/s1600/farkas.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 239px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5574335014886573474" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-szvdFTXZRfg/TVwEKXVWBaI/AAAAAAAACTY/xzhwFqzAuKk/s400/farkas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;                                       (foto de Thomas Farkas)&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nunca entendi o futebol e minha ignorância é maior do que qualquer menino de cinco anos de idade. Sei que há o tal do futebol arte e que gente bacana e inteligente já deu a devida importância ao monte de rapazes correndo atrás de uma bola- Pasolini, Chico Buarque, Wisnik e um monte de gente sensível, mas eu permanecia alheia, até ser ...tomada por uma enorme emoção ao assistir Ronaldinho se despedindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atendi pacientes, vim para o ateliê, mas a fala do menino tímido, ficou ecoando em meus pensamentos.Deitei por alguns minutos, apaguei a luz, fechei os olhos e mil lembranças começaram a desfilar diante de mim. Entrei num estado de torpor, lembrando de tantas vezes, em que eu deitei na calçada ao lado do meu pai- ele com um rádio antigo ligado no futebol; eu sonolenta, abria os olhos, de vez em quando, para tentar sentir a mesma emoção. Ele, entre xingamentos, piscava para mim, numa cumplicidade rara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltava a fechar os olhos e sentia uma enorme familiaridade com aquelas narrações e com a alegria legítima de meu pai. Aquelas narrativas eram um abrigo, descobri hoje. E nos intervalos,ele tentava me explicar quem eram os jogadores e como se jogava o futebol. Nunca entendi, mas ele sorria feliz com meu olhar fixo em suas explicações, e parecia achar graça naquela malandragem- subversiva e criativa como ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro a data, mas devia ser uma copa do mundo e o Ronaldinho fez um gol bonito, bonito. Lembro que meu pai me deu um tapa e gritou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ Menina, acorda. Se você não entende a importância de um gol, não entende a vida.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre gostei do Ronaldinho. Talvez, aquela lembrança de um alerta paterno tenha sempre desfilado em meu afeto e só transbordou, quando eu assisti um herói lindo e atrapalhado, dizendo, em certa medida, que o destino de um homem só faz sentido, quando se leva o desejo até o fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ronaldinho, numa simplicidade comovida e comovente, desfilou seus gols, suas derrotas e suas vitórias. Mais ainda, ele percebeu, com a sabedoria de poucos, a beleza e a maldição de se estar amarrado ao corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse enviar alguma coisa para Ronaldinho, mandaria embrulhada na camisa de futebol de meu pai, a poesia de Drummond:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘’Meu corpo não é meu corpo,&lt;br /&gt;é ilusão de outro ser.&lt;br /&gt;Sabe a arte de esconder-me&lt;br /&gt;e é de tal modo sagaz&lt;br /&gt;que a mim de mim ele oculta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu corpo, não meu agente,&lt;br /&gt;meu envelope selado,&lt;br /&gt;meu revólver de assustar,&lt;br /&gt;tornou-se carcereiro,&lt;br /&gt;me sabe mais que me sei..’’&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, eu amei o futebol, porque aquele menino emocionado era a sombra de um amor outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não será sempre assim?!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-1547453031579991908?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/1547453031579991908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=1547453031579991908' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1547453031579991908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1547453031579991908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2011/02/futebol.html' title='Futebol'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-szvdFTXZRfg/TVwEKXVWBaI/AAAAAAAACTY/xzhwFqzAuKk/s72-c/farkas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-1689827186941819199</id><published>2011-02-10T19:31:00.004-02:00</published><updated>2011-02-10T19:39:53.363-02:00</updated><title type='text'>Como seria a Camille Claudel de hoje?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-3jgjLLaKxic/TVRawxJ0UPI/AAAAAAAACTQ/3iu4ukekY4o/s1600/camile.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 198px; DISPLAY: block; HEIGHT: 255px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5572178432838881522" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-3jgjLLaKxic/TVRawxJ0UPI/AAAAAAAACTQ/3iu4ukekY4o/s400/camile.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Rodin,&lt;br /&gt;Não estou disposta a revelar detalhes e nem esmiuçar dores antigas. Já boicotei muita coisa nessa vida para continuar me arrastando assim. Vou me entregar em elipse: ‘’que você tenha um bom descanso, que você possa construir um sepulcro volátil, que saiba se dissolver com os pequenos sopros de alegria da vida.”&lt;br /&gt;Já tive ímpetos de me mortificar com você, mas não mais. Olhei assustada para você oferecendo seu fracasso . Um kamikaze emocional de altos e baixos, que muitas vezes, agonizava diante de mim.&lt;br /&gt;E eu como na série trágica de Flávio de Carvalho, vendo sua mãe morrendo, tentava estender as fronteiras da linguagem me ligando em sua dor moribunda, numa ânsia de estabelecer contato com sua aflição.&lt;br /&gt;Não, não quero esse reino do vazio e da arrogância. Minha linguagem já é atrevida e penetra labirintos sombrios por si só. Encaro seus gestos drásticos como a única tentativa de comunicação, que aprendeu com um mãe castradora e sem afetividade.&lt;br /&gt;Acolho seu cansaço e seu desatino e num ritual amoroso e generoso, faço uma mortalha de palavras. Assim, simbolicamente, vivemos um luto .&lt;br /&gt;Não serei arbitrária, mas aquilo que eu tenho para dar não é tudo. Preservarei minha integridade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; Você nunca mais roubará nada de mim e nem construirá castelos de areia em meus terrenos emocionais.&lt;br /&gt;Só assim podemos seguir, Rodin.&lt;br /&gt;Terá de esculpir seus sonhos em pedra.&lt;br /&gt;Beijos:&lt;br /&gt;Camille &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-1689827186941819199?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/1689827186941819199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=1689827186941819199' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1689827186941819199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1689827186941819199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2011/02/como-seria-camille-claudel-de-hoje.html' title='Como seria a Camille Claudel de hoje?'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-3jgjLLaKxic/TVRawxJ0UPI/AAAAAAAACTQ/3iu4ukekY4o/s72-c/camile.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-2797381099075162127</id><published>2011-02-08T01:01:00.001-02:00</published><updated>2011-02-08T01:04:48.946-02:00</updated><title type='text'>A estrada por onde caminhei...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TVCytOGu_oI/AAAAAAAACTI/VMtF1sr1CrQ/s1600/P1000233.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571149229007502978" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TVCytOGu_oI/AAAAAAAACTI/VMtF1sr1CrQ/s400/P1000233.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sempre achei graça de quem me acha ingênua. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desde cedo, aprendi a pegar carona com desconhecidos- por necessidade e porque o universo de um viajante e de um caminhoneiro era muito mais rico do que o do ônibus Bassamar, cheio de estudantes da minha idade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desde menina, aprendi a andar na margem das coisas. Acordava ainda de madrugada e me metia na estrada com homens diferentes. Escutava suas narrativas de dor e suas fantasias de terror. Ouvia assustada e fascinada as histórias de um mundo adulto, onde o medo da castração e do despedaçamento persistiam. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sentia uma linha fina no frio daquelas madrugadas- aquela que me ensinava que todo mundo engatinha quando o assunto é amor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Chegava em casa e achava graça da falta de jeito, dos olhares pedintes, do desespero de qualquer um- na escola, no caminhão, na vizinhança. Muitas vezes ria sozinha. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E minha mãe perguntava: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;" Menina, você acha graça de tudo?! " &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E eu fingindo de boba para viver: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;" Mãe, e tem gente que acha que eu sou só uma menina boba de Descoberto." &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Numa das poucas cumplicidades extremas que guardo com minha mãe, ela sorria e dizia sempre: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;" Sua sensibilidade é sua maldição, mas é seu escudo também." &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-2797381099075162127?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/2797381099075162127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=2797381099075162127' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/2797381099075162127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/2797381099075162127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2011/02/estrada-por-onde-caminhei.html' title='A estrada por onde caminhei...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TVCytOGu_oI/AAAAAAAACTI/VMtF1sr1CrQ/s72-c/P1000233.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-4161396981364359326</id><published>2011-02-06T02:08:00.043-02:00</published><updated>2011-02-06T02:24:47.829-02:00</updated><title type='text'>Máquina de costura e guarda- chuva sobre uma mesa de dissecação</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TU4iRaCe0gI/AAAAAAAACTA/3Lt0FI_unF0/s1600/casal.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 215px; DISPLAY: block; HEIGHT: 234px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5570427471546733058" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TU4iRaCe0gI/AAAAAAAACTA/3Lt0FI_unF0/s400/casal.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele tinha uma conversa macia, interessada, inteligente, atiçadora.&lt;br /&gt;Um dia, ela desejou que ele tivesse mais do que um nome e uma voz. E, numa noite de um azul profundo, num jantar pontuado de silêncios curiosos, ele deixou de ser apenas um nome.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O vinho o fez libertar o sorriso tão bem guardado atrás daquela timidez. Despida de qualquer pudor, ela o beijou. E o beijo foi tão delicioso, tão inesperadamente delicioso, que sem a menor pressa, vieram os corpos, as mãos, o suor, as palavras sussurradas entre curvas que se encaixavam assustadoramente bem.&lt;br /&gt;Cedendo ao cansaço, ele adormeceu. Ela o observou por muito tempo sem ele saber. Ela queria que todos os detalhes daquele estranho aderissem a sua mente. Aquilo tudo a assustava: não estava acostumada a deixar alguém entrar em sua vida e em seu corpo tão rapidamente. E foi ao pensar isso, e ao ouvir seu suspiro durante o sono, que ela se deu conta: ele era exatamente quem ela desejava que estivesse ali. Em tão poucas horas ela passou a desejá-lo com a doçura do sol da manhã.&lt;br /&gt;Acordou com a paisagem mais bonita que seus olhos já tinham visto. Ela não fazia a menor idéia do que viria a seguir, mas tinha a certeza de que aquele sentimento era absolutamente novo, único.&lt;br /&gt;Sabia que aquele atropelo era " belo como o encontro fortuito de uma máquina de costura e um guarda-chuva sobre uma mesa de dissecação." - a frase de Lautréamont , que segundo Breton, mudou o estado das coisas poéticas; e que foi também a frase, que costurou a fragmentação daquelas neuroses se colidindo e se retalhando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois dela, ele e ela, foram embora com suas perturbações imprevisíveis, que nunca apagariam aquele momento caleidoscópico de amor. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-4161396981364359326?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/4161396981364359326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=4161396981364359326' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4161396981364359326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4161396981364359326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2011/02/maquina-de-costura-e-guarda-chuva-sobre.html' title='Máquina de costura e guarda- chuva sobre uma mesa de dissecação'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TU4iRaCe0gI/AAAAAAAACTA/3Lt0FI_unF0/s72-c/casal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-4281202781871147333</id><published>2011-02-01T06:29:00.132-02:00</published><updated>2011-02-01T06:47:39.269-02:00</updated><title type='text'>Embrulhado em papel de seda.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TUfHsg2rj0I/AAAAAAAACS0/YGm0AhBtxBE/s1600/jaime.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5568639031814360898" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TUfHsg2rj0I/AAAAAAAACS0/YGm0AhBtxBE/s400/jaime.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;                                        &lt;span style="color:#000099;"&gt;(Para um certo estrangeiro que se fez presente)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Depois de me perder, quase esqueci daqueles dias felizes, mas a vida naquela manhã era feita da lembrança de momentos luminosos e de silêncios musicais embrulhados em papel de seda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele homem, para quem eu comentei em caminhadas matinais na praia, das epifanias de Joyce, fez perpetuar aquele delicado e evanescente tempo, com uma inteligência e uma doçura, que assisti em poucos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei cedo e meu porteiro me entregou o presente que eu não esperava- o livro que eu havia comentado com ele, que eu nunca consegui encarar- Finnegans Wake de James Joyce, embalado num papel bonito e azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei um susto que me arrancou do chão quando li a dedicatória:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ Achei que era a melhor forma de agradecer e dizer que você deixa saudades por onde passa. Não encontrei nada melhor que um romance dublinense que reconstitui a cidade em forma de sonho.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do embrulho, folhas soltas escritas por ele sobre Giacomo Joyce- “ um texto obviamente autobiográfico, como quase toda a ficção de Joyce. Conta a história de um romance platônico com uma de suas alunas de inglês. O idílio termina melancolicamente quando Joyce decide, como em outras ocasiões, possuí-la apenas por meio da literatura: “ E então? Escreve, danado, escreve! Acaso você serve para outra coisa?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele narrando aquela novela, cheia de sutilezas e subterfúgios, fazia o mesmo movimento de Joyce- alcançar através da palavra, a sublimação literária da mulher amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li Giacomo Joyce pelos olhos dele- uma dolorosa elegia dos impossíveis amores tardios. Em curtos flashes ficcionais descontínuos, cada parágrafo era um contato físico, um mergulho num estado de absorção plena, perpetuando epifanias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos maciços silêncios do branco da página, fui entendendo a densidade daquela crônica da história de um amor frustrado- narrativa sempre incômoda, de um adultério, platônico e microscópico, mais ainda um adultério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, carne viva e acolhendo todos os espasmos do mundo em meu corpo, percebi sua presença e ouvi os ecos de meus primeiros fascínios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei que eu inalava agonia, naquele dia que o notei, mas dividi com ele, qualquer coisa de um amor pisado e entre os destroços do presente, ele se tornou um brilho acalentador. Uma fonte, mesmo gotejante, de boas sensações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca saberia agradecer. Qualquer coisa seria a repetição obscena dessa coisa de acreditar na paixão e nos milagres da afinidade. E isso tudo era infinitamente mais. Ele se fez ver entre inúmeros nomes e olhares esvaziados de significado e fez um relicário com aquela história de mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando o romantismo desajeitado no caminho, entendi que escrever seria a sublimação mais bonita daquilo que se inscrevia enquanto impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de repente, me pergunto assombrada: Por onde meus pés e meus pensamentos caminhavam quando ele estava ao meu lado? Em que outros mares eu transbordava?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também nunca saberia responder, porque aquilo que me move é tão somente o enigma- esse mesmo, que eu acolho agora- decantado pela linguagem e pela falta que ela evoca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando ausente de mim e não entendo mais de retornos.&lt;br /&gt;Esvaziei-me antes de chegar ao litoral das palavras vazias ... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-4281202781871147333?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/4281202781871147333/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=4281202781871147333' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4281202781871147333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4281202781871147333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2011/02/embrulhado-em-papel-de-seda.html' title='Embrulhado em papel de seda.'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TUfHsg2rj0I/AAAAAAAACS0/YGm0AhBtxBE/s72-c/jaime.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-1294150984956670665</id><published>2011-01-26T03:40:01.371-02:00</published><updated>2011-01-26T05:15:03.499-02:00</updated><title type='text'>Amor sertanejo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TT_J5-t-xCI/AAAAAAAACSk/aR0xOm8mCEY/s1600/P1000473.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TT_J5-t-xCI/AAAAAAAACSk/aR0xOm8mCEY/s400/P1000473.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5566389662378804258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tanto quanto uma sessão de análise,aquelas viagens de ônibus permitiam entrever as possibilidades e os limites daquilo que a palavra não era capaz de dizer. Mais ainda,arremessavam-me diante de meu próprio discurso sem me permitir neutralidade: ainda que em um aparente monólogo,quando entrava no ônibus,estava dividida entre aquele que fala e aquele que escuta-eu e meu duplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encarar quase cinco horas de viagem, sabendo encontrar logo adiante, a figura de meu analista,sempre foi um desafio que me retirou, durante todos esses anos,da imersão na solidez de um cotidiano, muitas vezes,vivido no automatismo. Suportar ir e vir sem nenhuma garantia era aprender a tolerar a desordem íntima e a desagregação, silenciadas por essa inércia cotidiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em minhas últimas viagens, segui acompanhada por um outro olhar que se presentificava silencioso e doce. Alguma coisa bonita, quase espiritual em sua ex/istência. Era a delicadeza que abarcava o sem limites e sem contornos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com aquela ''presença- ausência'', os desdobramentos da linguagem faziam revelar a pulsão e com ela, um real impossível de representar, que dissolvia toda a noção consciente de tempo e espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela companhia crescia vertiginosamente e fazia de minhas viagens um exercício de descontinuidade, marcando a impossibilidade da linguagem em dizer tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ele resolvi escrever. Para um rosto sem nome, para um nome sem rosto, para aquele que, quando escrevia, percebia que não havia imagem ou representação simbólica capazes de revelar e nem de esconder tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então escrevo, deixo voar a palavra silenciada e algo se denuncia-uma realidade me invade e se configura, sem que eu possa extrair um sentido. Não,não encontro em parte alguma, mas sei que é algo que está aí, se interpondo no curso da vida e marcando seu bordeamento- alguma coisa entre o desmedido e a aridez do desencontro, como naquela história de amor sertanejo que escutei numa dessas viagens-letra por letra, escancarando aquilo que está além de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amor rabiscado em linhas tortas também, um amor ficcional como a vida. Amor de um sertanejo, que é antes de tudo um forte. Sentimento que fez um homem viajar em ônibus e caminhões e pedir em casamento um moça que ele só conhecia por fragmentos. Cartas trocadas e juras baseadas em citações do cântico dos cânticos, que eu achei surpreendentemente bonitas, exóticas, líricas e cheias de erotismo.Alguma coisa que não cabe na palavra, mas eu relembro aqui: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sebastião me contou de Maria-quase uma criatura mítica. Relatou seu épico encontro e suas aventuras, como se fosse um Borges com seu Manual de zoologia fantástica. Contei para ele da esfinge, do centauro, do dragão e ele disse feliz que enfrentaria todos os monstros do mundo para viver o amor com Maria. Juro que escondi meus olhos emocionados atrás dos óculos escuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorridente, ele me perguntou se esse Borges e esse tal de Kafka são nordestinos. Contei então de Odradek de Kafka-ser extraordinariamente móvel, que não se deixa aprisionar e de domicílio incerto. Sebastião deu aquele mesmo riso de folhas secas de Odradek e falou: " é um nordestino da porra, vai me desculpar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive vontade de arrancar o vestido do corpo e dar para ele vestir Maria. Nua, totalmente comovida, peguei a manta que eu carregava e dei para ele des-cobrir a mulher amada no próximo encontro. Tirei da bolsa o João Cabral que carregava e disse: esse é para você- um nordestino poeta que vai do sertão para o mundo. Ele aceitou emocionado e eu tirei os óculos e chorei um mar inteiro para não deixar esse afeto secar."  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era tudo verdade e nesse dia o vento balançou o meu vestido e eu senti no corpo os ritornelos, ritmos e tempos diferentes do feminino. Escolhi encarar o desconhecido e fazer um reparo, uma costura- a tessitura fina do mistério que passou a ter um único nome- um nome onde cabiam todas as minhas fábulas e dissonâncias de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era quase nada aquilo que tínhamos, mas Manoel de Barros com sua simplicidade imensa e quase euclidiana, sabe bem que se o nada desaparecer a poesia acaba. Lembra?! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades..."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-1294150984956670665?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/1294150984956670665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=1294150984956670665' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1294150984956670665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1294150984956670665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2011/01/amor-sertanejo.html' title='Amor sertanejo'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TT_J5-t-xCI/AAAAAAAACSk/aR0xOm8mCEY/s72-c/P1000473.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-5093765220801154293</id><published>2011-01-19T02:49:00.024-02:00</published><updated>2011-01-19T02:55:12.606-02:00</updated><title type='text'>Litoral de mim</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TTZug9c_pOI/AAAAAAAACSc/QNJWHdMlDcM/s1600/ECQo5EXNnpzbmdcvGcHTitcRo1_500.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 262px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TTZug9c_pOI/AAAAAAAACSc/QNJWHdMlDcM/s400/ECQo5EXNnpzbmdcvGcHTitcRo1_500.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563755902193870050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Daquele amor não guardei uma palavra sequer, uma carta, um pedaço do laço de fita que embrulhava a flor, uma lágrima colhida de véspera, uma foto secreta.&lt;br /&gt; Nada... &lt;br /&gt;Mas , dentro de mim, as palavras latejavam querendo sair. Algumas vezes, saltavam de meus olhos em forma de mar num choro salgado e cheio de saudade. Noutras vezes, elas dançavam diante de minha boca e retornavam assustadas para dentro do meu peito.Em alguns dias, quase me sufocavam sem destino adequado e escapavam, selvagens, para dentro de minhas vísceras.  Quando isso acontecia, eu avistava um drapejar branco serpenteando abismos e desenhando precipícios e lembrava de minha mãe dizendo: &lt;br /&gt;-  “ Filha, um dia você vai entender que na palavra não cabe a coisa.” &lt;br /&gt;Eu insistente: “ Cabe nuvem na letra, mãe! A gente amassa a nuvem, coloca na mão e joga dentro da palavra.” &lt;br /&gt;Ela rindo nervosa: “ Há coisas muito grandes que a gente não consegue amassar e jogar dentro da palavra, Bianca.”  &lt;br /&gt;Cresci tentando amassar o mundo e tentando fazer caber na palavra a grandeza das coisas. Hoje, assombrada, balbucio as primeiras palavras da minha terceira margem do rio e escrevo em qualquer papel: &lt;br /&gt;-“Diz, diz meu coração o nome do amor. E eu soletro aturdida o nome dele, como quem vê um fantasma de si. “&lt;br /&gt;-“ Diz para ele que o único lugar que me comporta é esse. Você aí- diga já.”&lt;br /&gt; Digo e renasço fora do pastiche de mim. Escrevo cartas e guardo na gaveta da eternidade, rabiscos versos camaleônicos em guardanapos no bar. &lt;br /&gt;Há um nome...&lt;br /&gt;Acordo com ele e desenho um mar de azul decidido para depois esfregar com mata-borrão, até virar um azul esmaecido da cor da delicadeza do meu amor- que espera, espera, espera. &lt;br /&gt;E eu sonho esses desejos insolentes que ousam sair rastejando e crescendo dentro de meu coração-ilha deserta do escuro da estrada, água decantada nos olhos assustados de ver, sentimento terrível de desolamento- não sou mais sem ele.&lt;br /&gt;Há um nome pintado em degradé no litoral de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-5093765220801154293?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/5093765220801154293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=5093765220801154293' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/5093765220801154293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/5093765220801154293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2011/01/litoral-de-mim.html' title='Litoral de mim'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TTZug9c_pOI/AAAAAAAACSc/QNJWHdMlDcM/s72-c/ECQo5EXNnpzbmdcvGcHTitcRo1_500.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-2104271056184842295</id><published>2011-01-13T18:53:00.030-02:00</published><updated>2011-01-13T19:07:14.297-02:00</updated><title type='text'>Naqueles dias</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TS9pOCP2eXI/AAAAAAAACSU/eARInLpdKNY/s1600/ruinas.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5561779754668292466" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TS9pOCP2eXI/AAAAAAAACSU/eARInLpdKNY/s400/ruinas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Eram dias de tatear no escuro qualquer sentido, dias de pedir socorro para Clarice, noites de decupar uma vida inteira, madrugadas de esboços de poesia, de olhar as estrelas no céu e tentar respirar um ar rarefeito e sofrido.&lt;br /&gt;Ele chegou para Beatriz numa dessas madrugadas. Três da madrugada, feito música que embala sonhos antigos. Beatriz, que não desenhava já havia muitas noites, escreveu nas ranhuras de um papel a palavra - Descoberto. Assustada, prestou atenção naquele moço que fez com que ela se sentisse descoberta em sua intimidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E, como num passe de mágica, uma cortina se abriu para um mundo de riachos, cometas, verdes, lagoas e mares. As palavras silenciadas insistiram em escrever um texto líquido. E depois, era tanto silêncio por escrever, que as palavras escreveram um texto seco, áspero, inóspito. E seguiram, depois daquela música, a escrever e desenhar infinitos imagéticos.&lt;br /&gt;No tempo em que o amor era uma dádiva e que o assombro de toda madrugada era partilhado em sintonia fina e delicada, Beatriz cuidou do jardim, escreveu de Maria Martins, assistiu O espelho de Tarkovsky pela terceira vez e chorou com suas imagens belíssimas e contundentes, querendo ver todos os filmes do mundo com aquele homem que descortinou as imagens de sua infância.&lt;br /&gt;Num quarto escuro de hotel, numa noite qualquer, ela- entre vestígios vestíveis de estrelas e diante de um céu vertiginoso -suspirou e escreveu roteiros imaginários em sépia.&lt;br /&gt;Nesse tempo, viu seu corpo se tornar estranho e se tornou uma estranha daquilo que sempre tinha habitado. Era a força abrupta da paixão insistindo em tomar conta de seus dias.&lt;br /&gt;Enfim, o moço de coração machucado alcançou a bailarina do desejo desesperado- aquela do livro de João Gilberto Noll, que ficava na cabeçeira de sua cama, esperando para ser morada de Beatriz ,também bailarina tocada pela ferida aberta no coração da linguagem.&lt;br /&gt;Com a violência que há nas coisas mais sublimes, o “ cego e a dançarina” se encontraram e sentiram a beleza convulsiva e barroca da vida e a fúria do corpo, que se faz vivo somente enquanto pode ser dito.&lt;br /&gt;Falaram das coisas mínimas e absurdas, disfarçaram amor de tão imenso que era, tiveram medo do vazio que se instalaria nos dias seguintes, evitaram despedidas dramáticas- ele como um operário e ela como bailarina.&lt;br /&gt;Foi bonito por um segundo de eternidade- ela disse feliz ao acordar e ver a paisagem viva do seu lado. Há coisa mais doida e doída que a vida, moço?&lt;br /&gt;Ele balançou a cabeça e antes de partir, perguntou chorando: Bianca é o seu nome?&lt;br /&gt;Ela, sabendo que a verdade é seu dom de iludir, respondeu com um silêncio engasgado: - Meu nome é Beatriz e é impossível a gente ser feliz.&lt;br /&gt;Assim, seguiram impactados e aturdidos pelo amor e pela falta, sabendo que beleza da verdade é errática e que sempre existiria um sopro no coração de cada um, como um bailado suave de eros e tânatos, como doença que não se cura toda, como um amor louco que se vive pela metade.&lt;br /&gt;Assim., tropeçando em reticências... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-2104271056184842295?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/2104271056184842295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=2104271056184842295' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/2104271056184842295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/2104271056184842295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2011/01/naqueles-dias.html' title='Naqueles dias'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TS9pOCP2eXI/AAAAAAAACSU/eARInLpdKNY/s72-c/ruinas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-3324498550881319801</id><published>2010-12-01T21:59:00.488-02:00</published><updated>2010-12-02T19:19:09.019-02:00</updated><title type='text'>Um relâmpago</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TPgMmR5odPI/AAAAAAAACSI/39hCGkKDgBg/s1600/ibai2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5546196792886457586" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TPgMmR5odPI/AAAAAAAACSI/39hCGkKDgBg/s400/ibai2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ainda morava naquela cidade de nome mítico e descobria a vida, quando meu pai me disse um nome: Beckett. Nome que no enigma daquela tarde caindo e com as árvores em desalinho criando fantasmagorias, ficou impregnado em mim, assim como a figura de meu pai- misteriosa, instável, violenta- alguém que não se deixava revelar facilmente.O contraponto era meu avô materno- próximo, doce, de uma simplicidade impressionante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia seguinte do nome pronunciado por meu pai no meio de um morro com árvores antigas e grandes- caminho cotidiano entre a casa de minha avó e minha casa- corri para meu avô e perguntei sobre o tal homem. Ele andando rápido pelo quintal, entre um pomar, uma horta e um riacho, me disse tranquilo: ''Não sei quem é esse homem, sei que seu pai fica dizendo coisas de adulto para você.''. Meu avô materno também parecia achar meu pai uma criatura absurda- pensei. Insistia mais uma vez com ele. " Vô, o quê é absurdo?" . Ele riu um pouco nervoso e disse: " Absurda é a vida, meu amor." Senti uma ponta de tristeza e ele saindo de perto de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, uma cena quase beckettiana se apoderou do instante. Meu avô era uma enorme garganta e um rio de sangue saindo por sua boca. Eu ainda menina e completamente tomada na cena, mergulhei naquele rio vermelho de dor e silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O significante rio deslizou pela minha vida oscilando entre o desejo do estrangeiro, daquilo que estava no Rio(cidade vizinha da minha e sempre marcada por um exterior violento e cheio de fascínio), ora por uma insistência de algo risível e que mostrava os dentes- denunciando uma posição de um certo gozo masoquista, e em outros momentos em meus sintomas amorosos de lago, lagoa, mar e Ribeirão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses dias, descobri abismada um momento epifânico do próprio Beckett. Comentando com uma amiga, estudiosa de Adamov e fã de Beckett, sobre a minha cena, ela pulou da cadeira. Disse que em 1969, dirigindo no Schiller Theatre de Berlim uma versão alemã da peça " Krapp´s Last Tape", ele experimenta uma epifania parecida com a minha, quando, no fim da peça, todas as luzes se apagaram e uma luz do gravador continuou piscando, com as fitas girando em silêncio. Beckett viu ali um " acidente enviado do céu" e incorporou esse piscar de luz ao espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, retornei assustada para um ribeirão em Descoberto, e toquei aquilo que chamo de estado de ansiedade líquida-uma precipitação angustiada, cheia de vida, mas delicadamente triste. Alguma coisa escorria vertiginosamente de mim, entre essas narrativas de hoje e de ontem, entre Beckett, Adamov, Ionesco, pomares e quintais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa espécie de delírio, fui encontrar com meu avô, que trabalhava na fazenda de meu tio, no meio de uma estrada de chão batido- caminho por onde passavam seres mitológicos, caixeiros- viajantes, ciganos. Escrevi com a luz entre a terra e a montanha tentando capturar o enigma desse absurdo- quase como a última peça, momento derradeiro de Beckett onde em What Where, depois de uma voz gravada dizer ''desligo'' de um megafone, resta uma luz, um ponto, um clarão, iluminado por segundos, antes do blecaute total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mergulhei no ribeirão turvo, agoniada e inquieta. Meu avô me olhava calmo e eu desajeitada,aprendia a nadar em mim. Era um momento de travessia e de intensa perplexidade, em que a dúvida e a ambiguidade eram incoporadas à existência e onde eu via a vida pelo prisma da teatralidade e dessa coisa que se dá em estado difuso, mais do que em qualquer discurso concatenado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nadava no mais íntimo de mim e inscrevia em minhas palavras o corpo de uma cena visível. Para cada palavra úmida havia uma espécie de rubrica, uma certa materialidade sem articulação de sentido prévio, alguma coisa que acontecia numa zona de sombra entre a palavra e o mundo, como em Tanizaki com seus sutis jogos de sombras e luz, marcando em mim um encontro com o inominável dentro da própria coisa líquida da palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante da certeza do horror e quando a noite parece longa demais ,encontro aí, lugar para minha fragmentação e evanescência - começo com uma vírgula e continuo na imprecisão do infinito. Respondo com desejo ao medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo-amo, entre os gritos de prazer e dor no vasto espaço da noite do mundo. Amanheço. Renasço no rio da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra bolina de amor meu corpo cansado e salta feminina para o mundo, numa tentativa vã de me livrar de uma voraz e insaciável presença que se chama falta, vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo porque além da palavra e através dela, toco o arcaico, invisível e enigmático do real .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;''Escrevo-amo''. Assim, como um relâmpago...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-3324498550881319801?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/3324498550881319801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=3324498550881319801' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/3324498550881319801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/3324498550881319801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/12/um-relampago.html' title='Um relâmpago'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TPgMmR5odPI/AAAAAAAACSI/39hCGkKDgBg/s72-c/ibai2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-8565562896668226186</id><published>2010-10-08T18:22:01.001-03:00</published><updated>2010-10-28T21:02:37.737-02:00</updated><title type='text'>Mãos de Lygia</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TMoAVnWy5jI/AAAAAAAACRw/UeoIy-piMTs/s1600/imagesCAPFFE96.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 259px; DISPLAY: block; HEIGHT: 195px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533235463519921714" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TMoAVnWy5jI/AAAAAAAACRw/UeoIy-piMTs/s400/imagesCAPFFE96.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;                                                                   &lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;(Lygia Clark) &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div&gt;Ela acordou naquela manhã com olhos assustados e com todas as lembranças se espiralando diante dela : a ligação que aconteceu na linha fina e tênue da distância, a espera, o recuo, o encontro, os corpos emaranhados, a vida dividida por existências inteiras- onde se morre e renasce um no outro; sem início e sem fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia especialmente, cultivou jardins inteiros- as primeiras flores, a primeira dor, a primeira briga, as noites de amor, as madrugadas estranhas e descompassadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia que para partir, precisava antes cuidar, escutar aqueles silêncios sonoros que traduziam o momento. Era preciso que olhando-se nos olhos,eles pudessem reviver a experiência de estar abismados no amor. Era necessário fazer o amor ganhar sentido e valor, corporificar um novo feixe de sensações- singular por definição- daquela vida inteira que acontecia nas fotografias. Por enquanto, era dor,olhar para o invisível naquelas ''paisagens-miragens'' do passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansada de trans-bordar, Lígia dormiu. E sonhou. Escreveu o sonho ainda vivo em suas lembranças. Escrever era fazer fazer borda e escolher cada palavra,era limitar a vertigem da linguagem antes de ser escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirou, contornou o sonho de onde resgatou a vida em em sua potência criadora. Nele encontrou com sua avó e sua máquina de costura antiga,seu nome em Lygia Clark caminhando com as mãos trêmulas, foi Maria Martins e viveu verdadeiras convulsões durante a gestação de cada fase de sua obra. Usou as mãos, fez, aconteceu. Remendou vestidos, linhas, amores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sonho mesmo se encarregou de ir depurando/apurando o objeto até um ''quase-nada''- aquilo que opera, no corpo, uma experiência de desestabilização, permitindo-lhe viver a forma no momento de seu naufrágio, momento que é também o de uma germinação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez do sonho a possibilidade de um ato em vida. Entendeu a travessia de Lygia Clark e sua principal visada: atingir o que chamou de estado de arte- sacudir a posição de espectador, desreificá-la radicalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou mais uma vez, balançou o corpo, colocou a roupa no varal, ligou a vitrola antiga, pintou um quadro, trabalhou. No fim do dia, no lusco-fusco do crepúsculo, chorou e absorveu a transgressão desse sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez do seu nome, sua sina. Escutou Lygia em suas andanças,a descoagulação das formas, a conquista de uma fluidez, esse deixar-se descosturar e costurar pelo fervilhar do trabalho subterrâneo das forças/fluxos de nosso bicho- germinação que se opera em silêncio e que pede um corpo que venha encarná-la, um corpo de pensamento, de arte, de existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lígia/Lygia- arremessadas as duas, ao infinito do enigma da vida. Essa mesmo, essa que insiste em ser sonhada de olhos fechados e abertos... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-8565562896668226186?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/8565562896668226186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=8565562896668226186' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/8565562896668226186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/8565562896668226186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/10/maos-de-lygia.html' title='Mãos de Lygia'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TMoAVnWy5jI/AAAAAAAACRw/UeoIy-piMTs/s72-c/imagesCAPFFE96.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-655642042548435441</id><published>2010-10-02T17:30:00.881-03:00</published><updated>2010-10-02T19:58:54.469-03:00</updated><title type='text'>Carta ao pai</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TKe4dVuY2EI/AAAAAAAACO4/tEzuitlApnc/s1600/imagesCA4Z1WO2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 272px; DISPLAY: block; HEIGHT: 185px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5523586282180630594" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TKe4dVuY2EI/AAAAAAAACO4/tEzuitlApnc/s400/imagesCA4Z1WO2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pai, hoje senti saudades e tentei me segurar naquele seu último pedido. Num solilóquio íntimo e incessante conversei com você e pedi ajuda, coisa que nunca fiz.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tenho medo de deixar o samba morrer em mim. Canto desesperada para não deixar arrefecer essa chama de vida. Canto aquelas chuvas que esperávamos juntos na janela, a ventania nos meus cabelos, o farfalho das árvores, o estrídulo das aves. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lembro daquelas manhãs, onde você me acordava violentamente e dizia:"" Bianca, você precisa viver o cravo bem temperado de Bach.". E eu levantava sonolenta e brava, mas logo penetrava seus movimentos intrigados com o que acontecia a cada compasso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bach permaneceu como um enigma indissolúvel- aquilo que mais tarde li em Paul Valéry- ''música que constrói um sentimento sem modelo, que encontra só na própria música sua expressão. ''&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nesses prelúdios e fugas, fui construindo minha vida afetiva. Fui cantando sambas, saudades, amores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje eu choro a piscina de plástico no quintal, o rio que cortava a fazenda, o ribeirão onde eu nadava escondida, a lagoa de patos que você desenhou para mim- poesia fluida que escoa da fonte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tento escrever aquelas flores do nosso jardim , a primeira bicicleta, o primeiro tombo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sinto o mesmo medo e demando a mesma garantia do outro: " Pai, você promete que eu não vou cair?" E você me empurrando para o mundo, responde sem dó: " Não prometo nada, menina. Só caindo e levantando. " &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Apavorada, sem certezas, procuro ao redor de mim alguma coisa. Encontro em meus olhos úmidos, aquele último gesto seu- um piscar de olhos que só eu vi, marcando, num lampejo, uma cumplicidade delicada e intensa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Num esforço de reconciliação e nesse emaranhado de contradições, ambivalência e dor, não recuo do meu desejo e não deixo o samba morrer- acolho seu pedido final. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vivo... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-655642042548435441?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/655642042548435441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=655642042548435441' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/655642042548435441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/655642042548435441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/10/carta-ao-pai.html' title='Carta ao pai'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TKe4dVuY2EI/AAAAAAAACO4/tEzuitlApnc/s72-c/imagesCA4Z1WO2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-7666310818782907278</id><published>2010-09-28T00:28:00.554-03:00</published><updated>2010-09-30T03:00:57.818-03:00</updated><title type='text'>O filme</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TKQnR-v-bgI/AAAAAAAACOw/saXY99B5I44/s1600/Renno3.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 260px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5522582232918552066" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TKQnR-v-bgI/AAAAAAAACOw/saXY99B5I44/s400/Renno3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As luzes se apagam. No silêncio da sombra do mundo eu assisto um filme triste, triste. O filme também me olha como se esperasse de mim um ''faux- raccord''- aquele corte que se apresenta deliberadamente como interrupção de um fluxo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Imagens desesperadas e sem norte, me conduzem em um naufrágio lento e agonizante. Transbordo numa tristeza fina, delicada, feminina. Todas as lembranças se instalam desgovernadas em meu corpo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Entre oceanos e distâncias, serpenteia firme no horizonte uma história de amor. Filme de duas vidas costuradas na toalha de mesa e no lençol da poesia cotidiana. Dentro da história, traços, sombras e luzes do amor que chega sem avisar, amor outro e mesmo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Capturo um significante na pele desse " estrangeiro", e abro em meu desejo uma janela sensorial superlativa, viva, inevitável. Há um filme por escrever. Filme inteiro que insiste, mesmo com a força de um desvio que esbarra na opacidade da distância.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não sei como roteirizar isso. Escrevo a partir de uma enunciação indeterminada uma fábula encantada do impossível no amor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como fazer possível e não silenciar a minha verdade? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Olho no espelho- aquele que Sylvia Plath afirma ser a única testemunha de fato sincera do nosso existir, de nossa presença. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vejo uma miragem de mim. Escrevo a minha loucura. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-7666310818782907278?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/7666310818782907278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=7666310818782907278' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/7666310818782907278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/7666310818782907278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/09/o-filme.html' title='O filme'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TKQnR-v-bgI/AAAAAAAACOw/saXY99B5I44/s72-c/Renno3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-1814431269166396773</id><published>2010-09-22T19:44:01.093-03:00</published><updated>2010-09-23T05:34:12.743-03:00</updated><title type='text'>A cena.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TJsPM1hvb4I/AAAAAAAACOo/moXUjuGOiZU/s1600/nan_goldin.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 353px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5520022481474121602" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TJsPM1hvb4I/AAAAAAAACOo/moXUjuGOiZU/s400/nan_goldin.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;                                                       &lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;  ( Fotografia de Nan Goldin)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div&gt;Ele ainda era aquele menino agoniado- aquele criado entre montanhas, vacas e árvores. Era isso que pintava em seus quadros; e em sua angústia, para além da natureza aprazível pintada, estava a luta convulsiva com que Freud caracterizou o entrelaçamento de Eros com a pulsão de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre uma pincelada e outra- de pedra, de curva, de mar, ele lembrava da sala da biblioteca antiga- uma réplica dos girassóis de Van Gogh amarelando sua infância absurda- qualquer coisa de grito buscando representação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carregava no coração,a mesma nódoa e sufocado, escrevia noites, abandonos, alegrias, saudades do futuro. Desdobrava-se para além dele em em mergulhos profundos, mas assustado, voltava logo á superfície das coisas- capturado na palavra, na imagem, no vazio de seus dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora deu para escrever mares ilusórios. Deu para brincar de amor de longe e pintou um oceano inteiro divindo ele do amor, mas não queria atravessar nada. Desejava fragmentar-se em sua vã concepção de real, sem perceber que o real, estava mesmo escondido dentro de seu nome, recolhido em seu próprio céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele mar era mais um engano. Faltava a tinta azul daqueles dias de varandas e jardins.Pintava agora, só borrões daquilo que, de fato, tinha sido verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então, eu paro e olho para aquilo que estava ali. Olho para o homem intrigado com aquilo que não vê. Ele pinta uma cena desesperada- para descontinuar aquela que é a causa do seu desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escuta um barulho e tão preocupado em fugir da dor, nem sabe que debaixo de seus pés existem folhas secas. Mas eu vi e ouvi o estalido de galhos sob os seus pés. Era inverno dentro dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respiro fundo. Preciso alojar aquele vazio criado pelo mundo da linguagem e dos signos que aqueles olhos inquietos carregavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para aquele outro olhar- mundo inteiro ali. Tentei me defender muito tarde. Agora, com o resto da cena, fixo um ponto de fuga e um ponto de distância e tento formar uma grade para organizar meu quadro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moldura vira uma janela.Busco pintar uma figura que aniquilará meu amor. Não consigo e esquadrinho o campo de visão em busca daquilo que não posso ver. Não encontro nada, somente o inacabado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não é uma escrita de ponto final , porque o acabado só pode ser tocado por meio de coisas e afetos inacabados, intermitentes. Escrita de desejo- não sem dor. Esforço de poesia. Saudade latejando nas mãos sequiosas de espasmos. Grito brumoso de pergunta: Já sentiu o frio ar que é a saudade? - como Guimarães Rosa sentia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Silenciosa, a metáfora atira de longe e acerta o alvo, toca o sentido do não- sabido sem esgotá-lo todo....No gesto silencioso se descobre o amor- naquele momento onde o olhar de um encontra abrigo no olhar de outro. A metáfora toca o corpo e transforma o excesso de sentir em imagem poética. Silencio para o encontro e para suportar conferir ao costumeiro, um aspecto enigmático.Fazer calar para fazer falar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E então, no meio da madrugada, sinto estrelas entrando suaves em meu corpo. Infinito, azul- marinho, cheio de relâmpagos e inquietações. Acolho, dou aquilo que nem tenho. Sinto ele comigo em vértices e labirintos úmidos. Estou no  espaço, onde brilha insistente, o desejo encoberto pelo véu da repetição. Faço cair o véu, o lençol,  o vestido. Vestido no varal do céu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nua, e plena de nuvens em todas as reetrâncias, aceito a celeridade de intensidade mágica, que assombra minha razão. No fluxo do inominável e sem papel, pintei assim, com as mãos silentes, o quadro de meu amor por ele. Queria ser um lugar, mas ele insistia em me vestir de miragens.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sinto na pele a força de tomar emprestado o significante do outro. Retiro delicadamente o vestido e penduro no varal da eternidade- deixo o momento banal descobrir o estado latente da poesia cotidiana. Mergulho desesperada no delírio feminino e apaixonado- por vias lácteas inteiras...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-1814431269166396773?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/1814431269166396773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=1814431269166396773' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1814431269166396773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1814431269166396773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/09/cena.html' title='A cena.'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TJsPM1hvb4I/AAAAAAAACOo/moXUjuGOiZU/s72-c/nan_goldin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-579150680501953777</id><published>2010-09-19T13:27:00.135-03:00</published><updated>2010-09-19T13:50:56.278-03:00</updated><title type='text'>Os segredos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TJY_GrIorrI/AAAAAAAACOg/c7KubB_GoWk/s1600/camille_claudel_dana1885.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 306px; DISPLAY: block; HEIGHT: 395px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5518667777279831730" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TJY_GrIorrI/AAAAAAAACOg/c7KubB_GoWk/s400/camille_claudel_dana1885.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;-Eu vi a eternidade nos teus dedos! Eu vi a eternidade, e amedrontrou-me saber, tão de repente, tais segredos...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; - &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Letícia não sabia descrever. Emocionada e arrebatada pela síntese da poesia, tocava assustada aquilo que sentia. Por um instante, fechou os olhos e sentiu a incômoda espessura da carne e sua impertinência. Na umidade suave que carregava entre as pernas, sentiu o peso das mãos delicadas daquele homem. Seu corpo se transformou em tremor apaixonado e instável. Em seu ouvido, uma cacofonia de vozes absurdas sussuravam disparates. Ouviu a voz dele, aquele ritmo sensual de sua fala e o seu sorriso quase tímido. Sua própria voz emudeceu. Falava e não se ouvia. As vozes falavam á sua revelia em seu corpo, que gozava suave daquele alvoroço amoroso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Letícia não sabia quem era ela mais. Vivia na ‘’pele- palavra’’ o drama da fragmentação e da impossível unidade. Um’’ Desassossego’’ tão múltiplo e imanente como o de Fernando Pessoa.&lt;br /&gt;Cada estilhaço de Letícia trazia a marca da separação, a nostalgia da partida, a miragem da terra perdida. Descoberta e angustiada, sentiu um vento frio cortando seu rosto- a existência como possibilidade era sua única certeza. Cada pedaço de seu corpo se desdobrava em vivências poéticas que rompiam a fronteira do possível. Sentia um prazer tão imenso que quase era música- tônica, metafísica- sentido rompendo das nuvens do céu distante. Alguma coisa entre Mozart e Debussy, entre labareda inflamada e leito caudaloso- um sentimento oceânico de abandono e arrebatamento pelas águas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nesse deleite, refez sua história e lembrou de seu amor jovem. Um bric-à-brac de pedaços dele dançavam dentro de suas memórias. Eram fotografias amareladas com o tempo, a música do primeiro encontro, aquele jeito de levar o garfo à boca e, principalmente aquele jeito de ajeitar o óculos e levantar o vestido com o olhar. Com ele, ela aprendeu que dois corpos não se encaixam e nem se completam. Foi no corpo dele que o dela se estendeu além de tudo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ainda úmida e extasiada de desejo, deicidiu perambular a esmo no solo da saudade. Entregue ao devaneio mais bonito de sua vida, percorreu a paisagem sonora que se desdobrava no tempo entrecortado de silêncio. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fechou os olhos e sentiu não só os dedos dele, mas suas mãos delicadíssimas passeando entre sua boca, seus seios e seu sexo. Ele tentava recolher Letícia com as mãos, encaixar seus pedaços, e olhava assustado para dentro de seus labirintos coloridos e insólitos. Diante da perturbadora sensualidade de uma mulher, ele hesitava desajeitado. Escrevia, escrevia, escrevia, numa tentativa vã de expulsar Letícia de sua vida sem saída, mas ela insistia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um dia, olhou fundo em seus olhos inquietos e distantes e soletrou letra por letra do indizível em seus ouvidos. Ele sorriu um riso triste de quem não sabia mais caminhar sem ela. Letícia, que era mulher, e sabia se descompletar, se alimentava, vertiginosamente, de seu silêncio. Mesmo sem se saber, escreveu seu amor em um céu cheio de estrelas e esperava, não sem dor e volúpia, o corpo daquele homem pesar sobre o seu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele, calado, apartado de seu desejo, mais uma vez assustado, recuou e chorou seus dias côncavos e vazios de amor. Suas mãos dormentes acenavam de longe...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-579150680501953777?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/579150680501953777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=579150680501953777' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/579150680501953777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/579150680501953777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/09/os-segredos.html' title='Os segredos'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TJY_GrIorrI/AAAAAAAACOg/c7KubB_GoWk/s72-c/camille_claudel_dana1885.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-3456243629310191203</id><published>2010-09-13T13:31:00.249-03:00</published><updated>2010-09-13T15:16:41.940-03:00</updated><title type='text'>A última carta de Letícia</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TI5qIP_9o2I/AAAAAAAACOY/3n9oerNTYSY/s1600/cartier-bresson-child-carrying-painting.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 259px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5516463283541746530" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TI5qIP_9o2I/AAAAAAAACOY/3n9oerNTYSY/s400/cartier-bresson-child-carrying-painting.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;                                                                 ( foto de Cartier- Bresson)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Enquanto lia Os Pensamentos de Pascal, evitava me imantar nas cartas de Letícia. Qualquer leitura é perigosa quando estamos lançados no coração da angústia, da dilaceração, do desolamento. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tomei a decisão de abrir o último envelope amarelado pelo tempo, quando Pascal buscou palavras tão precisas e cortantes para descrever nosso calabouço existencial- '' Somos um meio entre o nada e o tudo, estamos infinitamente afastados de compreender os extremos..."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Naquele momento, decidi ler aquilo que do outro, me atravessava em puro enigma:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;'' Alberto, quando nos conhecemos, naquela noite de céu azul- marinho, o tempo se desdobrava intenso, quebrando as regras de marcação e se tornando mais parecido com o infinito. Eu tinha um lapso de memória , uma lembrança de algo que ainda não aconteceu. Quase uma saudade do futuro. Foi um encontro. Eu achava que era quase destino.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E se, você escreve que destino é a consequência de um ato, digo que tanto destino, quanto ato, podem designar viagens. O local de destino se descobre colocando em ato o desejo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Se você escreve em outra carta, recuando de seu desejo e de sua responsabilidade com nosso encontro, dizendo que destino é uma entidade misteriosa que determina as vicissitudes da vida, digo que a verdade toda nos é vedada, mas só tocamos algo dela, quando colocamos em movimento esse silêncio que nos petrifica. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tomo as rédeas da minha vida, mas não sem lembrar de você, principalmente nas horas de descanso, onde não consigo tirá-lo da cabeça. Acho que é porque não está na cabeça. Está em meu corpo, por meu sangue, abraçado com minha alma, debaixo de meu vestido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, o tempo é ﻿igualmente proporcional à vontade e interferência da gente. Quando esquecemos dele, as coisas se perdem esmaecidas e vacilantes dentro do coração da memória. Tenho me lembrado de você com uma distância maior do que antes. A forma leviana e um tanto covarde como conduziu aquilo que era tão puro e sincero, faz com que as coisas se evaporem cada dia mais. Mesmo assim, escrevo nossa história, um tanto angustiada, por perceber, que só para mim ela foi única e radical. Ainda assim, escrevo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escrevo, porque quando encontrei você, o tempo se tornou troca. Um vai e vem intimista e minucioso de olhares certeiros, como na música do Adoniran Barbosa e Oswaldo Moles. Qualquer dúvida que eu carregasse ficou para trás , depois que eu senti seus olhos cheios de poesia e fúria adormecida.No avesso das coisas e explodido de exuberância, você foi meu par na contramão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Andei silenciosa pelo mundo uma semana. Calada pela pureza do encontro. Sem tônica de expressão. Atônita. Entorpecida da maravilha do desconhecido que nunca tive antes vontade de descobrir. Descoberta, tentei passar despercebido pelo desejo mas não teve jeito. Tentei ser dura como rocha mas me deu defeito. Fiz o possível para parecer desleixo. Derrapei no rompante. Refiz os versos da canção que esperava ser composta. Expandi a melodia singular tirando-a num solfejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, percebo quieta o som do desejo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desarmada e vulnerável, escrevo no vazio dos dias a surpresa de perceber que não era comigo, que não era para mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sem reticências. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Letícia "&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-3456243629310191203?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/3456243629310191203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=3456243629310191203' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/3456243629310191203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/3456243629310191203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/09/ultima-carta-de-leticia.html' title='A última carta de Letícia'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TI5qIP_9o2I/AAAAAAAACOY/3n9oerNTYSY/s72-c/cartier-bresson-child-carrying-painting.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-1072510900158886158</id><published>2010-09-09T18:01:00.359-03:00</published><updated>2010-09-09T19:00:40.521-03:00</updated><title type='text'>Qualquer vida é um livro...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TIlYfT4DAvI/AAAAAAAACOI/lccncxmZBuE/s1600/CIMG2294.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5515036513626424050" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TIlYfT4DAvI/AAAAAAAACOI/lccncxmZBuE/s400/CIMG2294.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;                                         &lt;span style="color:#000099;"&gt;  (foto tirada da janela de casa num dia qualquer...) &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia conheci um menino. Mudou de lugar no ônibus e fez uma viagem comigo.&lt;br /&gt;Curta e intensa. Logo se apressou em sorrir para mim e nesse silêncio que não entendemos bem, perguntou se poderia falar comigo. Digo: " Então me conta" - é a minha senha para fazer alguém falar. E escuto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escuto porque gosto dos romances existenciais, escuto para não me esquecer do outro e para lembrar que só existe vida quando ela é contada e que, se há algum sentido na existência é na narrativa que ele acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escuto e a minha história se reescreve na sua fala amorosa sobre sua mãe que morreu jovem. Assustada e comovida, começo a me lembrar de um outro menino que me dizia: ''Bia,a existência é devir", e que foi embora cedo de mim, mas deixou cravada na minha alma essa coisa de reeditar insistentemente a minha história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sabia que a sua incrível genialidade lhe pesava muito e temia por sua vida, desde o início. Lembrava de Rimbaud, gênio da poesia que no século 19, com menos de 20 anos de idade, já tinha escrito seus melhores poemas e morreu jovem nessa coisa de não caber em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha também Hemingway, seu escritor preferido, que viveu a vida intensamente, sorvendo tudo até a última gota.Escreveu coisas brilhantes, bebeu mais do que podia, também morreu jovem e fazia parte de uma espécie de homens malditos e iluminados- aqueles que jamais serão superados. Os originais, audaciosos, polêmicos, marginais, os que se renovam sempre, os que fizeram a gente rir e pensar. Os que são lendas ainda vivos. Os que são lendas vivas e continuam lendas depois de mortos.Aqueles que sabiam que a vida não é coisa lá que se retenha ou se compre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente que nasce sabendo que esse intervalo entre o nascimento e a morte é mesmo absurdo e misterioso; e sabe secretamente que a gente só vive se contando, porque do contrário-sem nossos enredos inventados- não poderíamos encarar esse intervalo de crueza inquietante e angustiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele desceu daquele ônibus antes de mim, e eu segui com o coração em desatino, flutuando no oco das palavras e tateando o mistério de sua vida. Ele cuidou de enviar uma mensagem delicada pelo celular, alguma coisa tão especial que marcou meu corpo e que me disse que é a consciência do fim que nos leva a contar histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajava para Descoberto e carregava um livro. Num gesto de desespero, buscando uma palavra que contornasse o momento, abri numa página qualquer onde André Comte- Sponville dizia de um alegre desespero : “” Trata- se de preferir a vida como ela é, com suas dificuldades, com seu quinhão de horrores às vezes, mas também com seus prazeres, suas alegrias, seus amores; aceitar e amar a vida como ela é mais do que esperar uma outra.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse menino e tantas outras pessoas que cruzaram meu caminho com histórias também me fizeram. Hoje escrevo na tentativa de fazer o inescapavelmente efêmero, de algum modo, permanecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cada palavra que escrevo, há fragmentos dessas várias vidas que me atravessaram e construíram o enredo de minha vida e o meu discurso no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse fim de tarde, vou costurando um vestido com retalhos dessas narrativas, onde me cubro para não desaparecer no abismo de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro com ternura do menino que ainda se interrogava sobre coisas tão essenciais e ternas, e quando perguntado pelo pai, respondeu, um dia, constrangido e emocionado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;''Meu pai chama- se Raimundo, mas não é rima e nem solução!''&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é mesmo coisa muito frágil e, talvez não tenha mesmo muito sentido....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa narrativa onde ficção e realidade se tropeçam e se confundem, sigo escrevendo no céu do absurdo, o meu movimento em descompasso apaixonado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-1072510900158886158?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/1072510900158886158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=1072510900158886158' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1072510900158886158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1072510900158886158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/09/qualquer-vida-e-um-livro.html' title='Qualquer vida é um livro...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TIlYfT4DAvI/AAAAAAAACOI/lccncxmZBuE/s72-c/CIMG2294.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-344200836542686113</id><published>2010-09-08T03:02:00.044-03:00</published><updated>2010-09-08T03:18:42.098-03:00</updated><title type='text'>Música do céu...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TIcqgbZe5aI/AAAAAAAACOA/lKeh_r_gJrk/s1600/musica2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 258px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514423005337281954" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TIcqgbZe5aI/AAAAAAAACOA/lKeh_r_gJrk/s400/musica2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Achei as cartas trocadas entre Alberto e Letícia por um desses acasos impressionantes. Procurava uma nova casa nova, e num sobrado antigo, encontrei no fundo de um armário embutido, dois envelopes amarelados- palavras perdidas de um passado desconhecido. Apressei-me em devolver as chaves na imobiliária, mas antes tomei posse dos dois envelopes, porque sempre teimei em acreditar nessas contingências da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em casa assustada e fascinada com a descoberta. Um tanto siderada no tempo, fui tomada por uma sonoridade do passado e ali no meio da sala, ouvia Vladimir Horowitz e sua música que vinha de um mundo caótico, que eu identificava como sendo meu, um mundo onde sentimentos dançavam hemorrágicos, como as palavras que eu começava a ler comovida e aturdida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, aquele passado alheio ao meu fez todo o sentido. Lembrei do primeiro homem que me amou e do susto que foi ser tomada como mulher por ele; que dizia não ter nada na vida além do piano Bentley que herdou do avô e do amor sem medida que sentia por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas palavras que sangravam da carta encontrada no fundo de um armário, encontrei continente para minha angústia que jorrava por todos os poros. Fechei os olhos e fui conduzida para aquele apartamento onde fui amada pela primeira vez. Ouvi novamente aquele homem, tocando feliz o concerto número dois de Rachmaninov, depois de fazer amor comigo e me inaugurar. Foi o momento de maior estranhamento em toda a minha vida- eu ali deitada, sem saber bem como nomear aquele excesso de paixão que tomava meu corpo; e ele, completamente absorvido pela música que parecia dizer por ele, dessa coisa de chegar ás beiradas de si numa torrente vertiginosa de sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, impactada com a força da alteridade pesando no meu corpo e abrindo fendas sensíveis em minha pele, sempre me despedia dele, como se a história fosse morrer a qualquer instante, e eu junto com ela .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa tarde, quando abri o envelope e percebi que dentro havia uma história de amor que se fazia presente em pura ausência, coloquei-me em busca das palavras e nesse exercício, refiz meu percurso angustiado, de alguém, que sempre caminhou com um certo torpor no coração- como se nem todo amor do mundo pudesse acalmar essa vertigem causada pela perda súbita, repentina e sucessiva, de quem mais amamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, essa marca, longe de me lançar numa covardia diante do amor, me arremessou para terrenos onde se faz urgente desejar e saber- fazer com esse resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do pianista, um homem magnífico, me apresentou Love Supreme de Coltrane e me fez sentir a experiência mais radical e profunda do amor, também como Letícia e Alberto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘’...me desmanchei em tua respiração, me misturei de tal forma com teu corpo, que já não sabia mais o que era o quê, quem era quem, de quem era o quê , numa simbiose que me deixou num desvario meio doido, sempre tonto de amor. Foi preciso palavras, olhares apaixonados , toques de reconhecimento deste amor tão lindo para que não me fragmentasse em uma miríade de pedaços. “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com ele, fiz amor infinitas vezes, construi um lar, quebrei regras, suspirei e gemi- de dor e prazer, nele também depositei, atrapalhadamente, minha vida e meu vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas naquela tarde, eu procurava uma casa nova para o meu desejo; e ele não estava comigo quando achei a correspondência antiga no fundo de um armário embutido. Petrificada e impotente, olhei para o céu na varanda de casa com medo de tocar uma história cheia de interrogações e de uma crueza inquietante e estranhamente familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei evitar e me tangenciar daquilo que atravessava a minha vida com uma violência apaixonada. Decidi então, dar vida nova para todas as palavras ditas e partilhadas por Alberto e Letícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No papel marcado pelo tempo, as palavras que não poderiam se perder no vazio da inconseqüência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘’ Por mais que tente pensar em um momento que seja só meu, inteiramente meu, é aí mesmo que te encontro em tua fulgurante beleza. Já não me compraz e nem me agrada ver-te assim a sofrer tanto por uma situação e me pergunto quanto mais vai durar esta impertinência em relação a teu próprio desejo. É uma questão ética que comporta nós dois, comporta este espaço que nos une, este momento que vivemos que, longe de estar acontecendo muito depressa, responde pelo encontro de nossas histórias, com tudo que procuramos e não soubemos encontrar, seja pela miopia que habita cada um de nós, seres humanos, seja por aquilo que evitamos procurar, morrendo de medo de que, de repente a vida dê certo. Me lembra a frase, dita por Freud quando quis se referir à felicidade humana : “Posso entender que os homens queiram se conhecer e serem felizes. O que jamais poderei compreender é por que eles precisam adoecer para poder tentar consegui-lo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto conhecia bem o sabor entediado do amor resignado, Letícia também. E de fato, ambos concederam ao Outro uma potência que ele jamais terá, que é de atuar tiranicamente sobre nossa liberdade - e leia-se, nosso desejo - para desencumbirmo-nos da tarefa, por vezes tão árdua, de encarar que a ferida é nossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo lendo a história de Alberto e Letícia, e olhando para o céu azul- marinho, escuto o violino de Sándor Végh e Bach invadindo a varanda. E, diante de Bach, escuto a fala de Alberto- ‘’inerte e paralisado numa petrificação da vida pela impossibilidade de escolha. ‘’&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas letras quase apagadas, já não sabia mais onde começava e terminava Letícia e Alberto, e no sangrar daquelas palavras, também me coloquei nua diante do amor. Há mesmo, que se que ter ‘’coragem, para sustentar esta experiência que comemora a vida tão perto da morte e ultrapassar os momentos onde a impossibilidade mostra sua face mais cruel e tirânica, nos impondo um campo vazio no qual é-nos vetada a possibilidade de escolher, onde caímos total e irremediavelmente no campo do proibido, do negado, do impossibilitado.’’&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Absorvi o mistério da narrativa. Bach tocou o coração da angústia e traduziu esse exílio metafísico eterno, essa fragmentação tão súbita, essa nostalgia de um absoluto que não vemos, mas nos vê...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Música do céu, música do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-344200836542686113?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/344200836542686113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=344200836542686113' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/344200836542686113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/344200836542686113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/09/musica-do-ceu.html' title='Música do céu...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TIcqgbZe5aI/AAAAAAAACOA/lKeh_r_gJrk/s72-c/musica2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-2606146404228936582</id><published>2010-08-24T15:29:00.485-03:00</published><updated>2010-08-27T20:26:35.215-03:00</updated><title type='text'>Travessia</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/THhJCgVpr_I/AAAAAAAACNo/VplSiUVBArM/s1600/barco.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 357px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5510234451477114866" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/THhJCgVpr_I/AAAAAAAACNo/VplSiUVBArM/s400/barco.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Abri os olhos e estava lá- naquela região desértica, árvores baixas em terrenos arenosos, tufos de planta seca, sem capim, água, pássaros.Letra por letra do grande sertão, invadindo meus olhos assombrados com os fortíssimos elementos metafísicos, através da linguagem metafórica num manancial de símbolos a serem interpretados e desvelados. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Madrugada caindo acelerada e Guimarães Rosa fazendo companhia para minha insistência nessa dimensão vertiginosa do intangível. Ele mesmo, na sua relação íntima com a palavra, em sua metafísica do grandioso do sertão, e no imponderável que abarca qualquer travessia, faz escuta ao mínimo de mim- esse mínimo cifrado, que caminha no Liso do Sussuarão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A necessidade de atravessar esse lugar misterioso insistia e através de um “intransponível” atalho, procurava alguma coisa que pudesse nomear esse desolamento geográfico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desolamento ...era assim olhar para o grandioso do sertão- sentir a luz implacável, brilhante, impiedosa, devastando minhas retinas cansadas pela obsessão angustiada do '' querer-ver" .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riobaldo, era naquela madrugada, indicador angustiante da vertigem de meu afeto. E, apesar de Riobaldo ter experimentado outras travessias, embaixo de sóis mais terrificantes e doídos, essa se mostrava diversa, estranha, inusitada, ao ponto de bulir com sua coragem e lhe causar temor, dado o oculto que ainda estava por vir e que ele não sabia o que seria. Riobaldo em seu heróismo humanamente trágico, de carne-e-osso, espírito e pensamento, portanto, passível de dores e tormentos fazia escritura fina em minha fantasia de travessia do sertão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pois dorme, Riobaldo, tudo há de resultar bem...” escutei o som saindo do livro. E, essas palavras soaram aos ouvidos do herói rosiano com esmaecida esperança, mas tendo sido elas pronunciadas por Diadorim, a quem ele dedicava um sentimento ambivalente de amizade e paixão, mutaram em aprazível deleite. Riobaldo chegou a sonhar: “Noite essa, astúcia que tive uma sonhice: Diadorim passando por debaixo de um arco-íris”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na dinâmica compensatória do imaginário, minha dor também entrava em ebulição e, como para quem amanhece nas entranhas de um sussuarão gigante, a imaginação de Riobaldo compensara os dissabores do dia com a matéria inconsciente do sonho, e agora, em vigília, uma outra espécie de sublimação imaginativa vem em seu socorro: a memória. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A lembrança de um passado idílico e prenhe de prazeres o liberta, momentaneamente, das agruras de um presente demasiado opressivo. A rememoração da presença noturna da feminilidade da mulher, ao mesmo tempo maternal e erótica, redimensiona o ponto de vista riobaldiano diante do caos, renovando-lhe a humanidade. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O relembramento de Riobaldo é um gesto imaginativo a que ele recorre buscando a superação do desconforto do presente, trazendo a imagem do feminino consubstanciada em duas figuras: Otacília, representando um porto seguro, o reaparecimento da presença materna aconchegadora, o seu amor de ouro e, Diadorim, presença fugidia e aventureira, uma neblina interpondo-se entre uma forte amizade e uma paixão arrebatadora, o seu amor de prata. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os olhos verdes de Diadorim apontam para um futuro carregado de incertezas e ainda a ser construído, por isso mesmo, irrecusável (olhos de onda do mar). Equilibrando-se na corda bamba do tempo, Riobaldo, o herói rosiano em luta contra o sussuarão, é instigado pelo pendor feminino a tomar alguma atitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Decifra-me ou devoro-te”- a interrogação atravessou também meus olhos envolvidos em Guimarães Rosa, e cheios de medo, dor e prazer. Eu estava de corpo aberto à epifania do mistério do feminino.Meus pés caminhavam pela sala, angustiados na recondução do sensível. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vi diante de mim a aparição do indivisível, pelo e no significante”- alcançando a revelação de seus inesgotáveis sentidos. Entre o torpor do intangível, todos os símbolos se estenderam além da palavra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu podia ser qualquer coisa por minhas veredas sertanejas: uma pedra elevada, uma árvore gigante, uma águia, uma serpente, um planeta.Mas era somente eu- líquida depois de tanto sertão...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-2606146404228936582?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/2606146404228936582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=2606146404228936582' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/2606146404228936582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/2606146404228936582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/08/travessia.html' title='Travessia'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/THhJCgVpr_I/AAAAAAAACNo/VplSiUVBArM/s72-c/barco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-7929493783834256164</id><published>2010-08-14T01:33:00.501-03:00</published><updated>2010-08-20T16:45:32.054-03:00</updated><title type='text'>Metáfora de amor</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TG7a01QxDcI/AAAAAAAACNg/lvF2QredP-4/s1600/geraldo.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 303px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507579995506150850" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TG7a01QxDcI/AAAAAAAACNg/lvF2QredP-4/s400/geraldo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;                                                      &lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;  (Fotografia de Geraldo de Barros)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;Diante de uma interrogação, ele chegou como uma metáfora- um amor pelas palavras, daquele que faz coincidir amor e desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vento, céu, mar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada sentimento, desdobrou-se em mim com um nome impresso, não sem dor, em meu corpo. Quando o vento foi embora, achei que nunca mais sentiria nem uma brisa no rosto. Minha pele ressequida e triste implorava pelo toque úmido do desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa surpresa que só o encontro pode carregar, abri os olhos e estava de frente para o mar. Mergulhei profundamente em suas águas azuis e perigosas. Para quem teme pouca coisa nessa vida, encontrar com o mar não era coisa que fizesse recuar. Amei aquele ''amor-de-(A)mar'', mesmo sabendo que aquele homem era afeito ao infinito.&lt;br /&gt;"Eu te amo, mesmo se tu não quiseres”- eu repetia decidida, sabendo que o objeto do desejo do Outro não tem nada a ver com aquilo que amamos nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E juntos, olhamos para o mistério e o imponderável da existência, partilhamos delicadezas, sutilezas, e também a desarmonia da subjacente contingência do encontro amoroso. Era amor como dom ativo, inscrito na dimensão da palavra, cujo registro é o da verdade, da mentira, da equivocação e do erro. Amor de sins e nãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resisti durante anos, por saber do muro da linguagem, e por acreditar, que o amor é um artifício para saltar este muro. Cansada de nadar, sem fôlego, escrevia cartas para contar do amor que inventávamos. Foi assim que aprendi a voar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevia na tentativa de entender esse laço imaginário privilegiado de cada sujeito com um outro e as palavras inventaram, assim, meu mito do amor. Estava no alto, para além de mim, pedaços de nuvens e estrelas em céu azul- marinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi fácil me separar do mar, da sua intensidade enigmática e das suas ondas violentas. Gostava das águas, da inquietude da água '' sensível a mínima alteração de declividade, pulando as escadas com os dois pés ao mesmo tempo..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A separação era vivida como dilaceração- dolorosa sensação de que uma parte de si mesmo foi arrancada para sempre.Mesmo no fim, não se separa amor e paixão- aquele lugar onde qualquer particularidade do outro amado tem de ser apagada para que se mantenha a fantasia de que de dois se faz um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi numa noite escura, quando percebi a cor do céu de minha varanda, que ele chegou- dentre infinitas possibilidades e de um jeito muito inusitado. Eu distraída, como sempre,recolhendo estrelas antes de dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haveria um outro pedaço meu solto por aí, andando pelo mundo de um jeito meio estabanado e errante?- atônita pensei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisou de pouco tempo para o lirismo chegar. Depois vieram todas as enormes afinidades e a poesia que ele trazia ao meu dia, me recompunha do incompreensível que me ultrapassava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era tarde demais- não viveríamos mais sem isso. Respirávamos em parceria a angústia e o perigo de viver. De longe, chegamos a sentir falta de ar pela espera do dia em que estaríamos mais perto- “do jeito que nos fosse possível”- sempre dizíamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo distantes , vivíamos no mesmo tempo- naquele que se mede com as batidas do coração, porque ao coração falta a precisão uniforme dos cronômetros. Suas batidas dançam ao ritmo da vida- e da morte. Tranquilo, de repente se agita..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esse tempo de vida os gregos davam o nome de Kairós- para o qual não temos correspondente. As pessoas tem palavras para dizer o tempo dos relógios, mas perdeu as palavras para dizer o tempo do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, eu encontrei alguém , que como eu, bailava desajeitadamente no meio de um tempo radical- aquele onde vida e morte numa linha muito tênue se arrisacavam em passos, saltos e tropeços .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém que tinha a mesma urgência de viver, uma sede infinita de abraçar a vida e de amar. Tinha desespero de abarcar tudo logo, pois sabia que a morte é a única coisa da qual podemos dispor. O resto é linguagem, construção, vida inventada, savoir- faire, mas o que nos ronda verdadeiramente é sempre algo da finitude .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa agonia de viver, trocamos palavras doces, fizemos alguns vôos arriscados e sinceros, e construímos um lugar feito de sonho, de água, varandas com sacadas, espuma de mar ,poesia, flores no jardim, livros partilhados, bolhas de sabão, carinho repartido e liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntos nos despimos um para o outro em confissões e segredos partilhados para celebrar o presente, porque do futuro pouco sabíamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri os olhos no torpor do sonho. Mar e céu me habitavam. Ventava lá fora.&lt;br /&gt;Eu havia assimilado todas as minhas narrativas amorosas no corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor (in)possível conduzia minha palavra.&lt;br /&gt;E diante da impossibilidade de saber toda a verdade, fala-se de amor...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-7929493783834256164?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/7929493783834256164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=7929493783834256164' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/7929493783834256164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/7929493783834256164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/08/metafora-de-amor.html' title='Metáfora de amor'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TG7a01QxDcI/AAAAAAAACNg/lvF2QredP-4/s72-c/geraldo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-4294109934449690480</id><published>2010-08-08T14:24:00.219-03:00</published><updated>2010-08-08T16:37:01.700-03:00</updated><title type='text'>Dia dos Pais</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TF8Ftc1wiYI/AAAAAAAACNI/RasSDiYi6bM/s1600/CIMG2640.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5503123548063959426" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TF8Ftc1wiYI/AAAAAAAACNI/RasSDiYi6bM/s400/CIMG2640.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;                &lt;span style="color:#3333ff;"&gt;(&lt;em&gt;Antes do crepúsculo- da janela de casa- fotografia feita por olhos amorosos)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dia dos pais era dia de um enorme constrangimento. Teríamos que, de forma patética, revelar o enorme amor que sentíamos um pelo outro. A minha mãe cuidava sempre de comprar uma meia ou um lenço para que o ritual bizarro se repetisse. Lógico, que ele não estava nem aí para mais uma meia ou um lenço e jocosamente, ria de tudo.Mal eu já vinha com um embrulho na mão,com aquele humor duvidoso e ele já sorria ironicamente. Parecia ter um prazer enorme no ritual que se repetia sistematicamente todo ano.Podia rir da sua miséria, do desencontro constante que era a vida dele com a família e me ensinar a sutileza da ironia fina e cortante. Abria o presente e soltava fagulhas líricas para todos os cantos. De vez em quando, ria mesmo e dizia: " Um homem chega nesse estado miserável de dor, decrepitude e ainda acha graça..". Sabia que assim me faria rir. Eu era feita da mesma matéria dele e ele sabia bem numa cumplicidade sutil e num acordo tácito que eu carregaria durante muito tempo, aquilo que ele me transmitia- uma coisa viva, forte e um tanto dolorida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha infância,ele era extremamente rigoroso e inacessível, e eu passava os dias gravitando ao redor de seus desenhos, seus livros, seus discos, tentando decifrar esse mistério que ele emanava. Gostava de ter um pai tão enigmático. Os outros pais pareciam tão óbvios, tão fáceis em seus papéis de cuidar do lar e dos filhos e não tinham na estante um livro com o título O Declínio do homem público- as tiranias da intimidade( me ensinando cedo, aquilo que eu assistiria mais tarde em Alain Resnais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os outros pais não tinham ''mulheres'' como minha mãe, que lia as viagens de Gulliver para mim e me contava de uma tal Madame Bovary. Só ele, acordava angustiado num sábado e escutava Elizabeth Schwarzkopf- uma linda gravação das quatro últimas canções de Richard Strauss acompanhada pela sinfônica de Berlim e regida por George Szell.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre me acordava na hora que ele bem desejasse e contava uma história alucinada sobre alguma música e dessa não me esqueço. Ele dizia que eu ainda ia conhecer um escritor com o nome de Hermann Hesse e eu acreditei. Contou que essas canções inspiravam-se em textos dele e que só com um violino eu podia entender os mistérios de alguém. Terminava a narrativa e chorava. Eu assustada, queria entender o motivo do meu corpo se anestesiar depois do fim da música- era um vazio inevitável. E ele prosseguia emocionado com Villa- Lobos e falando de um tal maestro que entendia de silêncios- Isaac Karabtchevsky.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei a vida me comunicando com meu pai através de sutilezas, violências e marcas profundas.Fui crescendo e descobrindo as maravilhas e os abismos de ter um pai instável, maluco, desconectado do mundo. Inevitavelmente, precisei me defender da intensidade maníaca dele. Saí de casa muito cedo, mas nunca me esqueci do Dia dos Pais e daqueles rituais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2005, senti uma saudade imensa dele e liguei dizendo que ia até Descoberto visitá-lo no Dia dos Pais. Era início de julho ainda, mas eu sentia uma necessidade enorme de resgatar algumas coisas que vinham se perdendo na distância do tempo e do espaço. Conversamos por uma hora e meia de um jeito completamente novo. Como numa espécie de mágica,não houve constrangimento algum e eu disse as palavras que ficaram guardadas durante todos esses anos. Ele, com a saúde frágil, desligou o telefone emocionado e acordou no dia seguinte no hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A gente nunca sabe calcular muito bem a dimensão de um ato- ainda mais de um ato de amor, do qual nunca estamos preparados para nos defender. Sentia que algo me desequilibrava a rota e despencava perplexa num precipício angustiante. Segui viagem para Minas, sozinha, numa noite escura e com a mesma sensação que eu tão jovem, já havia sentido várias vezes- uma ausência dolorida colocava- me em meio ao imenso vazio da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui e vi meu pai em coma profundo. Acompanhei todos os dias seu silêncio numa U.T.I- também sozinha. Falei, falei, falei. Sentia vergonha dos olhares dos médicos que me diziam: Ele não escuta você, prepare seu coração, só um milagre pode fazer com que ele saia desse quadro. E eu, teimosa, e acreditando mais na narrativa que cada um constrói para si do que no discurso médico, ia me enchendo de certeza que ainda falaria com meu pai depois de tanto tempo sem vê-lo. E num mistério profundo, o quadro que eu pintei com cores vivas e insistentes apareceu sem moldura diante de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ofegante e em desespero, lembrei de toda minha historia contida ali. Meu pai abriu os olhos assustado e eu falei: ''Isaac Karabtchevsky fez companhia para seu silêncio. Estava aqui comigo, pai.''&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O médico ao meu lado me disse que ele não me reconheceria, mas médico não entende da força desses laços e da nossa emoção partilhada em segredo nas manhãs de sábado. Ele só não me reconheceu, como também fez um gesto único, particular com o único dedo que se movimentava e sorriu com os olhos. Só eu sabia do gesto mínimo e incompreensível para o resto do mundo. Depois disso, ele viveu algumas semanas comigo.Duas semanas depois de ter me despedido dele no apartamento em Juiz de Fora ele faleceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando recebi a notícia, corri para as fotos, as cartas, os livros , mas nada tinha a abrangência do meu afeto e daquilo que vivi.Tocava as coisas do cotidiano, mas tudo parecia ainda mais fluido, evanescente e efêmero.Todos os meus sentidos, atingidos pela perda, acordaram da letargia da rotina que eu tentava retomar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei em descompasso. Algumas coisas banais, chegaram-me violentamente em pensamento. Meu corpo entrou em colapso.Tudo acabara de ganhar, repentinamente, um contorno triste e iridescente.Era outono em minha vida- as folhas caiam pálidas dentro de mim. O tempo se imobilizava na espera de um longo inverno, eu já podia prever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um golpe de vento me atravessou o peito- a vida não seria mais a mesma. Eram as tiranias da distância e da intimidade que dançavam juntas dentro de mim. Talvez, o inverno já tivesse chegado; talvez ele sempre tivesse existido permeando essa relação enigmática e insistente, mas quando soube da morte de meu pai, senti um frio cortante que vinha de dentro e se expandia para o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chorei e ainda sentia muito viva e pulsante a marca daquela troca. Era só fechar os olhos e respirar fundo, que as lembranças invadiam minha mente em curto- circuito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de abissal estranheza, lembrei- me de todos os crepúsculos em que chorei junto com outros homens. Amava homens que choravam em manhãs ensolaradas de sábado e em crepúsculos incertos. O crepúsculo me fazia chorar. Ele também chorava no crepúsculo.Chorávamos todos, porque sabíamos que o crepúsculo somos nós todos-somos belos e efêmeros como o crepúsculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, antes de me emocionar com a chegada do cair do dia, lembrei que era Dia dos Pais e pensei em reescrever esse amor infinitamente profundo, denso e extenso, que, de alguma maneira, me permitiu amar outro homem e mergulhar junto com ele no insondável oceano de possibilidades que o devir nos reservou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai viajou em sua nave lírica, mas não sem antes me levar com ele em muitas de suas sábias perplexidades...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-4294109934449690480?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/4294109934449690480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=4294109934449690480' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4294109934449690480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4294109934449690480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/08/dia-dos-pais.html' title='Dia dos Pais'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TF8Ftc1wiYI/AAAAAAAACNI/RasSDiYi6bM/s72-c/CIMG2640.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-6934677951607327191</id><published>2010-07-29T20:05:00.017-03:00</published><updated>2010-07-29T20:20:47.847-03:00</updated><title type='text'>Fotogramas do intervalo</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TFIMQ1z87hI/AAAAAAAACM4/5aFFC8PU1a4/s1600/ohohzine-610x427.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 280px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TFIMQ1z87hI/AAAAAAAACM4/5aFFC8PU1a4/s400/ohohzine-610x427.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5499471578435218962" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem retida no espaço naquele momento era aterradora. Capturada pelos olhos agoniados do menino que sabia prever destinos, ficava ainda mais contundente- um fotograma de sua existência e das pessoas que circulavam ao redor de seu espanto.Imagem única, sem negativo, coisas dispostas no papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vidas que caminhavam frágeis para o trauma do fim e outras vidas que ainda haveriam de reviver infinitamente o trauma do nascimento- essa ferida, esse furo de ser humano e se saber nesse não-lugar, nesse intervalo translúcido, transparente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela tarde, ele também morria um pouco ouvindo as interpretações das Variações Goldberg de Bach por Glenn Gould e se sentia um náufrago em território vertiginoso, radical. Como na voz do narrador Bernhard, sentia que só uma palavra, bastava uma única e ele podia aniquilar uma pessoa e toda a fotografia de uma existência. Uma palavra e a cena poderia ser outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tarde caia insistente e sem volta. A fotografia não era documental, desconectava o real- era só o menino e aquele lapso de tempo imperceptível para os outros olhares. O menino sozinho, tecendo destinos e dores de toda uma vida e sentindo em suas mãos dóceis e pequenas o fluxo da existência indo embora, correndo dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma captura dolorida e bonita do trauma de existir e desse abandono reeditado insistentemente em sua vida. Falta e excesso de alteridade do Outro- seu pecado, sua falha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida toda passava diante de seus olhos assombrados- sorrisos, gestos, palavras por dizer, silêncios. Lembrou-se que morrer também pode ser Idílio, como em Guy de Maupassant- uma fantasia originária, na qual o emigrante encontraria em sua viagem a própria efusão da qual está se afastando. E se acabasse numa ilha deserta, seria uma viagem a mais para escrever o livro que pede para ser escrito, que soletra pedaços de sons e palavras todos os dias em seus ouvidos.  Pedaços de língua que nos indicam na dureza fria de seu oco, que somos feitos daquilo, que o outro nos fez sofrer e daquilo que fazemos com isso. Trauma e fantasia compondo o drama da fragmentação, o drama da impossível unidade do mundo, a desproporção entre a imensidão da fantasia e o espaço limitado e curto de um real que sempre se coloca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já era noite, quando ele percebeu que não estava sozinho na cena. Do lado dele, olhando para o mesmo céu de estrelas, uma menina sorridente enigmática e apaixonada,  observava a tela que aspirava ao infinito e se desdobrava em vivências poéticas, que rompiam a fronteira do impossível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era possível. O tempo havia passado vertiginosamente e agora estavam ali, numa contiguidade única, um homem e uma mulher. Ela pegou em suas mãos delicadas e  segurou suavemente. Dali para frente, ele pintaria quadros, escreveria livros , viveria de amor e poesia com aquela mulher.  E é claro, sempre olharia assombrado para um céu de estrelas da varanda de casa. E antes do fim, eles dançariam felizes seus lirismos- com as estrelas descendo pertinho do jardim de casa, como se o céu pedisse para ser pintado, logo em seguida. Dançariam muitas vezes, para se sentirem  vivos nesses momentos-limite, que  quase ultrapassam a medida do humanamente suportável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dançariam sempre que o crepúsculo fizesse chorar- para acreditarem  no absurdo que é estar vivo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-6934677951607327191?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/6934677951607327191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=6934677951607327191' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/6934677951607327191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/6934677951607327191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/07/fotogramas-do-intervalo.html' title='Fotogramas do intervalo'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TFIMQ1z87hI/AAAAAAAACM4/5aFFC8PU1a4/s72-c/ohohzine-610x427.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-1929145122017924456</id><published>2010-07-15T19:35:00.199-03:00</published><updated>2010-07-15T20:55:24.249-03:00</updated><title type='text'>Psicanálise- para quê?</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TD-f4o-NTLI/AAAAAAAACLQ/ttX9e33lBcw/s1600/freud2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 303px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TD-f4o-NTLI/AAAAAAAACLQ/ttX9e33lBcw/s400/freud2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5494285865835121842" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez a psicanálise é convidada a responder quanto ao seu alcance e, sua eficácia. O livro''O Crepúsculo de um ídolo- a fabulação freudiana'',lançado por Michel Onfray reabre a discussão,usando de recursos tolos e óbvios para tentar desmontar o legado de Freud.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onfray se vê como um filósofo nietzschiano e acusa a psicanálise de se apoiar em mitos ou lendas.Estarrecida, fico me perguntando o que há na vida senão mitos e lendas particulares, construídos na forma de narrativa? Ele segue em suas alfinetadas despudoradas dizendo que Freud mantém uma relação sexual com a cunhada, é misógino e homofóbico.Mais uma vez chocada, vejo que ele só pode não ter lido Freud ou ainda não assimilou o golpe que o velho deu no narcisismo humano ao dizer que somos habitados por estranhos hóspedes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A psicanálise tem mais de 100 anos, mas os seus princípios ficam muitas vezes na obscuridade dando margem para interpretações das mais estapafúrdias. O dispositivo clínico freudiano é mesmo um palco onde se encena uma Outra intenção que transcende a consciência do sujeito. A originalidade de Freud consistiu em identificar e explicitar no próprio discurso dos pacientes a organização de seus sintomas.A invenção de Freud é portanto um saber com incidência sobre o real do sintoma e não apenas uma investigação teórica com efeitos especulativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Freud descobriu que a identidade sexual do sujeito não é um mero efeito do biológico e que da relação de cada sujeito com esse sexual do próprio corpo, do mundo e no relacionamento com o outro surge um mal- estar. E é esse mal-estar psíquico que a análise pretende tratar através da fala. Como afirma Lacan: '' O que se espera é que a análise, por uma suposição, chegue a desfazer pela fala o que foi feito por ela." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Campo da psicanálise é fundamento em dois pilares teóricos: a hipótese do inconsciente e o conceito de pulsão. São estes dois conceitos fundamentais que permitem compreender o sintoma enquanto mal-estar que está além do princípio do prazer e da realidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Freud dirá que o sintoma é rico de sentido, que abriga um inconsciente que o sujeito ignora, mas que o obriga a pagar um preço alto pelo gozo acéfalo que nele se abriga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais adiante,com Lacan, a psicanálise irá descobrir o papel decisivo da linguagem como aparelho fundamental da realidade psíquica. Lacan diz que a língua é o aparelho do gozo e em consequência, inconsciente e pulsão passam a ser efeitos psíquicos do aparelho da linguagem sobre o corpo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inconsciente para Lacan, corresponde assim a um saber que o sujeito desconhece, um saber fantasmático que o sujeito não sabe. A pulsão é a realização insistente desse saber sobre o próprio corpo. O mal- estar do sujeito é por isso o resultado de um gozo recoberto pela fala. Certos esquecimentos,certos lapsos, certos sonhos embaraçantes estão carregados de sentido, de um gozo cifrado que permanece porém opaco e por isso, a psicanálise fala de um '' sujeito dividido". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ato analítico consiste em implicar o sujeito na desordem que ele se queixa, visando obter o sujeito ético, aquele que assume o que lhe acontece e se responsabiliza. Aí está a ética da psicanálise- '' bem-dizer" até ao fim ''o real" - irredutível a cada um. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se pode esperar de uma análise é deste modo aclarar esse gozo opaco ao próprio sujeito, isolar os significantes de sua história pessoal, fazer uma travessia pelo fantasma, e extrair aquilo que se abre para cada sujeito na relação com o irredutível de seu sintoma- aquilo que Lacan chama de um resto de gozo( plus-de-jouir), com o qual cada um tem de se haver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise oferece a possibilidade de dar sentido novo á existência e isso não há como provar cientificamente mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nisso, Onfray está certo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-1929145122017924456?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/1929145122017924456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=1929145122017924456' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1929145122017924456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1929145122017924456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/07/psicanalise-para-que.html' title='Psicanálise- para quê?'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TD-f4o-NTLI/AAAAAAAACLQ/ttX9e33lBcw/s72-c/freud2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-9125430945314376001</id><published>2010-06-16T13:53:00.746-03:00</published><updated>2010-06-25T17:44:08.751-03:00</updated><title type='text'>Sintaxe do vazio...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TCUVCaIOGkI/AAAAAAAACHw/rU1orjG3nvA/s1600/El+Matador.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 286px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TCUVCaIOGkI/AAAAAAAACHw/rU1orjG3nvA/s400/El+Matador.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486814852138539586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era dia de vazio- literal e metafórico.&lt;br /&gt;No corpo, carregado de sentidos provisórios e parciais e no céu- de negras nuvens trovejantes e ''cheias de nada'', que esperavam o momento limite para transbordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito ali no rio, no rumor contínuo de um riacho indeciso, olhava assustado para o vázio. Tinha medo de nuvens e das pautas musicais penduradas nelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era assombrado com os predicados que sua avó dizia para enfeitar o céu no baile das águas.Temia que a avó se perdesse no feminino plural das nuvens e se escondia no fundo de seus musgos, recuando apavorado, diante do transe líquido da figura feminina que mais amava. Assim, ele fez até virar homem grande e rio caudaloso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As letras se misturavam dentro do menino, mas, ele-''riacho indeciso'', desde pequeno, temendo enormes temporais e ondas, só sabia se esconder desse excesso de ''sobre-humano amar.''&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gostava de chuva movimentando sua superfície. &lt;br /&gt;As águas da chuva eram lâminas pontiagudas que atravessavam seus extratos mais profundos e faziam ele se perder do fluxo das coisas do mundo. Achava chuva uma coisa misteriosa e labiríntica e cresceu assim- rio atormentado nesse paradoxo do desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem perceber na sua rememoração nebulosa, que chuva, nuvem, rio e mar eram todos lugares onde se anota o tempo, seguia seu curso evitando tempestades e perdendo-se em escadas que dão acesso ao nada e em pontes que não vão a lugar nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua vida era carregada de enormes feridas e cicatrizes, mesmo nesse movimento constante de esquiva da lâmina- líquida do céu.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carregava também silêncios partilhados e imagens de solidão.E deitado na margem de si, e no escuro de seu fundo não permitia nem claridade, nem bruma, nem espuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu mundo precário, serpenteavam no ar, alguns espelhos, que chegavam através do olhar do outro,mas era mito de Narciso e ele olhando para ele mesmo, sem renovar o espanto em perceber sua presença enquanto rio. Vivia num cenário de fotos narcisistas e sombra sem hospedagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, de repente,como uma pedra no rio, alguém quebrou o espelho encantado e o menino-hoje homem grande- entrou num transe beckettiano com as palavras- ''esses estrangeiros, essa poeira de verbo.'' E impactado, aturdido e causado com a presença de uma alteridade que era água, mas não se sabia, encontrou um novo enigma(de som e sentido).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era chuva forte de pedaços arrancados, intimidadades e delicadezas. Essa familiaridade cortante atravessou seu corpo e ele se sentiu página em branco como na poesia de Mallarmé- preenchido com palavras pinçadas do infinito numa contigência lírica de doer os olhos e os ouvidos de beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num dia de vazio, uma mulher entrou no rio e tocou uma verdade. Nua, mergulhou em profundezas impressionantes, e naquelas águas encontrou abrigo e margem. Suspirou cansada de tanto nadar. Lembrou de Clarice Lispector ofegante:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;" O que faço dessa felicidade ao meu redor que é eterna e que passará daqui a um instante, porque o corpo só nos ensina a ser morte.."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-9125430945314376001?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/9125430945314376001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=9125430945314376001' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/9125430945314376001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/9125430945314376001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/06/sintaxe-do-vazio.html' title='Sintaxe do vazio...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TCUVCaIOGkI/AAAAAAAACHw/rU1orjG3nvA/s72-c/El+Matador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-8083522425033435701</id><published>2010-05-28T18:08:00.366-03:00</published><updated>2010-06-16T14:04:20.272-03:00</updated><title type='text'>Paisagens...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TBkDX9NVHmI/AAAAAAAACHo/wPiXP0lqh4Q/s1600/sonhos.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 306px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TBkDX9NVHmI/AAAAAAAACHo/wPiXP0lqh4Q/s400/sonhos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483417731402636898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era cedo ainda, quando descobri que o mundo é um grande texto em decifração permanente. Eu devia ter lá meus nove anos,morava em Descoberto e era uma das únicas frequentadoras assíduas da biblioteca municipal. Biblioteca hoje, que tem o nome do meu pai- fato curioso, pois é para lá que eu ia quando queria fugir dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corria para a biblioteca, quando o ambiente sempre trovejante da minha casa me asssutava. Corria para a biblioteca quando fazia muito calor, quando achava Descoberto uma aldeia cheia de nativos perigosos, quando fazia frio, quando me sentia sozinha e sem continente adequado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundei um clube de leitura com minha mãe e criamos uma troca de livros pelo correio. Assim, fui me protegendo do excesso dos meus pais e de uma cidade onde eu era a única Bianca. Assim, fui entendendo que na estrada de terra do sítio da minha avó o céu não era um painel colado por Deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo era imenso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E passei a me comunicar com meninos e meninas de vários lugares pelas cartas e pela ''corrente de livros''. Falava com o mundo através dos livros, imaginava lugares com avenidas enormes e cheias de carro, sonhava com o mar, dava a volta ao mundo, imaginava quem estava recebendo a minha carta e o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mergulhando nos livros, sentia uma força de vida, que me protegia do fantasma de não sair do lugar, da vida passar desapercebidamente. Não, eu não morreria em Descoberto e podia ultrapassar aquele céu colado com " super-bonder aditivada" , como dizia meu pai querendo conter meus surtos criativos e ciganos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muita insistência, convenci meu pai a viajar comigo para a Croácia. Como não encontramos um livro que falasse de uma viagem até a Croácia, pegamos a enciclopédia Barsa e inventamos nossa história. Juntos escrevemos um conto. Os nomes ainda ecoam em mim até hoje. Sem conhecer o mar Adriático fiquei impregnada de seus azuis. Azul cobalto, azul turquesa, azul quase verde, de um mar de sonhos de criança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que viajamos pela Costa Dálmata e passeamos por Koper e umas cavernas escuras. Andamos juntos também por Zadar, cidade que meu pai descrevia como " lugar melancólico e de tom mármore travertino." Lugar que permaneceu em mim como enigma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E,depois de muitas andanças, descobri Clarice Lispector. E nessa viagem ao terreno estrangeiro, desenvolvi um atrevimento também clariceano- '' correr o grande risco de se tornar realidade."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Clarice penetrou em meus olhos, entendi que ser única também tem suas belezas.Era maldição de liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice também era assustada com a vida- com essa coisa sobrenatural que é viver- aquele  viver que as pessoas da minha terra haviam domesticado tanto, para torná-lo familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de Clarice, podia ler qualquer coisa. E naquela casinha de vila da Rua José Andrade, fui longe.Escrevia com medo de me perder, escrevia e lia para me encontrar. Podia agora ter vários lugares para me perder em liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui descobrindo que o sublime só se dá com disposição interna para se dissipar e me coloquei na entrega do ato de escrever. Precisava arrumar um lugar para a minha curiosidade e uma resposta para a minha mania de tomar conta do mundo. Eu havia nascido incumbida também... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na biblioteca úmida, penetrei no Jardim Botânico com Clarice. &lt;br /&gt;Era meu conto do amor com ninféias, palmeiras e plantas tropicais. &lt;br /&gt;Imaginava um lago gigante de ninféias- amarelas, roxas e rosas e eu nadando encantada nesse ''jardim dos sentidos''. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante da aridez e do vazio enorme de uma vida lenta, sem assombro e sem emoção, só me restou fazer como minha musa e olhar no espelho o meu mistério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, entre a vertigem de saber e as coisas por descobrir, peguei com as duas mãos o horror diante de mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao som do mar, cheia de luz noturna,grande angular ao luar fiz minha escrita. Num disparo embriagado de fôlego e vida, fiz uma foto líquida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi a paisagem que emergia brutalmente da minha solidão e descobri que a biblioteca só podia mesmo ter o nome de meu pai...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-8083522425033435701?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/8083522425033435701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=8083522425033435701' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/8083522425033435701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/8083522425033435701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/05/paisagens.html' title='Paisagens...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/TBkDX9NVHmI/AAAAAAAACHo/wPiXP0lqh4Q/s72-c/sonhos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-9008442986096452614</id><published>2010-05-21T16:27:00.168-03:00</published><updated>2010-05-24T20:11:18.485-03:00</updated><title type='text'>Idílio partilhado.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S_sHFOUSuzI/AAAAAAAACHg/ZNaxBALNt-I/s1600/luphia-04.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S_sHFOUSuzI/AAAAAAAACHg/ZNaxBALNt-I/s400/luphia-04.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5474977558322920242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de dormir,li até tarde na sala de ''não-estar.''&lt;br /&gt;Esvaziei-me nas palavras.&lt;br /&gt;Esperei o sono vencer a angústia.&lt;br /&gt;Deitei na cama de ''não- dormir.''&lt;br /&gt;Estava cansada de ''quases'', de ''sonhar futuros'', de ''amanhã-só amanhã''. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não dormi. &lt;br /&gt;Acordei para a realidade mais pura.&lt;br /&gt;Mais uma vez, sonhava com coisas absolutamente fortes e desconcertantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhava, cansada, por estradas conhecidas, quando encontrei com um homem que olhou para dentro do meu olhar. Tomei um susto enorme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos olhos dele, saiam como numa espécie de mágica, pedaços meus: livros, músicas, filmes, objetos da infância perdidos para sempre e todo um mundo de coisas líquidas sem continente adequado transbordou dele para mim.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atônita, fiquei sem saber de quem eram aquelas montanhas aladas, aquele céu estrelado de Minas, aquela bicicleta que passeava pelo sítio. &lt;br /&gt;Não sabia mais de quem eram os pés, que pisavam aquela grama úmida e de verde intenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei perdida em seu olhar e nas maravilhas líricas que saltavam dele. &lt;br /&gt;Tentava recolher o mar de coisas, mas tudo virava água quando eu tocava. Tudo escapava em fluxo sem destino certo. Eu desejei reter para sempre a poesia do momento num pequeno relicário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que saia dos olhos do homem era luminoso e de uma intensidade de vida aturdida e impactada.Na intenção de acolher aquilo que ele me dava, mesmo sem saber, eu tentava recolher as coisas, com medo de cansar seus olhos de olhar minhas profundezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele também estava assustado com aquele monte de objetos animados saindo de dentro de seu globo ocular.Queria sair de perto de mim,mas estávamos amalgamados na fanatasia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, o movimento foi se acalmando. &lt;br /&gt;Seus olhos estavam calmos e serenos. Não entendi onde tinha ido parar o mar inteiro de coisas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei mais perto e vi uma lágrima. O mar estava na lágrima.&lt;br /&gt;Olhei para ele com carinho e ajudei a recolher o ''mini-mar'' que ainda restava no chão. Um pequeno rio, uma poesia de folhas secas, ventos e pedaços de vestidos. Só isso, porque o mar mesmo estava, agora, todo contido naquela lágrima que ele e ela conseguiam chorar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me senti nua na fantasia e no idílio partilhado.&lt;br /&gt;Acordada, chorei de saudades desse oceano divido na delicadeza do segredo- em sonho.&lt;br /&gt;Teria sido um sonho? Aconteceu ou não aconteceu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei abrigo para a minha dúvida em Barthes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; ''Palavras são seres libidinosos. Escreve- se com o próprio desejo, e não se acaba nunca de desejar.O exercício da escrita se prolonga além do ponto final imposto pelo autor.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-9008442986096452614?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/9008442986096452614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=9008442986096452614' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/9008442986096452614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/9008442986096452614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/05/antes-de-dormirli-ate-tarde-na-sala-de.html' title='Idílio partilhado.'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S_sHFOUSuzI/AAAAAAAACHg/ZNaxBALNt-I/s72-c/luphia-04.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-1887301787537236053</id><published>2010-05-07T00:58:00.322-03:00</published><updated>2010-05-08T20:52:35.852-03:00</updated><title type='text'>Paisagem de um poema...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S-X321VL2LI/AAAAAAAACHM/FMX1b7TLmDE/s1600/HB_301109_Samhaskins_03.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 230px; DISPLAY: block; HEIGHT: 306px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5469049843912267954" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S-X321VL2LI/AAAAAAAACHM/FMX1b7TLmDE/s400/HB_301109_Samhaskins_03.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela tomou um avião para o seu destino, mesmo sabendo, que aquele destino rimava com desatino. Na superfície vestida, havia uma paisagem repleta de transparências, que carregava uma nudez absolutamente nova e pronta para ser partilhada. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seu corpo era um lugar onde as coisas -ainda- não podiam ser nomeadas. Era preciso acontecer uma operação delicada no corpo da letra. A mulher não existia. Ela precisava ser inventada, contada, tocada, sentida, despida, desvelada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Costurou um vestido para aquele momento, e sabia que era necessário um corte para se fazer um vestido- segunda pele, superfície que abriga aquilo de mais profundo. O corte era radical- era corte em si, um ato, uma loucura. Era também aquilo que Blanchot dizia bem: '' ... fazemos poesia somente no puro lampejo do corte..."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fazer vestido era como escrever- cortar o infinito com palavras, dar contorno à violência do corpo imanente. Cobrir a paisagem da "carne afetada pela escrita e convidada ao devaneio", como bem já dizia Barthes. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cortar o tecido na trama, para fazer emergir o feminino e a possibilidade de novas linhas era se deparar com aquilo que estava escrito e com a escritura do porvir. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Queria suas asas livres e desejava sentir a força da paisagem que desce sobre o corpo e revela as rememorações fotográficas do desejo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi ao encontro disso...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fechou os olhos e as portas se abriram. Era a descoberta do mundo, amor saltando dos olhos. Uma brisa nos cabelos e um vento na pele fizeram com que ela sentisse a radical alteridade que se fazia presente. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele disse o essencial e o vestido saiu voando pelas mãos delicadas e precisas daquele que partilhava com ela o maior dos segredos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sem vestido e descoberta, vivia no corpo uma nudez inédita e libertadora. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era uma cena bonita, quase um poema. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele só precisava de um céu cheio de estrelas e das palavras encantadas do poeta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;Para ouvir junto:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;Deshabillez-moi de Julliete Greco (uma mulher sensacional, linda e amante de Miles Davis)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-1887301787537236053?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/1887301787537236053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=1887301787537236053' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1887301787537236053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1887301787537236053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/05/paisagem-de-um-poema.html' title='Paisagem de um poema...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S-X321VL2LI/AAAAAAAACHM/FMX1b7TLmDE/s72-c/HB_301109_Samhaskins_03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-3540547110532494170</id><published>2010-04-22T23:54:00.368-03:00</published><updated>2010-04-23T01:38:24.103-03:00</updated><title type='text'>Teatro</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S9Ej4denSiI/AAAAAAAACHE/o9wpIqIlsDk/s1600/poster-argentina.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5463187275869800994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 261px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S9Ej4denSiI/AAAAAAAACHE/o9wpIqIlsDk/s400/poster-argentina.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; (Para a querida Augustinha, minha primeira professora de teatro e para a amiga Érica também barroca e que do barro já fez coisas lindas. Para a filha dela que agora chega ao mundo!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acordar já era um exercício de abandono- exercício pungente e essencial que evitava que eu dormisse para sempre do excesso de sonho. Praticava esse desapego toda manhã, porque era tão bom sonhar e andar pelas relvas úmidas daquelas montanhas.Mas se , eu não acordasse, morreria tranquilamente na inanição da solidão, catapultada ao abismo mais profundo de mim, devorada por minha penúria metafísica.Meus sonhos eram o teatro trágico do ser ou não-ser. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Noite passada, sonhei com minha amiga de infância, de terrenos descobertos. Ela brincava comigo no meio do barro, como provavelmente já aconteceu inúmeras vezes. Sorria com aquele jeito cheio de caras e bocas; e ainda exercia enorme poder sobre minha figura assustada e esquálida. Juntas, nos jogamos num barro marrom e viscoso. Juntas, construímos redes, bonecas de barro, árvores, passáros selvagens. Era precioso e delicioso, tatear no escuro a instauração de significantes, por trás do quais não havia nada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ainda chovia o resto de água do dia, quando ela olhou bem para mim e disse: "Estamos no barroco, menina! "&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Antes de despertar, fechei os olhos mais uma vez, e vi nitidamente o quadro " Las Meninas""de Velásquez. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Apavorada, acordei com dificuldade, abri os olhos querendo permanecer no sonho, mas ela já havia dito o essencial- eu era barroca demais! . &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Se o barroco é a confusão entre o real e a ficção, entre o sono e a vigília, eu estava mesmo no barroco- eu era a própria teoria do teatro da existência, sob o signo do jogo de espelhos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Devia ter percebido com Shakespeare e Calderón, que a vida entra tanto no teatro quanto no espelho. Devia ter me lembrado de Lacan dizendo que essa tragédia do desejo exprime o plano do desejo. O desejo tem seu teatro e se há uma alegoria no sonho é a do desejo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Numa perspectiva tão desvairada como a de Hamlet em suas crises com o desejo, eu acabava de perceber a distorção como minha verdade mais radical- anamorfose barroca. Eu e minha amiga, naquele ''barro/oco'' e sem sentido- imagem recomposta pelo "esforço do inconsciente", que revelava uma verdade outra que a inelutável modalidade do visível. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acordei com um novo lugar para desvendar-era o lugar do desejo, eu supunha. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Elipse barroca, verdade da alucinação, inversão dos mundos, avesso, as coisas por debaixo das coisas, o olhar em viés.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A vida seria um sonho de um sonho? Talvez, se eu posicionasse um espelho de frente para o outro, como no quadro de Velásquez, eu descobrisse o segredo do segredo de ser menina/mulher, o miolo da flor?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Talvez ser mulher fosse qualquer coisa de saber que não há saída, além desse "desejar sem substância". A verdade devia estar dentro do jogo da linguagem e da representação- no abismo entre os espelhos e só se oferecendo na camuflagem da anamorfose. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Num lampejo, pensei em ligar para um amigo que estuda o barro e o mito. Depois, para uma amiga que estuda a dobra no barroco. Passei o dia todo nesse enredo e nesse teatro do sonho, que se tornou um entrelaçamento do barroco, da tragédia e do destino filosófico num fio de arame farpado cortante e infinito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De repente, recordei de cenas tão vivas de minha infância em Descoberto e de uma imersão tão desejosa no teatro. Como eu era feliz com aqueles amigos do teatro e como eu acreditava naquilo! Numa cidade tão pequena, uma mulher tão cheia de vida e de desejo chegou para nos ensinar, aquilo que mais tarde eu pude elaborar em análise- só dispomos do teatro, porque só podemos viver nossos laços dentro do teatro imanente do mundo em que a transcedência inverte-se como abismo transposto, "manto/vestido/veste", que recobre essa transparência de existir. Senti saudades da Augustinha, do grupo de teatro, dos amigos queridos que eu deixei lá em Minas, mas que estão comigo no meu caminhar torto e acelerado. O teatro estava em mim, as montanhas também. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não queria mais entender o sonho, minha urgência era só escrevê-lo nas pálpebras das palavras que escondem e revelam todos os abismos entre o fenômeno e a coisa em si. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O sentido residia na possibilidade de acordar e construir uma narrativa barroca. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dito e feito...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-3540547110532494170?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/3540547110532494170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=3540547110532494170' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/3540547110532494170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/3540547110532494170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/04/teatro.html' title='Teatro'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S9Ej4denSiI/AAAAAAAACHE/o9wpIqIlsDk/s72-c/poster-argentina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-6524231447951289035</id><published>2010-04-13T15:53:00.261-03:00</published><updated>2010-04-14T18:37:22.423-03:00</updated><title type='text'>Sonho cigano</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S8Y1RvZ7i0I/AAAAAAAACG8/ljocKtGYCSk/s1600/andorinha.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5460110177132579650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 265px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S8Y1RvZ7i0I/AAAAAAAACG8/ljocKtGYCSk/s400/andorinha.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;(Des) mundo era o nome do lugar. E qualquer semelhança não era mera coincidência.&lt;br /&gt;Podia sentir o tempo impreciso para onde o sonho me conduzia . ''Tsara cigana''- sufocando , desmanchando verdades, construindo devires.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhei horas, por estradas de terra, atrás daqueles nômades. A tsara deles era o tempo. Ciganas de saias coloridas e flores no cabelo cantavam uma música estranha aos meus ouvidos. Ciganos com dentes brilhantes e bocas grandes riam para mim. Tudo absolutamente confuso e sedutor. Queria entender a língua delirante e plural - viver a experiência em terrenos ''linguageiros''.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde pequena, senti um misto de torpor, medo e encantamento pelas inúmeras famílias de ciganos que se instalavam perto do sítio de minha avó. A curiosidade era tanta que minha mãe logo farejou o perigo:&lt;br /&gt;-''Bianca, você não pode falar com ciganos. Eles seduzem você, contam histórias bonitas e levam você embora com eles pelo mundo.''&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez, somente uma vez, decidi infrigir a regra de não falar com aqueles ''seres estranhos que roubavam coisas''. Eu brincava na rua e percebi um momento de respiro- meus pais se ausentaram, pensei. Corri para a saia rodada da cigana sorridente e perguntei: '' Se eu virar cigana posso usar saias coloridas e falar coisas que ninguém entende? ''&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela olhou para minhas roupas velhas e escuras e parecia ter contato com meu segredo. Antes que eu pudesse correr, ela chamou um cigano e falou algo indecifrável. Corri o mais rápido que pude, mas não sei como, eles me levaram com eles e permaneceram em mim como enigma. Vidas que se tangenciaram e depois partiram...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em (des) coberto, eles retornaram no meu sonho. Dessa vez, parecem ter desembrulhado todas as coisas mais recônditas. A vida daqueles ,''que andavam sem destino previsível'', sempre foi muito mais interessante que a vida que acontecia na praça e na igreja da minha cidade. Mas, no (in) verso do que eu sentia, me pendurava na familiaridade como defesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sonho, eu caminhava vagarosamente com pesos amarrados ao corpo -palavras de minha mãe, advertências do meu pai, uma estudantina amarela que eu nem me lembrava que ainda existia e as notas de um piano despedaçado por um primo, com o qual nunca me conciliei. Carregava nesse ''corpo-andarilho'', uma música que dedilhava saudades e sonhos perdidos. Caminhava com tanta coisa! Devia ser para não despencar em queda alada para dentro do céu e das montanhas de Minas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Meus pés já estavam machucados de tanto andar e eu não aguentava mais carregar tanta história, quando alguém me libertou. Não era um cigano, não se sabia cigano, mas devia ser. Desamarrou minhas asas e me fez voar. Fez companhia no restante do trajeto e mergulhou comigo nessa trama articulada de desejo, dor e delícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para o segredo dele e ele para o meu- com segredos partilhados alimentamos um amor.Dividimos os detalhes e as sutilezas daquele segredo que os outros nunca iriam entender e que nem a gente sabia como explicar- segredo preservado num tempo que nunca mais volta e que só duas pessoas cúmplices de um grande amor poderiam decifar. Ele me olhou fundo e descortinou um pedaço de mim que andava soterrado. Não valeria mais a pena viver sem delicadeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desabrochei naquele exato momento. Me tornei então, a parede do quarto, o quadro que ele pintou, todos os embaraços e nós desatados. Eu estava tranquila, feliz, de coração leve e sem aquele desatino de sempre. As palavras eram ditas sem medo, sem cálculo e sem o temor de naufragarem. Ele me escutava- eu me sentia ouvida na minha atopia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Havia uma nobreza em seus gestos e uma generosidade em a acolher a minha ficção como se fosse a dele também. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Juntos, caminhamos até o fim do sonho. A vida se tornou experiência sentida e dançada. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De repente, estávamos deitados na mesma cama, ouvindo as mesmas músicas e atravessando noites em claro com livros de poesia. Nossas andanças agora eram no caminho tênue onde só cabem dois corpos e as palavras nuas no olhar.... &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para ver:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=rMwR2a84zzw"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=rMwR2a84zzw&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-6524231447951289035?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/6524231447951289035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=6524231447951289035' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/6524231447951289035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/6524231447951289035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/04/um-outro-sonho.html' title='Sonho cigano'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S8Y1RvZ7i0I/AAAAAAAACG8/ljocKtGYCSk/s72-c/andorinha.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-1954211625960880175</id><published>2010-04-11T00:31:00.649-03:00</published><updated>2010-04-12T15:53:39.595-03:00</updated><title type='text'>O sonho</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S8NsJxcLzmI/AAAAAAAACG0/ghTYm3S-mrs/s1600/Imagem8.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5459326088449347170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S8NsJxcLzmI/AAAAAAAACG0/ghTYm3S-mrs/s400/Imagem8.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estava lá, cravada no meio do sonho a cidade com um monte de palavras pedindo para serem descobertas e libertadas - atrás dos morros, no canto dos passarinhos que ele recolhia com a mão enquanto dormia, no pomar do sítio da minha infância, nas flores do jardim. Tudo que eu ansiava por saber o nome, agora tinha. Era uma espécie de "Cidade das Palavras" , onde como no livro de Manguel a palavra era a principal ferramenta para entender o mundo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No meu sonho, as coisas eram nomeadas de forma encantada. Bastava fechar os olhos e uma palavra brilhante surgia na minha mão. Podia também, catar com as duas mãos as letrinhas que um moço distraído deixou cair no chão do meu sonho.Eu ia recolhendo uma por uma, com o coração num arfar desesperado de querer dar sentido ao inexplicável. Queria formar uma palavra inteira com aquelas letras desordenadas me acenando, mas não conseguia. Logo, o moço das palavras caídas do céu , me perguntou: "Bianca, este é o seu nome? ". E eu, atônita, tropeçava distraída numa contradição: a de tentar uma aproximação daquilo que sempre me escapa. Escrevia para ele meu nome, mas fazia era poesia- " escrever nem uma coisa/nem outra/a fim de dizer todas/ou pelo menos, nenhumas/ Assim, ao poeta faz bem "des-explicar"/ tanto quanto escurecer/ acende vaga-lumes."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Meu nome estava escrito nas estrelas do céu -dentro do nome dele. Nadava tranquilamente no rio de seu passe poético- eu via cada letra de meu nome mergulhando dentro de suas águas cristalinas em sintonia fina. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Meu nome também habitava o jardim da minha avó- meu delírio encantatório.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na infância, eu olhava espantada para aquelas flores de todas as cores e tamanhos e queria entender o sentido de hortênsia se chamar justamente hortênsia e não margarida. Pois não é que, no meu sonho todas as flores tinham nome próprio ? Peônias, Zínias, Margaridas, Dálias, Alpínias, Dracenas e Filodendros Negros. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escrevi filodendro negro, e logo a flor virou um continente negro em um espaço pictórico sem ponto de fuga. Não havia moldura, somente um mar inteiro me invadindo pelas bordas que eu imaginariamente construia- continente, mar e um transbordamento de palavras novas, selvagens habitando o meu "corpo-cidade- das-palavras". "Corpo-flor", que na incidência entre imagem e escritura, se abria para acolher as diagonais de força que sustentavam a poesia do moço de "olhos sempre puros", que colecionava palavras em ebulição. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como num momento metonímico de Demócrito, que dissecava os animais para entender a melancolia humana, eu abria todas as flores, rios, nuvens, mares e estrelas para me entender por dentro. Era um sonho bonito, mas não era confortável. Era desconcertante, como tudo que dói de beleza e maravilha. Carregava uma dor latente e insistente. Eu consentia em deixar cair sobre mim a intensidade desse Outro. Havia um vazio e eu abria meu corpo em flor diante da alteridade assustadora instaurando assim um ato, que sustentava um enigma em paridade com o de Demócrito- "Humanos são animais que se esquecem disso, porque falam"-disse o filósofo passeando pelo meu idílio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No corpo de Demócrito a evisceração era rememoração pulsional. Ele ria como dispositivo de inversão. Rir era a única saída após se saber natureza e também fora dela. Rir era a última defesa frente à imersão nesse universo assombrado da letra. Ele , ao dissecar o corpo, instaurava em mim, uma espécie de pranto. Mas, quando ria, com a maior boca do mundo, dentro da minha noite, fazia-se potência reversora da melancolia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Demócrito me ajudou a suportar aquela morte, aquele corpo em carne-viva- abcesso aberto ao real da existência e os passos lentos e arrastados daquele momento. Eu estava doente do excesso de pensar e só as palavras poderiam ter efeito libertador. Andava com o pensamento vivendo na bruma da morte, no escuro do mundo, quando encontrei as palavras caídas no chão. O ato de recolher as palavras de alguém que chegou de forma enigmática me retirava de um silêncio profundo. Surgiu assim uma linda tessitura poética: ele ofertou seu corpo erótico, para que eu me aventurasse amorosamente, e também um corpo virgem e cheio de mistérios a serem descobertos. Foi então que Manoel de Barros invadiu o meu idílio para dizer suavemente:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;-Por que deixam um menino que é do mato amar o mar com tanta violência?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acordei perplexa e ainda impactada pela presença- ausência que o sonho evocava-&lt;br /&gt;melancolia, double blind, tese e antítese num jogo barroco, anamorfose descoberta ao despertar pelo mistério das formas no mundo, atopia, pensamento abandonando o mundo à inação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Olhei pelo janela como nos quadros de Vermeer, como num gesto de captura do que está fora, à deriva. Descobri que valia pouco carregar o objeto perdido- intenção da linguagem. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Saí para o mundo com a linguagem em ato- pura perda, gramática expositiva do chão, poesia quase toda: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não tem margens a palavra, Bianca! O menino de territórios híbridos, de Demócrito e Manoel de Barros, repetia insistentemente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Agora eu podia acordar...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Para ouvir: Gerânio- Mariza Monte&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Para ver: um dos filmes mais bonitos que já assisti- Hanami, cerejeiras em flor. Hanami em japonês é olhar para as flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-1954211625960880175?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/1954211625960880175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=1954211625960880175' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1954211625960880175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1954211625960880175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/04/o-sonho.html' title='O sonho'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S8NsJxcLzmI/AAAAAAAACG0/ghTYm3S-mrs/s72-c/Imagem8.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-3521188542711666741</id><published>2010-03-31T02:09:00.045-03:00</published><updated>2010-03-31T02:38:26.376-03:00</updated><title type='text'>Das inconstâncias...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S7LfoDa7TaI/AAAAAAAACGs/3CpLSut-a_U/s1600/DSC00125.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454667977905098146" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S7LfoDa7TaI/AAAAAAAACGs/3CpLSut-a_U/s400/DSC00125.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Olhei bem para o abismo noite adentro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O céu azul me cegava qualquer possibilidade de ver além. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Parei naquele azul e amarrada ao meu sentir, percebi que não havia estrelas e nem cometas- só um imenso hiato. Paralisada fiquei...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ouvia "amor/daçada" o vazio- nada além dos gritos súbitos de socorro, das vozes desesperadas ao vento e das dúvidas cheias de reticências. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Procurei bem pelos vestígios daquilo que existiu um dia, evitando olhar para a queda vertiginosa que desabava diante dos meus olhos. Um enorme buraco!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O silêncio dele fazia consistir meus equívocos. "Parceria"- aliás eu nem sabia mais o quê um par- seria? O meu enigma era o Outro e o meu negócio era a alma, essa imaginação da matéria absurda e lírica, que não se deixa aprisionar nunca. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Talvez meu problema fosse acreditar nessa coisa de alma desde pequena e crescer insistindo nisso:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;-Alice no País dos Espelhos é só uma história, filha!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;-Sei mãe, mas eu também por um acaso, não sou lá uma história?! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Minha saudade do que não aconteceu deve vir dessa coisa eruptiva, passional, violenta e anárquica que é desejar sem objeto. O Outro é uma miragem...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Meu assombro com a vida deve ser por perceber esse vazio sem nome no meu entorno.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A alma, para quem a percebe é mesmo bonita e assombrosa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Olhar no espelho espanta- e muito! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-3521188542711666741?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/3521188542711666741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=3521188542711666741' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/3521188542711666741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/3521188542711666741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/03/das-inconstancias.html' title='Das inconstâncias...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S7LfoDa7TaI/AAAAAAAACGs/3CpLSut-a_U/s72-c/DSC00125.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-104472997349153162</id><published>2010-03-20T17:40:00.017-03:00</published><updated>2010-03-20T19:54:13.724-03:00</updated><title type='text'>Aniversário...</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5450834566472980370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S6VBKJAK15I/AAAAAAAACGk/ZdqawynZ7IA/s400/CIMG2217.JPG" border="0" /&gt;                                                (Outono em Paris)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu nasci junto com o outono.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nele eu morro para renascer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Folha caída, corpo transbordando de silêncios. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Todos os ruídos do meu coração em desatino.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esperando a palavra libertadora&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje se faz urgente bem- dizer o inverno que chegará...&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-104472997349153162?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/104472997349153162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=104472997349153162' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/104472997349153162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/104472997349153162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/03/aniversario.html' title='Aniversário...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S6VBKJAK15I/AAAAAAAACGk/ZdqawynZ7IA/s72-c/CIMG2217.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-4831323030659314256</id><published>2010-03-01T23:32:00.083-03:00</published><updated>2010-03-03T00:27:39.188-03:00</updated><title type='text'>Fragmentos do fim- (ou do início)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S4yFSEujt0I/AAAAAAAACGM/N6zOG9v7Dq0/s1600-h/uj.bmp"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 268px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5443872595137247042" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S4yFSEujt0I/AAAAAAAACGM/N6zOG9v7Dq0/s400/uj.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Primeiro ato:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela tateia no escuro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele conversa com alguém. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela invade a conversa e atrevidamente pede licença. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Deixa o número. Ele surpreendentemente liga.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela atende: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quem é? De onde fala? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela tenta desligar, mas ele solta a música.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Já era. Pedaços de sons fazendo sinfonia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Palavras arremessadas ao vento. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cacofonia. Polifonia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tem alguém aí? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quem é? Quantos são? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ah, um só?!!! Que susto!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agora ela liga. Ele retorna. Com desconfiança. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais uma vez e muitas outras - toda aposta se faz às cegas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela entorna. Derrama toda aquela sensibilidade feminina nele. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fala platitudes e escancara o fantasma. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Transborda todo o mar que guardou só para ele. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Trim- trim- trim....&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para aceitar continue na linha após a identificação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tudo tem um preço quando se escolhe-disse sim, disse não. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Andou por uma cidade desconhecida o dia inteiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fez amor de hotel no meio da tarde depois do cinema.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ficou confuso. Hesitou. Amou mais do que podia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela usou tomara-que-caia. Caiu. Chorou. Levantou. Girou. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tinha aquela inquietação desastrada e aquele alvoroço no peito desde muito menina. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele gostou do doce tumulto que ela causou em seu desejo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma vida inteira passou. Muito amor. Alguma dor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alguns filhos. Alguns livros. Filme noir.Billie no tapete, Ella no coração.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Silêncio partilhado. Palavra negada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Encontro de solidões. Carinho no fim do dia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mar. Rio. Cabelos ao vento. Ilhas e continentes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Medo. Mãos companheiras sempre estendidas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vida na sua fragilidade errante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Morte onde menos se espera.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fazia sentido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Segundo ato:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Grito que silencia. Mão do tempo. Capítulos de uma novela solitária.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele resignado. Ela dilacerada. Impermanência. Imprevisíveis alongamentos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela jardim adentro- sozinha e amedrontada.Ele calado. Os filhos abandonariam a casa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os livros sairiam correndo pela escada. Ela era péssima em matemática e análises combinatórias. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele ponderava.Ela pensativa: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Se esse mundo fosse só meu, tudo nele seria diferente".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Terceiro ato:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O mundo não era só dela. Nunca seria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alice sonhava com o dia em que deveria cair num sono profundo e acordar em Paris. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sozinha, livre. Sem nenhuma dor e culpa pelo que foi. Quase isso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pont Neuf. Domingo.Pompidou. Banco na Place des Vosges. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Jardim de Luxemburgo para chorar o fim.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela: Tudo é enigma para quem amou um dia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele: Acorda, Alice!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fim:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda a ser escrito nas linhas do moleskine de Alice. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Obs: As palavras saltaram de mim, depois de ler Carpinejar:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://carpinejar.blogspot.com/"&gt;http://carpinejar.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O texto "Excesso de Dom" foi a coisa mais bonita e dolorida que li nos últimos tempos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-4831323030659314256?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/4831323030659314256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=4831323030659314256' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4831323030659314256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4831323030659314256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/03/fragmentos-do-fim-ou-do-inicio.html' title='Fragmentos do fim- (ou do início)'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S4yFSEujt0I/AAAAAAAACGM/N6zOG9v7Dq0/s72-c/uj.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-1181810005418682127</id><published>2010-02-20T20:04:00.084-02:00</published><updated>2010-02-20T21:07:21.216-02:00</updated><title type='text'>Eles.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S4BrGPRL6PI/AAAAAAAACGE/G7OJuhiNuow/s1600-h/m2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5440466104785561842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 264px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S4BrGPRL6PI/AAAAAAAACGE/G7OJuhiNuow/s400/m2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na penumbra da tarde ele só sabia inventar Morel- mais ninguém. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O silêncio percorrendo a sala, os quartos, os quadros da parede.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele sentado na varanda. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Resignado na sua morna solidão e com o livro à sua frente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Talvez, ele encontrasse alguma coisa em Adolfo Bioy Casares.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;( Era um escritor interessante e que "se fazia'', através de Borges.) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tudo bem, de repente, ele se angustiava enquanto lia "aquela invenção de um fugitivo escondido numa ilha". Vai ver que era uma maneira mesmo de se achar e de se perder.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para ela, a angústia era difusa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tudo pedia sentido. Tudo pedia passagem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era a própria síntese de um &lt;em&gt;leitmotiv&lt;/em&gt; clariceano:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;'' Escrever é tantas vezes lembrar- se do que nunca existiu. "&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Essa ''consciência estética", só fazia com que ela acreditasse, mais ainda, na soberania da palavra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Correu para o Sagarana, ali na estante e constatou mais uma vez- aliviada- que Guimarães Rosa também fazia uma enorme ruptura com a forma de representar a realidade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele olhou para a janela. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela sorriu. Um movimento de cumplicidade mínimo se desenhava na curva do vazio. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um novo horizonte se abriu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;" O que é uma janela senão o ar emoldurado por esquadrias? "- disse "quase feliz", a menina que amava Clarice e o "nonsense". Amava também aquele homem sério, que a fazia mais fragmentária e descontínua. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Talvez logo adiante, não sobrasse nehum amor, mas ela- que era uma heroína de olhos fixos nos mais tênues movimentos da vida- teimava em acreditar na contradição e no antagonismo daquele universo impenetrável que eles haviam inventado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não sabia "bem- dizer" , mas havia um "realismo mágico" , ali naquele crepúsculo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-1181810005418682127?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/1181810005418682127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=1181810005418682127' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1181810005418682127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1181810005418682127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/02/eles.html' title='Eles.'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S4BrGPRL6PI/AAAAAAAACGE/G7OJuhiNuow/s72-c/m2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-7263136157683795029</id><published>2010-02-19T20:43:00.135-02:00</published><updated>2010-02-19T22:25:46.207-02:00</updated><title type='text'>Do futuro...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S38iNU9-Y5I/AAAAAAAACF8/06PI33wX-iE/s1600-h/zil+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5440104487249142674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S38iNU9-Y5I/AAAAAAAACF8/06PI33wX-iE/s400/zil+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt; ( &lt;em&gt;foto da minha querida amiga Ju Padilha com sua delicadeza de eternizar uma tarde especial&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Do passado, ficaram os vestígios todos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Do presente, haviam indícios, marcas enigmáticas e vivas dos restos do passado e da esperança no futuro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E do futuro, haviam as revelações feitas no instante, mas que se lançavam num corpo textual novo e assombroso se formava diante de seus olhos; com vários fragmentos e muitos epigramas e aforismos infiltrados em sua bordas, num espanto constante de narrar uma realidade- sempre impossível e inatingível pela palavra. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Convulsiva e reiteradamente, ela se deixava conduzir pelo desconhecido que desestabilizava o seu corpo, suas palavras e a ordem de tudo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Seguia numa tentativa errante de escrever aquilo que alude ao inexprimível, à zona obscura do que a palavra não pode expressar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Encontro com o real, diáspora pessoal, espécie de solidão de não pertencer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A palavra era hoje a única maneira de não se manter apartada do mundo, fazendo estabelecer- de forma tateante e fragmentária- o mínimo contato com o comum da existência. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De um modo mais alusivo que afirmativo, o "por-vir" começava a se desenhar numa sintaxe única e particular. Era um punhado de palavras por dizer e o assustador contato com a tessitura do viver.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era o cuidado para não esmagar com tantas palavras, a sutileza das entrelinhas, como disse Clarice na Legião Estrangeira. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estava lá em Beckett nos "Dias Felizes", na personagem que fala para se convencer que está viva, e também para tentar lidar com os fantasmas da existência, que sempre chegavam montados no silêncio mortificador.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O futuro estava lá, saindo da bolsa que ela carregava. Para não morrer de angústia ou de nada, para não se apagar nas marcas do excesso e da falta, ela improvisava absurdos e platitudes criando a partir dos objetos que sacava da bolsa- lenço, escova de dente, batom- eram "o mínimo" que a impedia de sucumbir de vez. Há uma sabedoria beckettiana de dizer: " Terá sido mais um dia feliz."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O futuro estava logo ali. Ele existia. Não havia meios de evitá-lo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O futuro estava ali adiante mesmo, dentro do vestido novo, do olhar que muda o ritmo da vida, da palavra que salva. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O futuro se guarda do presente não numa palavra, mas está escondido na cor de cada uma delas.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Depois daquela descoberta, ela foi atravessada por uma verdade: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O mundo era uma coisa tão vasta, que nenhuma síntese daria conta de tanto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O futuro chegaria....&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-7263136157683795029?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/7263136157683795029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=7263136157683795029' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/7263136157683795029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/7263136157683795029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/02/do-futuro.html' title='Do futuro...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S38iNU9-Y5I/AAAAAAAACF8/06PI33wX-iE/s72-c/zil+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-3887093512997523686</id><published>2010-02-16T03:02:00.278-02:00</published><updated>2010-02-17T06:27:48.273-02:00</updated><title type='text'>Preâmbulo daquilo que serpenteia líquido no olhar...</title><content type='html'>Pensei em escrever uma carta para me exilar e me encontrar.&lt;br /&gt;Seria uma carta de uma desconhecida, como no livro de Stefan Zweig; e eu escreveria com aquilo que não sei, com a minha parte maior e melhor- para não esquecer nunca das epifanias clariceanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escreveria a carta no silêncio da noite, para me lembrar do livro que Nicholas Ray fez virar filme. Seria uma noite gélida, mas com as neves de Kilimanjaro me fazendo companhia. Eu dançaria com Dostoievski, assim como fez Visconti. Havia mesmo um rosto na noite, nas noites brancas e intermináveis.Estava num estado inerte e quase não via mais o rio da minha existência, porém um despertar assustado me acordou da letargia do olhar e tive a sensação de que as palavras podiam me conduzir para uma espécie de iluminação profana- onde a verdade se revelaria diante de meus olhos, no fio único de água dos meus instantes secos e indecisos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora, eu via um rosto, uma paisagem, um índice, alguma coisa suave e branda chegando.&lt;br /&gt;O rosto carregava um rio, uma vontade obstinada de mudar sua curva e muitos afluentes. Era um "rosto- mar"- que me resgatou daquelas horas duras e fez um transbordamento acontecer dentro das minhas retinas. Chorei de susto, muita água doce e salgada- era a fantasia inesperada para que o carnaval não morresse sem sabor e sem som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi que as minhas palavras sozinhas não escreveriam uma carta e corri para o livro que me salvaria da aridez de não enxergar o essencial:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;A água é também um tipo de destino, não mais apenas o vão destino das imagens fugazes, o vão destino de um sonho que não se acaba, mas um destino essencial que metamorfoseia incessantemente a substância do ser. O mobilismo heraclitiano é uma filosofia concreta, uma filosofia total. Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio , porque, já em sua profundidade, o ser humano tem o destino da água que corre. A água é realmente o elemento transitório- é a metamorfose ontológica essencial entre o fogo e a terra. O ser votado à água é um ser em vertigem. Morre a cada minuto, alguma coisa de sua substância desmorona constantemente&lt;/em&gt;."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;( Gaston Bachelard- A água e os sonhos) &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Na travessia da escrita que se fazia carta, encontrei a sutileza feminina de minha mãe, que sempre carregou a marca vertiginosa, de quem vê além da imagem. Lá de onde ela não via tudo, eu ia me construindo. Nos buracos de seu olhar, eu fui me fazendo. Azul, azul a minha dor gravitando ao redor de um furo. Inacessível azul de Mallarmé, nu azul de Matisse, azul das hortênsias do jardim encantado do sítio dos meus avós. &lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quando eu completei vinte anos, percebi, atônita, que ela tinha um problema sério de visão. Nunca entendi bem como alguém que não via o colorido das flores, era capaz de sentir a maciez e a delicadeza de suas pétalas e o seu perfume suave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa relação ambivalente- distante e próxima da realidade, minha mãe me transmitia uma falta- o imponderável que habita o olhar. E tentando escrever uma carta, foi justamente uma carta dela que me abriu os olhos. Uma "carta- depoimento" para a filha que descobre- assustada e muito- que há algo "mais- além", sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Não posso distinguir o amarelo do sol e o prateado da lua, mas sei que ambos refletem no seu brilho o enigma da vida.&lt;br /&gt;Não visualizo o verde dos prados e das campinas, no entanto, olhando para eles tenho possibilidade de sentir uma imensa paz interior.&lt;br /&gt;Jamais percebo a plumagem coloridas dos pássaros, entretanto sempre me é possível admirar sua liberdade no espaço infinito e deliciar-me com seu canto, sonorizando de maneira agradável, minha existência sem cor.&lt;br /&gt;Sou incapaz de perceber o azul do mar, mas posso sentir na imensidão das águas o poder infinito de Deus e o seu grande amor, fazendo-me experimentar a sensação de ser alguém muito especial.&lt;br /&gt;Apesar de não perceber os diversos tons de uma pintura, consigo apreciar sua beleza e pensar que devo agradecer ao artista que usando os seus dons com amor, retratou em sua obra a magnitude do Criador, pintando a natureza com todo o fulgor dos seus matizes e cores.&lt;br /&gt;Não distingo o rubor, nem a palidez no rosto de meu irmão, mas sentir que ele sofre quando sou egoísta, mesquinho, indiferente, preconceituoso; ou fica alegre quando minha presença se torna benfazeja, amiga, acolhedora.&lt;br /&gt;Enfim o mundo passa diante de mim como as cenas de TV em preto e branco. Às vezes, fico pensando como ele deve ser mais belo e festivo com todas as cores que meus olhos não podem ver. Ainda assim me resta o consolo de saber que posso ver além do que meus olhos possam mostrar, isso porque os olhos da alma são a verdadeira luz."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Nesses dias de lusco- fusco do desejo, "cinza- tédio" invadindo tudo, minha mãe, mesmo sem saber, contribui para que a minha vida seja colorida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daquilo que serpenteia líquido em meu olhar, sempre consegui extrair coragem e ousadia para construir ao meu redor um mundo novo, colorido, festivo, repleto de luzes indicadoras da vida em abundância. Tomara que mesmo aos tropeços, isso sempre aconteça. Tomara!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da vida escrita e no impasse de escrever, encontrei, finalmente uma força feminina que ancora meus significantes- Marguerite Duras em Escrever:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;" &lt;em&gt;Não se pode escrever sem a força do corpo. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É preciso ser mais forte do que si mesmo para abordar a escrita. "&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;" Escrever é se deparar com o dia primeiro, com o selvagem. Porta aberta para o abandono, morte da ilusão e travessia de si. Exercício sempre inconcebível e perigoso. "&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Exílio e encontro. Quando? Quando?&lt;br /&gt;Folha ao vento, rosto- mar, despertar.&lt;br /&gt;Olhos puros, suaves, poesia descoberta.&lt;br /&gt;Banho de rio, cheiro de chuva, terra molhada.&lt;br /&gt;Mato, fábulas, assombrações.&lt;br /&gt;Delicadeza, angústia.&lt;br /&gt;Também há outras partes de mim no prelo....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impossível não insistir no Bachelard:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;" Mas a terra natal é menos uma extensão que uma matéria; é um granito ou uma terra, um vento ou uma seca, uma água ou uma luz.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É nela que materializamos os nossos devaneios; é por ela que nosso sonho adquire sua exata substância; é a ela que pedimos nossa cor fundamental.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sonhando perto do rio, consagrei minha imaginação à água, à água verde e clara, à água que enverdece os prados.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não posso sentar perto de um riacho sem cair num devaneio profundo, sem rever minha ventura...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não é preciso que seja o riacho de nossa casa, a água de nossa casa.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A água anônima sabe todos os segredos. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A mesma lembrança sai de todas as fontes. "&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-b2584195a9d34b1e" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v21.nonxt5.googlevideo.com/videoplayback?id%3Db2584195a9d34b1e%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1329891640%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D26E7C1821A16F6779A5584251F804A7ABD615790.563E78F6A66D61A273A25CF5AC8E6190E73B604C%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Db2584195a9d34b1e%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DPftM80kylMX20V6gonee-MOx9Jo&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v21.nonxt5.googlevideo.com/videoplayback?id%3Db2584195a9d34b1e%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1329891640%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D26E7C1821A16F6779A5584251F804A7ABD615790.563E78F6A66D61A273A25CF5AC8E6190E73B604C%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Db2584195a9d34b1e%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DPftM80kylMX20V6gonee-MOx9Jo&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-3887093512997523686?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/3887093512997523686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=3887093512997523686' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/3887093512997523686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/3887093512997523686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/02/preambulo-daquilo-que-serpenteia.html' title='Preâmbulo daquilo que serpenteia líquido no olhar...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-8414344535865383852</id><published>2010-02-02T21:51:00.278-02:00</published><updated>2010-02-03T00:52:27.331-02:00</updated><title type='text'>Para um amigo querido...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S2jk34cDwuI/AAAAAAAACF0/q2oF0ITTb3w/s1600-h/sopro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433844599116514018" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S2jk34cDwuI/AAAAAAAACF0/q2oF0ITTb3w/s400/sopro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Imediatamente, a minha vida passou diante de meus olhos- um arrepio de morte e de medo. Um desassossego grande e os sentimentos pulsando difusos, confusos dentro do meu peito. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;SAUDADE: PRESENÇA DE UMA AUSÊNCIA. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Respirei e tentei me acalmar:- eu morri tantas vezes, que já deveria estar acostumada. Não, não, a gente não se acostuma com esse vazio. Ele só fica cá dentro, inquieto, mas quando a poesia de um momento inunda a vida inteira não há como fugir- dizia o poeta que sabia das coisas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E de repente, a gente percebe que a vida também é cansaço que anseia pelo sono. Saber viver é também saber morrer. Mas não, eu ainda não sei- e o vazio insiste mais uma vez, sem que eu ainda possa elaborar o mistério que é acordar viva todo dia; esse absurdo de abrir os olhos e mais um dia aqui. E de repente, já é mais tarde do que a gente imagina e mesmo estando sobre o abismo é necessário pegar a vida com as mãos e tomar novos rumos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;DESEJAR A VIDA...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A gente naturaliza a vida por uma questão de necessidade, mas o pai de um amigo querido estava doente e tudo deve ter sido diferente para ele. A proximidade da morte provavelmente iluminava os objetos de seu dia- até o banal devia ser cintilante. Certamente, em sua pureza de ver o essencial, só enxergava aquilo que o amor tornou eterno. Deve ser bonita a existência com o mistério, o inusitado, o imprevisível convivendo com a mágica de ver o absolutamente indispensável. Os sentidos, atingidos pela possibilidade da perda, acordam de sua letargia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Daí, eu lembrei do lindo filme "Asas do Desejo" , de Win Wenders, onde a trapezista percebe que a vida e os objetos que nela desfilam são apenas transitórios, mas nem por isso menos belos. Beleza e morte de mãos dadas e um desejo súbito de fazer uma poesia-tão necessária e que leve embora essa angústia, esse soluço engasgado, apesar do sofrimento de não conseguir dizer o que se deseja. Apesar de o desejo não se inscrever, realiza-se, por alguns instantes entre um e outro exercício respiratório, falando por enigmas, como quem inspira (um verso) e expira (outro verso). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hoje, tudo ficou infinitamente belo sob a luz triste do crepúsculo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O pai desse amigo morreu. E, ao me fazer presente na despedida do pai de um amigo tão especial, meu coração se encheu de vida e amor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sua mãe ali, tão bonita e feminina, como uma mulher que é um vazio- o desejo por um homem. E uma vida toda, bailando suavemente na frente de meus olhos. Uma vida que não conheci, mas que pude imaginar a partir da ausência. Faltava um sorriso, uma coisa, uma brisa, uma frase, uma nuvem, mas ela fez com a falta e cantou a ausência- assim plantou amores-perfeitos e bromélias na borda do meu vazio existencial, que acompanhava calada a dor de todos ali. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hoje ouvi uma música que me despertou para a vida. Todos de mãos dadas cantaram o momento. Fui tomada de assalto por uma onda de beleza e dor tão grande que tive de vir embora e pouco me sobrou para transpor para o papel, além de tentar respingar aqui o inefável que me assombra- letra a letra, palavra a palavra, linha a linha. Sobrou só esse monte de linhas embaraçadas, de palavras engasgadas, de coisas vividas e morridas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A incompletude, a vazio, a angústia, a morte e uma música de amor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E eu - sempre nessa crença insana de achar que o amor é a finalidade maior desse intervalo, quase morri ao assistir uma despedida tão doce e delicada. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Num mar azul de sentimentos, meu amigo, sua mãe, sua mulher, seus irmãos cantaram os seus exílios: paraíso perdido, pai, irmão, cidade natal, infância, cenas do filme particular de cada um. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Cantaram até sentir que não estavam exilados e nem sozinhos. Cantaram a beleza do outono e toda a cor do último adeus. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E, pareciam todos saber com exatidão que uma canção não poderia ser cantada sem a palavra que a encerra. A vida é precisamente, uma permanente despedida:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Eu sei que vou te amar&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por toda a minha vida eu vou te amar&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em cada despedida eu vou te amar...."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Cantar pode não nos salvar da morte, mas salva a vida de ser aborrecida, pouco vivida, distraída. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ajuda a conviver com o espanto de se estar vivo, sempre desconfiando que vai morrer. E, também salva a vida de nossos mortos, imortalizando-os. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O crepúsculo me fez chorar. A dor do meu amigo também. A beleza daquilo tudo me emocionou profundamente , e senti uma vontade imensa de viver enquanto estiver acesa em mim a capacidade de me comover diante da beleza e da surpresa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com carinho a música:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=x6ToqVt68sE&amp;amp;feature=related"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=x6ToqVt68sE&amp;amp;feature=related&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-8414344535865383852?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/8414344535865383852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=8414344535865383852' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/8414344535865383852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/8414344535865383852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/02/para-um-amigo-querido.html' title='Para um amigo querido...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S2jk34cDwuI/AAAAAAAACF0/q2oF0ITTb3w/s72-c/sopro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-1008317544062905081</id><published>2010-01-29T00:34:00.045-02:00</published><updated>2010-02-02T21:50:53.519-02:00</updated><title type='text'>Pai.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S2JeyWBHA6I/AAAAAAAACFs/1g-lkerHqFw/s1600-h/piscina+pai.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5432008319558943650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 339px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S2JeyWBHA6I/AAAAAAAACFs/1g-lkerHqFw/s400/piscina+pai.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tanto tempo passou, mas parece que foi outro dia mesmo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Naquela época tudo era verde, flamejante e insensato.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Outro dia ali atrás, você era a minha referência de mundo e me deixava delirar e sonhar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu ainda sinto a tinta colorida do laranja dos dias nas minhas unhas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ainda vejo seus pincéis e lápis jogados em cima daquela mesa antiga pedindo sua mão para colorir a minha vida. Lembro do meu orgulho de você com aqueles desenhos sensacionais e com aquelas poesias sem fim. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E você era o louco que eu amava, cheio de claros e escuros, de penumbras e iluminações. Você era o meu herói trágico, meu jeito de olhar a vida.Tão evanescente, que ás vezes eu pensava que nem existia, por isso era tão importante as suas marcas nas minhas coisas. Podia dizer para os amigos: meu pai fez um desenho para mim, meu pai pintou minha havianas de vermelho, meu pai brigou com a minha mãe e pintou a porta de entrada de azul. A volatilidade e a impermanência das coisas não me importavam muito, embora hoje eu tenha cansado de tanta errância.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Teve também aquela história linda da fantasia. Você me vestiu com uma fantasia improvisada, restos de alegorias de uma cidade felliniana e mineira, que ainda não é só um retrato na parede.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tá certo, que você nunca foi exemplo de lucidez e de atenção às coisas, pai. Era carnaval e eu queria me vestir com uma fantasia nova- tem dias que ainda sinto que o carnaval chega, mas eu não tenho fantasia nova e meu coração entra em desatino!Mas era carnaval, pai. E eu como uma pequena ditadora, sabendo bem reinvindicar as coisas, bati o pé e descolei uma fantasia improvisada por você. E ainda pedi: "Pai, quero bem colorida! "&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu tive também que aprender a enfrentar sua fúria descontrolada. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Meu avô materno, que era a minha referência de doçura e delicadeza me dizia: "Ele está nervoso, mas te ama!" . E eu, sem entender nada retrucava: " Mas você não fica bravo comigo, vô! " E meu avô dizia: Ele é bravo e maluco, mas te deu uma fantasia e desenhou um cometa para você. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pai, você desenhou estrelas, mares, cometas, árvore e nuvens, mas nunca me ensinou como viver sem isso tudo. Não me disse que se eu delirasse muito não seria aceita, e eu segui contando aquela história maluca que você me contou. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Você me disse que existia um jardim que um dia eu ia conhecer. E eu contava do jardim para todo mundo, procurando ser fiel ao seu relato: era um jardim com as pequenas conchas que você colecionava, estrelas aquáticas, alfinetes translúcidos que não machucavam, pedaços de nuvem e de brisa. Era o lusco-fusco do desejo o tal jardim. Tinha tudo, mas não tinha flor. Tive que me reinventar depois que descobri, atônita, que não havia flor nenhuma ali. Era um jardim que estava em falta, um abcesso enorme desabitado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na insatisfação daquilo tudo, me lapidei com aquilo que me faltava. Virei flor, para que não haja desejo sem falta. Me tornei personagem no seu jardim alucinado, mesmo que você nunca tenha notado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Outro dia sonhei com o jardim e estava mais habitado ainda, pai. Tinham letras suas caídas, os mesmos alfinetes, uma lata de tinta, verde, o céu era daquele azul inacessível da poesia de Mallarmé, as estrelas nadando e os livros da sua estante naquele mesmo lugar e todos com o seu nome ainda. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tinha ainda uma placa avisando que jardim era aquele, porque haviam outros jardins do lado. Cheguei perto para ler e consegui enxergar- "Unheimlich" chamava o jardim. E o nosso cachorro estava lá. Aquele, aquele! Tinha nome de analista. Uma coisa surreal como sempre foi. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como é viver no mundo com as marcas insistentes e doloridas que você me deixou? Como esquecer tudo? Como ser flor do amor, quando é pedra- bruta no coração? Como saber quando é dor, quando é amor?-se a referência que eu tenho de amor com você é uma coisa absolutamente tensa e em carne-viva. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Me salvei quando você disse no leito de morte, olhando para mim com uma cumplicidade assustadora: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;" Nossa vida daria um romance! ". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Respirei aliviada, porque tudo era trágico, mas não precisava mais ser dramático. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Continuo escrevendo para entender a sua falta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Continuo colocando palavras no lugar da minha falta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fico aqui dividida entre dois opostos que se tocam:entre a extensão, a dilatação, a insistência exaustiva na recuperação da memória e na explicação causal dos incidentes e acidentes da vida, próprias do romance e também da neurose que você me deixou de herança. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E no outro oposto frágil e errante existe a contração, as elipses, a manutenção de um certo enigma, a marca de um estilo operada por um processo de análise que atravessa mais de uma década, e que produz, ainda que aos tropeços, a possibilidade de poder me narrar de outra forma : à elegância de um conto. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nossa vida daria um romance, pai!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas eu quero escrever um conto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Só isso....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-1008317544062905081?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/1008317544062905081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=1008317544062905081' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1008317544062905081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1008317544062905081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/01/pai.html' title='Pai.'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S2JeyWBHA6I/AAAAAAAACFs/1g-lkerHqFw/s72-c/piscina+pai.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-9128125168007306606</id><published>2010-01-26T18:03:00.084-02:00</published><updated>2010-01-26T19:40:48.668-02:00</updated><title type='text'>Existe um nada além da realidade.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S19hK-NxJDI/AAAAAAAACFk/jhD0I77L7XY/s1600-h/shes1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431166516759438386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 278px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S19hK-NxJDI/AAAAAAAACFk/jhD0I77L7XY/s400/shes1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma coisa horrível me atravessou o peito e imediatamente me lembrei de Mallarmé: &lt;em&gt;existia um&lt;/em&gt; &lt;em&gt;nada além da realidade.&lt;/em&gt; E, eu só podia dispor da poesia para cristalizar esse vazio, mas naquela noite ela não me visitou. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Passou a noite e veio o dia com tudo em contínua evanescência. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu não sabia mais quem eu tinha sido até aquele momento. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dentro do meu coração- no oco dele- figuras de linguagem nada ortodoxas se chocavam agressivas e desesperadas querendo fazer o caminho até a boca.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu queria uma metáfora iluminadora, não suportava mais aquele deslizamento metonímico insistente e atormentado. Desejava ser melodia suave de Debussy ,e virar eu mesma a poesia que me salvaria.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No refluxo delirante e entorpecido daquela manhã, o telefone tocou e nesse emaranhado simbólico, uma palavra me resgatou: FEITIÇO- ele disse. Descobri o mundo mais uma vez. Uma onda viva e desgovernada fez uma alquimia nas minhas palavras e me disse: FEITIÇO DE MULHER. Ele era alquimista das palavras que nem Mallarmé: &lt;em&gt;um poema não se faz com idéias, mas com palavras, um poema é um mistério.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A palavra que era signo do meu desejo por ele, movia- se nova ao sabor da musicalidade. "Body and Soul" baixinho dentro de nossos ouvidos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era "aquela palavra- primeira", que alcançava novos refinamentos de sentido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era a palavra que evocava todos os sentidos adormecidos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tudo era absurdo. Socorro, socorro! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu era o avesso e o direito mais uma vez; estrangeira de mim mais ainda, esmagada por um encadeamento de forças que não dominava e nem compreendia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As visitas de Camus ficaram frequentes. Ele era estrangeiro que desabava dentro de mim como uma pluma. Era ele! Era ele! Pluma, abismo. Uma revolta silenciosa era a única saída para tamanho disparate. As palavras precisavam colidir ainda mais dentro do meu coração, até que uma palavra amalgamada estivesse pronta para sair. E eu diria: Eu sempre te amei! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele também me segurou pelo vestido e disse: "Nada é mais real que nada'', lembrando de &lt;em&gt;Malone morre &lt;/em&gt;de Samuel Beckett. Eu até tentei dizer: "Solta o meu vestido, menino! ", mas ele agarrou firme e se jogou com violência no meu coração habitado por palavras selvagens. Disse que seus olhos estavam marejados, que tinha medo de perder quem ama e que não tinha solução para tudo. Tentei sacudir o coração para ver se ele saía lá de dentro. Sacudi bastante a cabeça, como minha mãe dizia para fazer, quando eu tinha sonhos de angústia. Ela dizia que os sonhos se misturavam e a gente nunca mais ia ter aquele sonho que botou medo na gente. Mentira de mãe!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele continua firme e consistente dentro de mim- me interrogando e me fazendo sentir uma felicidade com cheiro de terra molhada. Uma coisa absurdíssima, de botar medo mesmo. Ele também adorava cheiro de terra molhada. Depois de ouvir isso, fiquei catatônica amarrada na minha cama em ruínas. Como ele poderia saber das sutilezas mais essenciais que me constituíam? Como ele sabia desse mínimo de mim? Cheiro de terra molhada, despertar de primaveras, árvores grandes e verdes? Como, como? Cheiro de terra molhada era a minha sensação nostálgica e bucólica de felicidade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hesitei mais uma vez. Tive medo daquele imoderado sentimento, mas era sem volta. Não dá para controlar os sonhos e ele ia fazer a visita todas as noites. Lembrei de Beckett também em &lt;em&gt;Esperando Godot, &lt;/em&gt;onde numa estrada rural desolada, Vladimir e Estragon aguardam a chegada de Godot, embora desconheçam sua identidade e até o motivo pelo qual esperam tão ilustre sujeito. A diferença é que eu começava a descobrir, porque esperava por ele.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu estava Esperando Godot fazer de mim o despertar da primavera. Enquanto isso, ele conversava comigo nos meus sonhos, como faziam os dois personagens beckettianos. Mas o diálogo era tão absurdo quanto a espera. Frases incoerentes, neologismos, divagações. Não tinha sentido ele não existir. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estávamos exilados um do outro na dimensão cíclica e ambígua do tempo, mas no meu sonho não havia só a alegoria do tempo obscuro e a espera por aquele que nunca chega. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No meu sonho, ele me convidou para viver à deriva de tudo naquele mar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No meu sonho, ele era meu par na contramão....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-9128125168007306606?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/9128125168007306606/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=9128125168007306606' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/9128125168007306606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/9128125168007306606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/01/existe-um-nada-alem-da-realidade.html' title='Existe um nada além da realidade.'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S19hK-NxJDI/AAAAAAAACFk/jhD0I77L7XY/s72-c/shes1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-7809514960210379467</id><published>2010-01-26T00:07:00.052-02:00</published><updated>2010-01-26T02:29:21.991-02:00</updated><title type='text'>Amores primeiros.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S15vkZE3zQI/AAAAAAAACFc/HFEXQN092oY/s1600-h/thela.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5430900871652691202" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 294px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S15vkZE3zQI/AAAAAAAACFc/HFEXQN092oY/s400/thela.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O meu primeiro amor chegou cedinho. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desde muito pequena, me senti atraída pelas fendas que o prosaico do cotidiano pode conter.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Então, eu me apaixonei pelo jeito como ele escovava os dentes. Isso mesmo! Ele escovava os dentinhos pequenos, me olhando com uma cumplicidade que os adultos não entendiam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tínhamos o nosso mundo particular e nossos códigos secretos. E, ele, escovava, lentamente de cima de um banquinho aqueles dentinhos brilhantes , como se soubesse que eu era louca por ele. Eu pedia minha mãe para esperar ele todo dia para irmos juntos para a escola e me enternecia e me deleitava com aquela cena cheia de ternura e novidade . Daí ele terminava, dava uma olhada bem fundo nos meus olhos e eu dizia: "Agora sim ficou branquinho"- já querendo dizer: eu amo você, seu fofo!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Começou com uma disputa: quem de nós sabia escrever o nome completo, quem de nós desenhava um sapo bonito, mas ele terminou me golpeando, quando "me deixou ser melhor" e ensinar para ele como se escreve o nome inteirinho- letrinha por letrinha. E eu muito mandona, achava lindo ele me enganar. Depois disso trocamos merenda, farpas, confidências, e até tapas. Nas brigas mais terríveis, ele sorria, maquiavelicamente, depois de tomar uma merendeirada na cabeça e levantava o meu vestido morrendo de rir. E, eu ficava ali perdida entre tanto afeto, sem nem ainda saber muito bem a diferença entre a irritação e atração, entre amor e ódio. Sem saber, que tudo isso eram nuances e tons tão próximos entre si. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Depois eu aprendi a ler e a escrever e as palavras é que abriam as tais fendas na existência. Lembro bem que ficou um resto daquele primeiro amor gravitando em mim. Eu queria aprender a escrever DENTE para ver se era tão bonito mesmo. Aprendi e logo queria descobrir uma outra palavra mais bonita. Então, me apaixonei pelo menino mais inteligente da sala e gostava de descobrir com ele as palavras novas que habitavam o mundo. A primeira cartilha " Letrinhas mágicas" era nosso objeto de amor mais precioso. Tudo era colorido, novo, intenso e revolucionário e juntos escrevemos bife, dado, piscina, vento, mar, metralhadora, roupa, vida, briga, bicicleta, carinho, estrela. Depois de escrever tudo isso, escrevemos AMOR e trocamos bilhetinhos e juras eternas no meio da aula. Esse segundo amor, terminou quando ele começou a reclamar de tudo que eu fazia. Queria sempre achar uma ferida onde pudesse colocar o dedo, diferente do primeiro que abriu mão da sua virilidade para me dar aquilo que ele nem sabia bem que tinha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Esse daí, não podia ver a brecha para o erro, para disparar sua língua cortante e ácida. Tudo culpa dos números- a maldita matemática que ele adorou. Antes, quando era só palavra o nosso mundo, compartilhávamos de idéias afins e tudo parecia encantado. Lembro quando escrevemos cometa que maravilha que foi. Escrevemos juntos e bem grande: COMETA. Minha mãe disse que ficou tão bonito que merecia uma poesia para eternizar. Meu pai, bem mineiro, logo sacou da sua gaveta também mágica e cheia de letras desorganizadas, um poema do Murilo Mendes:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;" O cometa me traz o anúncio de outros mundos&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;e de noite eu não durmo&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;atrapalhado com o mistério das coisas visíveis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No rabo imenso do cometa &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Passa a luz, passa a poesia, todo mundo passa. "&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sim, tudo passou. A luz, a poesia e minha certeza de que juntos leríamos a coleção Vaga-lume inteirinha. Tudo passou, depois que esse amor passou a achar mais graça nos números que nas palavras. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele estava ficando cego, eu pensei. Chorei por dias a fio sem entender o motivo de uma traição tão vil e rasteira. Ele tinha me abandonado sozinha com um amontoado de letras e a minha vontade era jogar tudo no liquidificador para ver se ainda existiam palavras novas fora do mundo que construímos. Quem sabe não pularia uma palavra saltitando feliz e faceira de dentro do líquido das outras? Nada fazia sentido mais , só a poesia do cometa dormindo comigo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Alguns anos mais tarde, eu reencontrei a palavra cometa com ele no meio de uma noite. Eu havia lido " A evolução de uma miopia", um conto do livro " A Legião Estrangeira" de Clarice Lispector e disse que naquela época ficou uma palavra por dizer. Disse que me sentia traída até hoje e que só o perdoaria, caso ele lesse. Ele veio com um papo mole, mas aceitou e levou o livro para casa. Era época de vestibular e disse que precisava estudar, mas ia ler. Demorou uma semana, mas ele voltou outro em sua miopia. Descobriu que o fato de enxergar menos, talvez não pudesse libertá-lo do olhar do outro. E míope, como ele também era, viu como o menino da história, a luz que não tem contorno, nem nunca terá. Eu me apaixonei mais uma vez por ele, porque ele sentia como eu uma atração pelo imoderado: atração pelo extremo impossível, como no conto. E pela primeira vez também teve então amor pela paixão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A partir desse dia, descobri que qualquer amor pode ser iniciado, terminado e resgatado na palavra. Pode ser devastado também, até chegar na última palavra- aquela que a gente tenta escrever para apagar toda a nódoa do não- dito e do mal-dito. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A última palavra com alguém, pode inclusive ser a primeira com outro alguém. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pela palavra que o amor escorre e é nela que ele morre.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O cometa continua me trazendo anúncio de outros mundos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E, eu continuo sem dormir, atrapalhada com o mistério das coisas visíveis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-7809514960210379467?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/7809514960210379467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=7809514960210379467' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/7809514960210379467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/7809514960210379467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/01/amores-primeiros.html' title='Amores primeiros.'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S15vkZE3zQI/AAAAAAAACFc/HFEXQN092oY/s72-c/thela.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-411144692361053268</id><published>2010-01-22T22:41:00.034-02:00</published><updated>2010-01-23T17:53:03.219-02:00</updated><title type='text'>Lembra?</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S1pmNg-lHcI/AAAAAAAACFU/ARtZB64HFBk/s1600-h/silvia2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5429764683125300674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S1pmNg-lHcI/AAAAAAAACFU/ARtZB64HFBk/s400/silvia2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lembra? Lembra, amor? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Foi outro dia mesmo. Eu tinha só 22 anos e a vida ainda era um amontoado de sonhos e de incertezas. Você acredita que continua sendo isso a vida, baby? Pois é....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas, você ainda lembra de nós dois ali, com o desejo saltando pela boca? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Love Supreme, love supreme- foi você que me apresentou Jonh Coltrane. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E você me apresentou o mundo, me levou para Paris pela primeira vez, me deu as obras completas do Freud, os seminários de Lacan, a poesia de Rilke de manhã cedinho, assistiu comigo todos os filmes do Godard e o sol indo embora naquelas tardes em Ilhabela. Tá bom, foi a descoberta do mundo, eu sei. Logo na primeira vez que eu te vi aconteceu debaixo das cobertas, as descobertas. Eu sinto ainda, que antes de você eu não existia. Você me apresentou a delicadeza e a poesia da vida e elogiou o meu risoto de queijo como se fosse bom- e ainda, me perguntou se eu havia feito gastronomia na Cordon Bleu. Só você! Só podia ter sido com você. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E depois de tudo, ora naufragamos, ora ficamos à deriva.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Bom, fiz minhas escolhas e elas me fizeram. Escolhi viver com você e gravitei durante algum tempo na sua vida. Depois vieram os meus amigos, as minhas vontades, o meu trabalho, os meus tropeços e descobri que todo mundo tem um jardim. O seu era sempre florido, limpo, organizado. O meu era cheio de flores estranhas e de plantas selvagens. Ele crescia vertiginosamente; e eu não sabia domá-lo, mas era jardim bonito e legítimo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Seguimos. Crescemos juntos, fizemos o possível, fizemos amor em nuvens, botes e brisas. Quase afogamos- e ainda não sabemos nadar. Construímos casas, submarinos, versos, castelos de areia. Se a gente se distraísse demais, acabaria sendo feliz para sempre, mas por um desastre descobrimos que a felicidade muda de significado várias vezes durante o percurso de uma vida. Somos sensíveis demais para fazer uma viagem no piloto automático. E eu, inquieta do jeito que sou, passei a achar a segurança um aborrecimento. Tudo bem, um pouco de turbulência é necessário para haver desejo. A Cássia Eller cantou prá gente no dia que nos conhecemos: " Socorro, eu não estou sentindo nada. Nem frio, nem calor, não dá prá chorar, nem prá rir..." Esqueceu disso? Foi a coisa mais bonita da minha vida aquela noite com você. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E a novidade, amor? A novidade é tão somente minha velha incapacidade de ser linha reta. E eu rodo e giro , querido! Estabanadamente e com passos tontos. Tá bom, tá bom, já sei que eu quebro muitos copos nessas danças! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tá certo que nos meus tombos nunca me machuco mais do que posso e não sou mulher de ficar no "chão- protocolar" da existência o tempo inteiro. Eu deliro mesmo, eu invento palavras que não existem e elas me inventam de novo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Só queria que você entendesse que além daquele jardim desordenado que você conhece, eu tenho outro jardim secreto... (Isso mesmo! Pasme!!!)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fiz isso, porque viver não é seguro e nem fácil- e não pode ser monótono. E mesmo te amando e você sendo minha escolha afetiva, eu tive vontade de ocupar lugares desabitados, onde eu não havia nunca pisado. Fiz um jardim lá e confesso que minhas begônias e violetas estão bonitas e radiantes. Você acredita nisso? Acho que não, né?!Eu sempre coloquei muita ou nenhuma água nas plantas e jardim não gosta de muito excesso . Pois é, mas esse parece ter gostado, querido! Lá no jardim eu tinha volúpia e lascívia transbordando pelo corpo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lá nesse jardim também, aquele enigma que me acossa e interroga era bem- vindo. Tinha uma vitória-régia bem grandona lá, mas ela sumiu. Acho que cansou de mim- tudo bem, nem eu me aguentaria em alguns dias. Ela deve ter ido nadar no seu jardim, amor! Foi? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Agora escuta essa :as hortênsias e as rosas do jardim do sítio da minha avó estavam lá. Tinha também o pomar do meu avô. Tinha até uma borboleta fazendo acrobacia e virando cambalhota. Você precisava ver que coisa mais surreal. Deu até vontade de construir uma casa no jardim, mas lá eu ficaria longe de você. Acho que você ia achar tudo muito lisérgico do alto do seu minimalismo pragmático. Talvez você colocasse uma cadeira meio Bauhaus em cima daquela desordem lírica. Mas, as minhas sandálias estariam espalhadas pelo chão da casa, para mostrar que ali morava alguém e os livros todos rabiscados e marcados estariam onde eu bem entender. Nem vem! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas meu amor, você me ensinou tanta coisa e se esqueceu de me mostrar como é que se vive longe de quem nos constitui. Como a gente se habita sozinho? Como é que é?? Me diz, me diz! Eu já vou fazer 31 anos e ainda não sei, meu amor! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O meu jardim é bonito e em alguns dias, ele fica meio sombrio, mas gosto dele. Lá a minha fantasia, aquela danada que você conhece bem, baila agitada e urgente no meio das alfaces verdinhas e dos tomates vermelhinhos da minha infância no mato. Ela é tão atrevida- ela, a fantasia- que me diz coisas absurdas e sem sentido. Disse para eu fazer a poesia que eu sabia, falou que era para eu te convidar para fazer aquela receita do livro e tomar um vinho despretenciosamente. Vê se pode? Olhou para mim, e olhou fundo- disse que a vida ainda seria rima doce e bonita e disse também que a poesia não tinha hora e nem dia. Ué gente, você não disse que tinha?! E eu tinha razão quando dizia que a poesia corrige a vida, então?! Será? Olha, olha, que eu sempre concordei com o Burroughs e acho que paranóico é alguém que tem uma vaga noção do que está acontecendo. Olha! Olha, esses poemas a esmo, essa  introdução a mim mesmo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Meu pai, na sua infinita loucura, devia transbordar sabedoria quando me disse que não dá para levar a vida tão a sério; porque de qualquer forma ninguém sairá vivo disso. Ninguém mesmo!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Socorro! Socorro! Olha que eu descubro que a graça da existência não é tão somente olhar a vida pelo olho mágico, mas abrir a porta e deixar entrar o fascínio e o alumbramento do novo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-411144692361053268?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/411144692361053268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=411144692361053268' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/411144692361053268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/411144692361053268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/01/lembra.html' title='Lembra?'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S1pmNg-lHcI/AAAAAAAACFU/ARtZB64HFBk/s72-c/silvia2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-4600724511874489896</id><published>2010-01-14T17:36:00.002-02:00</published><updated>2010-01-14T18:15:18.116-02:00</updated><title type='text'>Visita de Camus</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S097PjxWE2I/AAAAAAAACEA/58_owmguFT8/s1600-h/sarah1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5426691583235199842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 391px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S097PjxWE2I/AAAAAAAACEA/58_owmguFT8/s400/sarah1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Camus me visitou dia desses e, num relance, fui impelida a escrever. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Reconheci rapidamente sua voz- tinha tonalidade azul e estava à beira do silêncio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sua alegria ao me reconhecer era comunicada por imagens, alegrias intensas ou soluços.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No sonho, o movimento branco de uma nuvem balançava sobre minha pele e ele continuava um jovem belo, àvido de desejo e poesia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Andava feliz com seu cigarro por Paris, mas ainda era afeito às brumas, tempestades e infinitos. Caminhamos juntos por Saint- Germain des Prés, tomamos um café no De Flore, andamos pelos museus e visitei sua casa- que estranhamente tinha uma placa na porta com o dizer: " Esse terreno é Descoberto...".Achei aquilo estranhamente familiar, mas nem me lembrei da minha cidade de origem se chamar ''Descoberto ''. Só me lembro de repetir olhando para ele: " Sou estrangeira em qualquer lugar."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Camus me deu a mão e disse que sempre sonhou com o dia em que eu estaria ali. Ali aonde?- eu atônita sem nada entender. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No teto da casa, voavam alvoroçados livros de Stendhal, Platão e Spinoza, além de toda a obra de Proust que também batia asas. Reconheci também alguns objetos infantis que meu pai me disse que viajaram para onde '' Judas perdeu as botas". Descobri meu aquaplay, uma borracha colorida e toda a minha coleção de papéis de carta. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Senti uma ternura enorme por aquele lugar com cheiro de artemísias e dunas marítimas. Era assombro e fascínio tomando o corpo de assalto. Os livros eram passáros selvagens e livres. Eu era estrangeira, o avesso e o direito e tudo era insólito, tenso e trágico na nossa relação. Seria assim até o fim. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele apagou a luz, mas no seu olhar morava um vaga- lume hipnotizado- naquele lugar ele vivia mais lento, mais meditativo, olhando a morte com menos assombro, à margem de tudo e do mais belo mar do mundo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu vim embora confusa, mas ele ainda deu um último sorriso e disse:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;'' Era tudo verdade. Ou se é esteta, ou não. "&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Cai de novo no mundo, sabendo que só a poesia me salvaria:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não teremos nunca escolha diante do crucial, da crueza da vida&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Somos o que somos&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Adormecidos ou acordados&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;plenos ou aturdidos&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;dispersos ou abraçados....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-4600724511874489896?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/4600724511874489896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=4600724511874489896' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4600724511874489896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4600724511874489896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2010/01/visita-de-camus.html' title='Visita de Camus'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/S097PjxWE2I/AAAAAAAACEA/58_owmguFT8/s72-c/sarah1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-5160278019298105497</id><published>2009-12-08T22:09:00.038-02:00</published><updated>2009-12-15T19:52:30.392-02:00</updated><title type='text'>Aquele estranho amor- para ouvir a música junto.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Syb5IFl-5VI/AAAAAAAACDw/lfQlkTfqGjU/s1600-h/rio-+mar-+eu.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415289519295358290" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Syb5IFl-5VI/AAAAAAAACDw/lfQlkTfqGjU/s400/rio-+mar-+eu.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Costurava aqueles desencontros , ainda entorpecida de madrugada dentro de si. Não acreditava em relações sem conflito, mundo encantado e decantado- amar era precipitação e desordem. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Amava com aquilo que podia de si e com aquilo que se esvaia no infinito também. Amava, des-amava- mal-amava- que nem o poeta dizia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando o conheceu, havia entendido no corpo aquilo que a condenava à feminilidade- era uma maldição nova e linda. Era como se ela tivesse caminhado até aquele dia, sem deixar espaço para entender. Tudo ela preenchia com angústia, sem poder deslizar numa equivalência simbólica outra. Ocupava de agonia o espaço que era para ser vazio- oco, falta, lugar inacessível de si e do Outro, mas naquele dia antigo e estranho, o amor chegou para fundar um novo mundo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele chegou e tocou no seio de sua verdade- não podia dar e nem ser por ela.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele também era um vazio- um desejo por uma mulher, não era todo e nem complemento- era causação e danação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela desejou pela primeira vez ser amada por aquilo que não era, por aquilo que não sabia que tinha- pela marca enigmática que interroga e acossa. Pela primeira vez , foi mulher....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dali em diante, foi meretriz, dançarina, puta, diva, colombina- e imaginou tantos, inventou romances, teve amor absoluto e outros contingentes, disse sins e nãos, topou fantasias, muito dos outros todos, mais do mesmo- tudo pela força do amor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Antes dele chegar, sua vida era enganar-se no amor, capturando o outro pelo imaginário , sem saber que , na verdade, O outro era aquele que acabara de surgir em sua vertente simbólica.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O Outro era o amor transbordando e interrogando naquilo de mais essencial:&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;" O quê é que se ama no amor? &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O quê é? "&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Naquela noite ele fez tocar uma música que será eterna- caso o amor possa se perder nas veredas da existência.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Era mais ou menos assim.... &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=zpWAiRBIlXk&amp;amp;feature=related"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=zpWAiRBIlXk&amp;amp;feature=related&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-5160278019298105497?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/5160278019298105497/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=5160278019298105497' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/5160278019298105497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/5160278019298105497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/12/aquele-estranho-amor-para-ouvir-musica.html' title='Aquele estranho amor- para ouvir a música junto.'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Syb5IFl-5VI/AAAAAAAACDw/lfQlkTfqGjU/s72-c/rio-+mar-+eu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-6255496145238577468</id><published>2009-11-30T21:56:00.081-02:00</published><updated>2009-12-01T02:13:38.714-02:00</updated><title type='text'>Dele.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SxSXaDdqjKI/AAAAAAAACDQ/0NDWBGTRnQs/s1600/thela2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410115526240930978" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 265px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SxSXaDdqjKI/AAAAAAAACDQ/0NDWBGTRnQs/s400/thela2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SxSXQPU2J-I/AAAAAAAACDI/sqGAdTHqX2M/s1600/a2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Se, por vezes, escolhia palavras para dar conta do impasse, naquele momento o silêncio, fulgurava o vazio em abcesso na carne. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era mulher e naquilo que residia de mais íntimo, tinha a radical percepção da inadequação das máscaras com que se representava frente ao Outro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Naquele intervalo onde não havia mais palavras para se dizer, habitava atônita o desejo do Outro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele fez silêncio, mas ela queria ultrapassar o mutismo do momento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela queria o essencial, a palavra transfigurada em maravilha, o amor saindo pela boca e tocando seu corpo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eles se olharam, mas ela mais olhou fundo, ainda que isso tenha custado algumas noites em claro, sensações de despedaçamento, falta de consistência, medo de perder o controle, de enlouquecer e perder o domínio daquilo que liga a letra ao corpo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Diante daquele olhar que a desnudava, o nada se presentificava. Aqueles olhos perdidos e atrapalhados denunciavam o aspecto ficcional da identidade, a facticidade do eu e o fato de não sermos donos de nossas palavras, mas submetidos pela via do afeto a um Outro, que nos conduz pelas veredas das quais mais queremos fugir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era um momento bonito e aterrador. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aquele homem, por não saber bem onde colocava a mão e a palavra a levou por caminhos além do significante, enquanto resistia, ele mesmo-um tanto amedrontado- ao encontro com aquilo que o significante não dá conta, com a falta que se produz, resto do próprio nome.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Nome de tardes árabes e de matar de vez em quando, a morte. Nome de hai-kais no meio da noite, de fazer vivo o desejo, para que dele não se morra, indefinidamente.)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Embaraçado, ele também não sabia o quê compunha e descompunha uma mulher;escrevia na tentativa de entender, mas tateava o indizível no seu romance particular- mulher para ele era enigma, contato com o real da existência. Freud já sabia, e não foi por acaso que o inconsciente( o Outro) foi &lt;em&gt;descoberto&lt;/em&gt; graças às mulheres.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E ela, folha solta, perdida na tormenta de si, percebeu- se enganada como nunca em sua posição subjetiva de se situar fora do significante para o retomar falicamente. Ela não era mais aquilo que ao resto do mundo falta, não estava apartada das coisas - fazia com a falta e se fazia possível e desejante. Ela podia ser aquilo que ele queria-causa de seu desejo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas ele lá - calado, janela fechada, com Drummond respondendo:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;" Não saberei? Só pegando, pedindo:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;   Dona, desculpe..&lt;/div&gt;&lt;div&gt;   O seu vestido esconde algo?"&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela, passou a encarnar no lugar da ferida, o enigma de seu gozo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tinha tentado devorar o mundo e beber o desconcerto, mas não tinha mais jeito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era mulher de um homem, no momento que seu olhar pousou sob aquelas retinas cheias de vida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E, não tinha mais desassossego na corrida inútil de fechar todos os buracos. Podia ser agora Medéia, dançarina francesa, Madeleine Gide. Podia ser qualquer uma que soubesse preencher com transbordamento de fúria e de som, o corpo daquele homem que a inaugurou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-6255496145238577468?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/6255496145238577468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=6255496145238577468' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/6255496145238577468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/6255496145238577468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/11/dele.html' title='Dele.'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SxSXaDdqjKI/AAAAAAAACDQ/0NDWBGTRnQs/s72-c/thela2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-5735499094606893701</id><published>2009-11-24T01:57:00.043-02:00</published><updated>2009-11-25T02:49:32.727-02:00</updated><title type='text'>Era ele- era eu.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Swy3KL4HKiI/AAAAAAAACDA/24IRyqa0Apw/s1600/silvia1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407898638179838498" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 364px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Swy3KL4HKiI/AAAAAAAACDA/24IRyqa0Apw/s400/silvia1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lembro bem do que era a sensação de serenidade-eu deitada ali no passeio da existência no fim de uma noite quente, o calor que saia do chão deixando a brisa no rosto mais fresca e o sono chegando e me fazendo abrir bem os olhos e os ouvidos para as prosas misteriosas do mundo adulto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Papai, mamãe e toda a vizinhança da Rua José Andrade ali- fantasmas, fofocas, volta ao mundo em 80 minutos- só para tomar a fresca, minha gente! O mundo era tudo aquilo que eu ouvia e significava:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Bianca, Bianca, pega a cadeira na varanda- levanta dessa chão e tira os olhos do céu!"- meu pai me dizia com uma voz violentamente doce.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era quase uma música de fundo que me conduzia nos desvios e desvãos das estrelas- já não sabia se era sonho ou realidade e nesse estado de deliciosa tontura, vento nos cabelos e pés descalços eu era arremessada na cama.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nas interseções dos sonhos que sonhava, eu fui me construindo. Hoje, ainda me pego sentindo uma certa paz nostálgica, quando me lembro de tudo- até da decadência agoniada e mansa daquelas pessoas e daquele chão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ainda mora em mim, aquela casa misteriosa onde aprendi o sublime e o trágico da vida- quintal, portão de madeira, mergulho em piscina de mentira que sempre transbordava, brinquedo inventado, brincadeira improvisada, boneca querendo virar gente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tudo era meio baldio, mesmo sendo cheio e havia naquele universo uma precariedade fascinante. Havia sempre uma ponta de silêncio, uma violação ao segredo e nesses buracos de realidade e fantasia, eu fui me virando e revirando.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não havia pobreza, as pessoas viviam com aquilo que existia ali. Ninguém queria ser rico, bastava uma grana extra para um sorvete gelado no fim da tarde- era só bom- assim mesmo- sem angústia, sem kibon, sem nada. A única marca era a do sorvete derretendo na roupa e as mãos meladas segurando o corpo na bicicleta velha. Tudo era tristemente feliz e em seu lugar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Naqueles dias, todos acordavam cedo demais. Ainda lembro do frio e da neblina branca, que me envolvia nas madrugadas em que eu saía para a escola. Era cedo demais e da rua vinham ruídos remotos: cachorro latindo, rádio ligado na vizinha, barulho de vassoura varrendo as folhas das árvores. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O dia nascia branco e terminava ás seis da tarde com ave- marias e canções melancólicas vindas da única igreja da cidade. O cair do dia era poético e medonho. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aquilo que precede a noite, bota medo até hoje e o crepúsculo, ainda é um mistério que me sonda( ave- maria vira mulher nessa hora!)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na minha remota memória de serenidade, lembro também de todas as dramáticas fragilidades da minha família: uma violência latente estava sempre presente naquele cenário de filme noir-um pai infinitamente louco e interessante, uma mãe doçura em pedra- bruta, meu "amigo- avô" de travessuras, morte chegando sem explicar, cheiro de chuva no mato, a gente disputando a janela para ver a tempestade caindo torta nas montanhas, rua sendo lavada, sonhos com lugares desconhecidos, pipoqueiro na praça, Júlio Verne saindo da boca encantada de minha mãe, festa de Maria, outras Marias e romarias, lua tremendo no céu, arco- íris como símbolo de alegria insistente e mineira- atrás dele estava uma riqueza desmedida, só que "atravessá-lo era coisa para gente corajosa"- meu pai dizia entre um baforada e outra de um cachimbo sedutor e fálico. Freud já devia me explicar e já olhava para mim, ali da estante de livros de meu pai e me interrogava com seu outro cachimbo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Minha vida bem que dava um filme- entre praças, jardins, coretos, espinhos, mangas roubadas, casos fantásticos e vestidos de chita.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Des- cobrir" o mundo não é nada, senão uma extensão densa e enviesada desse mundo colorido, selvagem e transbordante- que foi plantado em mim nas montanhas mineiras.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Descoberto não é lugar, é destino. Descobrindo mais, eu senti serenidade no meio da cidade grande. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Senti o encontro dos encontros na fala violentamente doce de outro homem- não era meu pai e nem Freud.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era ele e era eu. Tive medo!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Só por isso....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-5735499094606893701?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/5735499094606893701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=5735499094606893701' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/5735499094606893701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/5735499094606893701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/11/era-ele-era-eu.html' title='Era ele- era eu.'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Swy3KL4HKiI/AAAAAAAACDA/24IRyqa0Apw/s72-c/silvia1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-2174713422039457972</id><published>2009-11-13T03:05:00.044-02:00</published><updated>2009-11-13T03:49:19.568-02:00</updated><title type='text'>Prelúdio...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SvzzB5GAVkI/AAAAAAAACBg/AFjFUFjDzOo/s1600-h/katherine4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5403460866769180226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 269px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SvzzB5GAVkI/AAAAAAAACBg/AFjFUFjDzOo/s400/katherine4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não sabia de nada mais do mundo- estava noite adentro" lendo os campos para entender Mallarmé", tateava os objetos com um querer louco e febril- tudo era gozo e encantamento na existência poética das entrelinhas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela ali, desejando a melhor rima para seu corpo e só era mesmo- pequeno ponto diante do vazio imensurável do espaço, lendo tudo perplexa e devorando feminina a linguagem; com gosto e urgência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Queria era saber inédito, saber não- sabido, palavra rolando em despropósito-de saber estabelecido e concluído estava cansada. Queria fazer amor com poesia dentro do ouvido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O que estava em jogo não era a utilização de um corpus textual dado, era a instauração de um jogo – lance de dados, trapaça salutar, disseminação, política da sereia, estrela dançante.. – ao qual essa leitura, um tanto desajeitada, de Mallarmé, quis servir de prelúdio. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma vez esse oco aberto, a confrontação com um texto-limite só fazia evidenciar seu desejo pelo frescor na letra. Não suportava mais a solidão dos significados partilhados, as paredes pareciam sufocar, as palavras essenciais ainda seriam ditas- elas queriam voar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os dias vividos até agora pareciam não ter fim. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No copo vazio sobre a mesa aqueles dois dedos de café do dia anterior na varanda. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Talvez Cartola na vitrola, talvez o mundo fosse um moinho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela se sentia quase invisível naquela noite e agitava angustiada os braços no meio do nevoeiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estratégia ineficaz: ao invés de conseguir contato, a névoa ficava cada vez mais densa. Poesia é risco sempre...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas solidão era rito de passagem- era encontro também. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela não queria soar pesarosa e lúgubre em seu castelo construído com os tijolos da auto- proteção. Tinha encontro lá dentro do desencontro, tinha compasso novo naquela agonia toda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acreditava em Herman Hesse- " solidão é o modo que o destino encontra para levar o homem para si mesmo."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Devia ser....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-2174713422039457972?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/2174713422039457972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=2174713422039457972' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/2174713422039457972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/2174713422039457972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/11/preludio.html' title='Prelúdio...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SvzzB5GAVkI/AAAAAAAACBg/AFjFUFjDzOo/s72-c/katherine4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-4572794472782095601</id><published>2009-11-09T05:18:00.007-02:00</published><updated>2009-11-09T05:46:42.571-02:00</updated><title type='text'>Nudez das tramas...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SvfIoeu5MyI/AAAAAAAAB_o/NfrVIcQAZhg/s1600-h/perna.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402006875824272162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SvfIoeu5MyI/AAAAAAAAB_o/NfrVIcQAZhg/s400/perna.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mergulhou em seus tecidos para ver se o sono chegava e se a dor passava.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fez uma pátina na alma- queria sentir a profundidade cheia de nuances de seu casco. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela era madeira, mesa, cadeira- qualquer coisa que acalmasse e sangrasse sem muita ferida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A seda se tornava feérica, o coração um adasmacado barroco- vestia- se naquela noite com os farrapos da sua história e mergulhou no mistério de si e num mundo onde tudo era fantasia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A realidade era dura, cortante e cinza, mas no meio da renda mais suave, se deleitou na transparência do outro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tinha também veludo azul, brocado, lã e algodão. Tinha tudo que pudesse revelar e desvelar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Carregava um medo enorme de se enroscar para sempre entre a letra e a tessitura de tudo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Cortou, costurou e entre plissados, dobrados, amassados e furados achou seu lugar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sentia uma afinidade cromática com todas aquelas tramas e sendas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Inquieta, ela era arco- íris esperando sol e chuva para levantar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O vestido estava quase pronto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela olhou para a vida com um atrevimento que nunca teve antes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era só ter coragem de vestir e seguir viagem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ser mulher era peleja sem fim- pensou em descompasso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um dia ela e o vestido se entenderiam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E seria a nudez mais bonita que os olhos de um homem poderiam enxergar....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-4572794472782095601?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/4572794472782095601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=4572794472782095601' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4572794472782095601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4572794472782095601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/11/nudez-das-tramas.html' title='Nudez das tramas...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SvfIoeu5MyI/AAAAAAAAB_o/NfrVIcQAZhg/s72-c/perna.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-4190628503696059465</id><published>2009-11-08T00:54:00.006-02:00</published><updated>2009-11-08T01:42:45.359-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SvY9Du4WHEI/AAAAAAAAB_g/QwHDtrtdOQE/s1600-h/eros2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401571937410751554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 259px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SvY9Du4WHEI/AAAAAAAAB_g/QwHDtrtdOQE/s400/eros2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SvY8e9egWzI/AAAAAAAAB_Y/gnBTGMJQWsA/s1600-h/porra[1].jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A minha palavra favorita é bruma.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Gosto também de espuma e pluma.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acho impressionante qualquer palavra terminada em "uma"- parece que todas elas denotam leveza.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A palavra que eu menos gosto é pernóstico- tenho medo dela e de tudo que ela possa abarcar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O que mais me dá alento é a paisagem das montanhas de Minas, entretanto o mar olhando para dentro de mim é mistério sem fim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que mais me desanima é palavra dita sem oco, letra sem deslizamento metonímico e vida sem metáforas delirantes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O barulho que eu mais gosto é de chuva caindo na janela da minha infância. E o som que embala minha vida é samba- " e para fazer um samba com beleza é preciso de um bocado de tristeza, senão não se faz um samba, não!"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sou de Minas com bossa carioca- Descoberto é um retrato na parede que ainda me emociona&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tenho amigos de infância, saudades e vontade de seguir em frente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sem amor, humor, amizade e lealdade não me relaciono. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A minha idéia de felicidade é a imperfeição dentro do perfeito, o estranho dentro do familiar e um amor para sonhar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Minha maior extravagância é saltar de abismos e tomar brisa no rosto em dia de sol quente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O meu melhor amigo é o meu amor- e sempre será assim.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Meu herói de ficção favorito é o Freud e meu dândi predileto é Jacques Lacan.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meu outro herói marginal e contador de histórias é meu pai- metade delicadeza, metade pedra bruta. Minha fonte de doçura primeira é aridez maternal que faz flor nascer na dor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não tenho medo da morte, tenho medo da apatia. Não posso viver é sem poesia-minha viagem predileta, meu ar no sufoco da solidão, atrevimento que me impele amar sem medida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Gostaria somente, que a morte chegasse suave e lúcida e que eu tivesse tempo de dizer do meu amor aos meus queridos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas antes disso ainda há muito-uma leitura última de Alan Ginsberg que me ensinou a não ter medo de poesia, um vinho partilhado em entrega pura e plena, um olhar sincero e nu, Paris no outono, sexo com amor, Flaubert na madrugada, Thomas Mann em tarde quente, Nietzsche para quando a dúvida insiste, Guimarães Rosa e Clarice para quebrar a dureza da linguagem fria e opaca, sorvete na praça, Lucien Freud, Bacon, Adriana Varejão, Zerbini para tempos de olhos saturados de imagens prontas...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Antes disso, muito desejo contido saltando para o mundo e desbravando novos lugares.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tenho muito intervalo ainda para significar e desconstruir!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tenho dito!&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No compasso de tudo, uma música faz eco:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=FhYlBummLMg"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=FhYlBummLMg&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-4190628503696059465?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/4190628503696059465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=4190628503696059465' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4190628503696059465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4190628503696059465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/11/minha-palavra-favorita-e-bruma.html' title=''/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SvY9Du4WHEI/AAAAAAAAB_g/QwHDtrtdOQE/s72-c/eros2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-4600435715838473192</id><published>2009-11-02T23:27:00.006-02:00</published><updated>2009-11-03T00:20:15.548-02:00</updated><title type='text'>Carta do desatino....</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Su-TRrB4SgI/AAAAAAAAB-A/nTlIqFpv2Qs/s1600-h/p10100321.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399696410058181122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Su-TRrB4SgI/AAAAAAAAB-A/nTlIqFpv2Qs/s400/p10100321.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sobrara ainda um pouco de desconcerto e dois dedos de café no copo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A mesa vazia, o silêncio da manhã atravessando o sol na varanda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela ainda tentava encontrar equivalência entre os dois universos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Apaixonada pelo que lera, foi anotando tudo atrás de cada imagem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aquilo tudo era encontro- e o ressentimento era grande por isso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tivera a menor intenção de desgostosura, não!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sentou na sacada e olhou o mundo- Cão sem plumas na mão, Jean Cocteau dançando na sala. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;João Cabral virou canção- vê se pode!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Passou um tempo e Beatles na vitrola- só para respingar um pouco mais de mar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por causa de Drummond tomou mais um gole de café- o enigma era mesmo claro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Roteiro imaginário, cartografia de amor, ensaio do que nunca foi.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Bebeu feliz seu sumo- mesmo sem ele saber. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Foi bonito como nunca.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tinha lascívia e volúpia transbordando no mundo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Permaneceu agarrada no seu corpo e na sua escrita_ precisa e cirúrgica. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Queria provar de seu universo, mas era deserto naquela manhã quente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nada e silêncio- ficção contada com cara de verdade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era também mistério, solidão e descoberta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele e ela- intensidade feita de surpresa e desejo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas, o afastamento se colocara como uma necessidade profunda e urgente:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No acaso ela não sabia se era pluma ou abismo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Esperava calada um aceno....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A vida era feita de tempo, espera, memória e transformação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-4600435715838473192?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/4600435715838473192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=4600435715838473192' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4600435715838473192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4600435715838473192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/11/carta-do-desatino.html' title='Carta do desatino....'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Su-TRrB4SgI/AAAAAAAAB-A/nTlIqFpv2Qs/s72-c/p10100321.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-6667025519416754859</id><published>2009-11-01T22:50:00.008-02:00</published><updated>2009-11-01T23:20:11.018-02:00</updated><title type='text'>Carta de um desvario...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Su4zh9LnoqI/AAAAAAAAB94/uh1r-D9p6_8/s1600-h/saia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399309661715800738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Su4zh9LnoqI/AAAAAAAAB94/uh1r-D9p6_8/s400/saia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era só o sufoco do impasse invadindo a noite. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os dois ali bebendo. Devassa. Bataille. Lacan e cia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Palavra solta na boca. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Linguagem transbordando do silêncio impertinente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era mesmo ficção- e eu era mesmo amontoado de palavras, &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;letra fora do lugar, antinomia, paradoxo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era mesmo só precipitação, tentativa de minimizar a dor de existir- jeito de morrer um pouco.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era transgressão de um dia- lá não tinha acordo, barganha, sonho de varandas e jardins. Tinha oco, buraco, qualquer espaço para tampar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dia seguinte era pesadelo, encontro com o gozo do outro-&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;ela, ele, e mais um inacabado corpo gravitavam dispersos em torno do amor- delivery. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Todo mundo era ignorante da verdade da linguagem. Ninguém sabia viver.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A palavra era líquida- escorria.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A palavra era vento- doía.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ninguém ali sabia como seria -tinha desamparo de poeta, melancolia em dose de conhaque- solta mais uma, por favor!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Coração saindo pela boca- incerto e imprevísivel-&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;caiu dentro do copo vazio. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A cerveja acabou....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Onde é que se morre, vez em quando? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Diz, diz...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A linguagem falou em mim- não era eu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A palavra repensou a cena.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O corpo dela era vazado- amortizava assim o equívoco da vida bebida com urgência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vida é coisa para se morrer de vez em quando- mas só de vez em quando.....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aquilo tudo era um desvario....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-6667025519416754859?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/6667025519416754859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=6667025519416754859' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/6667025519416754859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/6667025519416754859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/11/carta-de-um-desvario.html' title='Carta de um desvario...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Su4zh9LnoqI/AAAAAAAAB94/uh1r-D9p6_8/s72-c/saia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-2932045696373321607</id><published>2009-10-30T19:09:00.026-02:00</published><updated>2009-10-31T18:14:39.643-02:00</updated><title type='text'>Os dois....</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SuyamsLGhiI/AAAAAAAAB9w/3W1A4EqnvaQ/s1600-h/bookpage-44.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398860042793813538" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 259px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SuyamsLGhiI/AAAAAAAAB9w/3W1A4EqnvaQ/s400/bookpage-44.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era um menino perdido- angustiado com a existência e com as nuances do cotidiano.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Buscava incessantemente expor- se a riscos e sofrimentos, recusando qualquer tentativa de imersão na realidade. Era herói trágico, representante em extinção de um dandismo à flor do nada. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em seu universo particular revelava uma faceta de auto- agressão, com a busca da dor e do erro como saída ao vazio do amor em sua vida. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Seu funcionamento e seu modo de existir rejeitavam qualquer tentativa linear e direta de se explicar o mundo. Ele era especial, parecia ter uma percepção aguda das coisas e da brevidade de tudo. Entendia perfeitamente aquilo que Freud dizia- viver era mesmo uma teimosia , ficar e ir, morte e vida se encarando o tempo todo - caminho na linha da navalha entre o conflito e a conciliação dessas duas tendências.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando o conheci, seu rosto já denotava um sofrimento que ia além da dor física- essa só lhe servia de alívio para essa dor inaugural de se saber humano e faltoso. Era um moço elegante- carregava junto com a dor, uma poesia cheia de som e fúria, no olhar e na fala. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tinha olhos mansos e transbordava doçura de seu coração. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Olhei para o menino e senti vontade de pousar ali naquele sofrimento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele havia me decifrado, mesmo sem saber. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu estava intrigada com esse lastro maldito que nos habita e que nos faz buscar na dor e no engodo o alívio. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Erámos bastante parecidos- tanto que era de se botar medo o encontro, mas encarei. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E através dele e com ele, pude me interrogar sobre coisas tão ternas e outras tão duras. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele caminhava com um certo desprendimento pela vida sem conseguir retê-la. Com uma fragilidade vítrea se arrastava pelos dias- no infinto de si. Não queria saber do fim, e paradoxalmente conduzia seu corpo à um estado mínimo de tensão- na linha reta da respiração, no sufoco angustiado do amor negado, velado, impossível. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tinha urgência de viver tudo de uma vez e parecia não ter um mecanismo regulador de prazer-desprazer. Não tinha filtro- só olhos abertos e espantados para as coisas e um coração grande e desejoso de afeto batendo em descompasso num peito quase sem ar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sua vida era dura, opaca, e embora ele tivesse um brilho nos olhos e um sorriso largo e afetuoso, seguia se torturando a fim de eliminar a possibilidade de sofrer por outra forma ou em graus imprevisíveis. Bebia a vida com uma urgência acelerada no gargalo e escancarava o demasiadamente humano- utilizava significantes da fantasia a fim de evitar uma castração, exibia sua miséria como pérola, mas demandava era amor. Sonhava com o dia em que ele chegaria- e chegou, mas sabia no fundo que ninguém o salvaria. Havia entre ele e as coisas um precípicio- ansiava pela proximidade reconfortante dos objetos, uma vez que nunca sentiu isso em sua vida, mas só o conseguia fazer na forma de tortura à si mesmo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era incapaz de causar dor aos outros e tinha compaixão por todos. Era bom, do bem, amoroso, quase "naif". A sua posição no mundo era só uma solução para o enigma diante do qual ele tinha que se situar como sujeito. A falta de acolhida por parte de seus primeiros objetos de amor, deixaram- no perdido e sozinho de um jeito muito peculiar- ele sabia que solidão era sina de qualquer um, mas só podia se produzir enquanto vazio, visto que não reconhecia um olhar primeiro de reconhecimento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu vi beleza ali e entendi que seus movimentos de auto- agressão eram uma tentativa de se controlar o desprazer e torná-lo previsível, visto que isso ninguém fez por ele. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando encontrou meu olhar, disse que pela primeira vez sentia- se sereno.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E eu, atônita, percebi que meu corpo se calava calmamente diante de sua serenidade- ele também era para mim o lugar de onde vem a calma.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O menino era eu- pedaço arrancado de mim. Onde ele fosse, eu estaria...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Morávamos um do lado do outro, mesma cidade- quase dentro do mesmo jardim...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-2932045696373321607?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/2932045696373321607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=2932045696373321607' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/2932045696373321607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/2932045696373321607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/10/os-dois.html' title='Os dois....'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SuyamsLGhiI/AAAAAAAAB9w/3W1A4EqnvaQ/s72-c/bookpage-44.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-2199050058325304064</id><published>2009-10-28T18:04:00.047-02:00</published><updated>2009-10-30T01:49:19.837-02:00</updated><title type='text'>Era assim....</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SujUYrQMwYI/AAAAAAAAB9o/U_DS0rvU0Uc/s1600-h/OgAAAM1L1nkClsMhhXNbCLTA2Wj7WJelDZFrM8OyreFaB8J6XmZpd9FnP4N-qhj5USOG1tFFHICqnyPD88RKlJRRjPYAm1T1UGgJy5bt_BfCtEQXJngrHCdVj4Hk.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397797673796157826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 391px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SujUYrQMwYI/AAAAAAAAB9o/U_DS0rvU0Uc/s400/OgAAAM1L1nkClsMhhXNbCLTA2Wj7WJelDZFrM8OyreFaB8J6XmZpd9FnP4N-qhj5USOG1tFFHICqnyPD88RKlJRRjPYAm1T1UGgJy5bt_BfCtEQXJngrHCdVj4Hk.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma menina-querendo ser mulher e sem lugar onde aportar, atravessou meu caminho. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era um dia de sol forte e de janela aberta. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Deixei ela se aproximar para uma "prosa mineira"- como eu sempre costumo fazer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Convidei para entrar e tomar um café.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Começou a passar todo dia para uma conversa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E eu, que gosto de histórias e de narrações gratuitas, deixei ela ficar por um tempo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As vindas da menina até a minha janela ficaram constantes, e logo percebi na criatura um tom jocoso, uma inveja ardil e um olhar perdido e triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Logo percebi também que a arrogância da menina era sua defesa à poesia dolorida do mundo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sua voz vacilava entre uma dureza inconsistente e hesitações impotentes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela se colocava num lugar apartado do mundo, numa impostura muito particular.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E, trapaceando no próprio discurso tentava se construir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas a menina- moça não tinha referência de vazio e nem de cheio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nas suas contações só um medo tremendo da vida e de se fazer. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Suas relações caóticas e frágeis só faziam evidenciar sua posição subjetiva com o Outro e sua dificuldade frente ao amor, ao desejo e ao gozo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A menina se identificou com minhas costuras de linhas e minhas linhas de costura- eu nunca soube bem como e nem onde, mas como a identificação é um traço de amor, deixei ela contar sua história e tentar - aos tropeços e soluços- ir se fazendo mulher. ( assim como é com todo mundo!)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela seguia assustada no seu "blá-blá-blá", e por intermédio das palavras, mascarava o dizer pleno- aquele que talvez, pudesse conduzi-la para a outra margem do rio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As palavras eram vividas e ditas de forma agressiva, cuja intenção mais profunda era a de ferir ou de matar, e nessa medida ela se feria também-sua fala cortava- lhe em pequenos pedaços-violentamente e insistentemente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um dia cansei- todo mundo cansa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na janela ela vinha produzir um discurso vazio: falava para não dizer nada, escamoteva o essencial, não conseguia ter acesso ao sentimento mais terno de carinho e afeto. Só sabia contar, aquilo que racionalizava o movimento interior. Fazia um deslocamento de uma dificuldade afetiva essencial- ela tinha medo de amar, tinha medo de sofrer, se sentia rejeitada pelo mundo e amava em segredo; sem acesso ao significado disso em sua vida. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Encobria esse amor com uma hesitação formal, tinha uma relação de defesa e asco com tudo que podia ser sentido no tocante ao desejo-carregava uma "virgindade de ser mulher"- ali recalcava pulsões sádicas de seu caráter, que transbordavam letra por letra de sua mão pequena e trêmula. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela encontrou como saída única um caminho colérico de sofrimento expressado por uma agressividade desesperada e uma recusa de renuncia à onipotência- não sabia ser castrada e nem desejava saber, alienada que estava de sua posição de objeto fálico para sua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Naquilo que tentava ser, ia se debatendo com suas violentas pulsões, diante do problema que a libido materna despertava nela- era sempre uma reticência causada por uma imensa angústia interior.Dizia- se perseguida- e só consegui escutar tal perseguição vinda da relação abusiva de sua mãe com ela. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tive compaixão da menina, porque sabia que ser mulher, não era lá tarefa das menos custosas. Sentia sempre uma alusão à angústia de castração-permanente no seu falar. Ela era assustada e não tinha pouso para tanto medo. Passava dias invadindo a vida dos outros e tentando controlar aquilo que lhe escapava pelas bordas. Não sabia viver sua sexualidade, e balbuciava um dizer que veiculava o simbólico, mas sem saber que é quando encarnamos este falar no corpo que se inscreve a pulsão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E é preciso ir além-a coisa fala antes do pensar,o corpo fala antes do sentido. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;História sem honestidade não é digna de ser partilhada. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A fala vazia aponta para uma alma rasa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mesmo com dó da menina, fechei a janela. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para ascender ao feminino é preciso dignidade e coragem- ir do sentido do dito ao dito do sentido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Só vale assim... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-2199050058325304064?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/2199050058325304064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=2199050058325304064' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/2199050058325304064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/2199050058325304064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/10/era-assim.html' title='Era assim....'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SujUYrQMwYI/AAAAAAAAB9o/U_DS0rvU0Uc/s72-c/OgAAAM1L1nkClsMhhXNbCLTA2Wj7WJelDZFrM8OyreFaB8J6XmZpd9FnP4N-qhj5USOG1tFFHICqnyPD88RKlJRRjPYAm1T1UGgJy5bt_BfCtEQXJngrHCdVj4Hk.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-865788804203007666</id><published>2009-10-27T01:35:00.009-02:00</published><updated>2009-10-27T01:56:30.155-02:00</updated><title type='text'>Cisma de vazio....</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SuZvKDVIx1I/AAAAAAAAB9g/wOkeeOzl-yA/s1600-h/eros.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397123421933455186" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 260px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SuZvKDVIx1I/AAAAAAAAB9g/wOkeeOzl-yA/s400/eros.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Duas da manhã e com a garganta seca, ela sucumbia em dúvidas&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era sujeito sem lugar, era beleza outonal, cisma de vazio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não encontrava habitação no outro&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ninguém podia entender aquilo que sua alma revelava- desvelava.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era a beleza e a dor de se gostar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sabia que é a partir do outro &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;que formularia uma questão sobre a existência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Insistia no amor como inscrição mínima de ser.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Num dialeto particular tentatava se comunicar com o mundo- aqui e ali.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas ninguém- nem ele, sabia &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Objeto para ser decifrado todo mundo tinha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele também era: -divididido-&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele também soluçava e olhava assustado seu fantasma fundamental&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No final sempre fica assim:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ninguém- nem eu, nem ele, nem outro- ninguém mesmo,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;escamoteia aquilo que quer&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Daquilo que a gente mais foge, &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;é onde mais desejamos estar.....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-865788804203007666?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/865788804203007666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=865788804203007666' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/865788804203007666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/865788804203007666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/10/cisma-de-vazio.html' title='Cisma de vazio....'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SuZvKDVIx1I/AAAAAAAAB9g/wOkeeOzl-yA/s72-c/eros.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-3828205237901386986</id><published>2009-10-24T01:38:00.002-02:00</published><updated>2009-10-24T02:01:15.790-02:00</updated><title type='text'>Ainda....</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SuJ7xkf8H4I/AAAAAAAAB9Y/cF_sqa-NEIw/s1600-h/madeline.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5396011395084722050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 296px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SuJ7xkf8H4I/AAAAAAAAB9Y/cF_sqa-NEIw/s400/madeline.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Parou diante do absurdo-&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;nunca havia se percebido enquanto gozo do outro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De dentro dela transbordava uma dor de mar inteiro-&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;dor que escapava à nomeação inaugural&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela olhou para o mundo e descobriu que ainda não sabia ser gente&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela era osso doendo, abcesso aberto à existência da carne, amor querendo virar verbo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Habitava um planeta particular- &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;lá caminhava resignada entre a militância do ter e a nostalgia do ser.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Perdeu muito nessa vida, sabia bem pouco ganhar&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;ainda estava aprendendo no corpo que carregava ecos de vivências não significantizadas&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;essa coisa de amar, de dar aquilo que nem se sabe, de encontrar a paisagem onde a serenidade pousa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Rastejava no raso da vida, caminhando no real do real- lá onde nem há operação da linguagem&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lá no vazio da pergunta, e na pergunta do vazio, ela insistia viver&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sabia quase nada dessa peleja de ser mulher- ia vivendo e apostando- tinha muita saída não, senhor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Procriação era coisa séria- botar rebento na terra, se nem ela- era.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na lógica fálica do ter recusou remedar toda gente- sabia que procriação não era lá- Dom. Era Tom- coisa de sutileza mínima, de se pensar com cuidado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sabia da dor e da beleza de ir se fazendo e da impossibilidade de resposta ao enigma do feminino.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E assim seguia&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;permanecia pouco nos lugares confortáveis que construiu para si&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era inquieta, plural e acreditava pouco nas certezas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na transparência e na emergência da falta, a resposta vinha em forma de pergunta&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desejar era sua sina- e num buraco de si,em qualquer reetrância, queria gozar o restante do intervalo entre o nascer e morrer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era mulher-mesmo sem saber. Desejava ser.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E entre a tal nostalgia do ser e a militância do ter, foi se recriando.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Parou e respirou letra por letra-de gritos mudos fez sua poesia caótica.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um homem escreveu em sua alma a palavra que a inaugurou.....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era mulher- mesmo sem saber....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-3828205237901386986?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/3828205237901386986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=3828205237901386986' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/3828205237901386986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/3828205237901386986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/10/ainda.html' title='Ainda....'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SuJ7xkf8H4I/AAAAAAAAB9Y/cF_sqa-NEIw/s72-c/madeline.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-8836038873346703903</id><published>2009-10-17T02:08:00.002-03:00</published><updated>2009-10-17T02:19:25.600-03:00</updated><title type='text'>Hoje...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/StlTyAHFVnI/AAAAAAAAB7k/9J63_f5JHVY/s1600-h/OgAAAP7ZFhuq93j8-CNOHKQpdFJjvKoJWcZ-1AvW4ktfBM7AqIaXUaPClhjvryYkJNmyKQQ0SS8pEPTNOOFI5wZoPVQAm1T1UKpiOKxhv-kj7dZXBXQWb6YEZZq4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5393434147241154162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 399px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/StlTyAHFVnI/AAAAAAAAB7k/9J63_f5JHVY/s400/OgAAAP7ZFhuq93j8-CNOHKQpdFJjvKoJWcZ-1AvW4ktfBM7AqIaXUaPClhjvryYkJNmyKQQ0SS8pEPTNOOFI5wZoPVQAm1T1UKpiOKxhv-kj7dZXBXQWb6YEZZq4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Chegou como brisa e partiu feito ventania&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Deu sem possuir&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Errante, passou pelos meus caminhos também tortos&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Flutuante vacilou no seu desejo, mas amou&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Delirante, plural, nômade&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com jeito sublime e boêmio, criou lugar&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pintou futuro, fotos e junto chorou de saudades do que ainda viria&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De graça e sentido preencheu vazios dilacerantes&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fez amor virar verdade e seguiu seu vôo surrealista no espaço....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tem jeito e cara de poesia que hoje insiste...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;" A gente só entende bem, aquilo que a gente não entende...."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;( Guimarães Rosa sabia...)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-8836038873346703903?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/8836038873346703903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=8836038873346703903' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/8836038873346703903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/8836038873346703903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/10/hoje.html' title='Hoje...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/StlTyAHFVnI/AAAAAAAAB7k/9J63_f5JHVY/s72-c/OgAAAP7ZFhuq93j8-CNOHKQpdFJjvKoJWcZ-1AvW4ktfBM7AqIaXUaPClhjvryYkJNmyKQQ0SS8pEPTNOOFI5wZoPVQAm1T1UKpiOKxhv-kj7dZXBXQWb6YEZZq4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-5734046086522812718</id><published>2009-10-14T22:34:00.019-03:00</published><updated>2009-10-15T00:39:48.990-03:00</updated><title type='text'>A beleza perene de tudo....</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/StaZNhz5fXI/AAAAAAAAB7c/j62SJWem9do/s1600-h/OgAAAGyIf9P3dlrp-eIWIdYUBSWJRMNvFD0e6kCTrxoQj9jWbm2EfkcXIJ_w_k1zUUAH7jX3kUMu0wTIsMQTYb1wHkoAm1T1UOaFJQ4q3PSdCjSwhB35wGrblSME.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392666061516143986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 278px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/StaZNhz5fXI/AAAAAAAAB7c/j62SJWem9do/s400/OgAAAGyIf9P3dlrp-eIWIdYUBSWJRMNvFD0e6kCTrxoQj9jWbm2EfkcXIJ_w_k1zUUAH7jX3kUMu0wTIsMQTYb1wHkoAm1T1UOaFJQ4q3PSdCjSwhB35wGrblSME.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nunca entendi muito bem o elemento mágico que nos amarra simbolicamente a quem amamos. E também sempre foi mistério para mim as artimanhas do coração. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Só parar para pensar: você está ali distraída, pensando em trabalho, viajando, lendo um livro e de repente, alguém te olha, alguém mexe com você e num minuto você enxerga a cintilância sedutora do outro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Minhas histórias de amor sempre foram as menos convencionais, contando também o fato de ficarem ainda mais esquisitas por conta da cidade de onde venho: Descoberto- uma simpática cidade mineira católica e bucólica. Lá, geralmente, as histórias são lineares e previsíveis, mas como diz minha mãe: " cada um sabe qual é o melhor sapato para seus pés cansados ", e não dá para julgar as escolhas de ninguém. Sei que eu, sempre muito atrevida, flertando sem medo com a dor e a estranheza da vida , tive vontade de ir longe e de amar mais subversivamente. C 'est la vie !&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Bem mais tarde, entendi que na distância que eu me mantive dos meus amores primeiros e mineiros, havia muito do meu desejo. Fui buscar longe a cena de felicidade que havia na minha memória. E, a primeira vez que amei, descobri, assim como Fernando Pessoa, que no fundo da alma está um quadro: é uma cena de felicidade; e que, o amor, acontece quando, repentinamente, ao vermos um rosto, temos a conviccção de estarmos encontrando o rosto que está na cena de felicidade da alma: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;" Quando te vi amei-te já muito antes/ Tornei-te a achar-te quando te encontrei/ Nasci para ti antes de haver o mundo&lt;/em&gt;. "&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A mais bela declaração de amor já feita. De fato, a paixão acontece quando o rosto real à minha frente coincide, na minha fantasia, com a imagem perdida que busco para completar a cena. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi assim que nasceu o grande amor da minha vida- da imagem poética que vi no rosto dele. E até hoje, quando lembro daquela primeira imagem, meu coração entra em desatino e lateja de saudade da primeira vez- aquele momento onde você olha e descobre atônita, que alguma coisa naquele olhar vai mudar sua vida. Aquele momento único e efêmero, onde um moço desajeitado invade violentamente sua vida e você percebe que é sem volta. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Você ama.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E com ele, vive e morre de amor. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Você ama.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E passa a viver num lugar, onde nunca bastam as palavras para dizer da beleza perene de tudo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Você ama.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E deseja, calada, que as palavras possam voar e se transformar em gestos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-5734046086522812718?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/5734046086522812718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=5734046086522812718' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/5734046086522812718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/5734046086522812718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/10/beleza-perene-de-tudo.html' title='A beleza perene de tudo....'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/StaZNhz5fXI/AAAAAAAAB7c/j62SJWem9do/s72-c/OgAAAGyIf9P3dlrp-eIWIdYUBSWJRMNvFD0e6kCTrxoQj9jWbm2EfkcXIJ_w_k1zUUAH7jX3kUMu0wTIsMQTYb1wHkoAm1T1UOaFJQ4q3PSdCjSwhB35wGrblSME.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-7331623614795066614</id><published>2009-10-13T19:39:00.014-03:00</published><updated>2009-10-13T21:40:14.009-03:00</updated><title type='text'>Dos encontros...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/StUdBruBQPI/AAAAAAAAB7U/_ohIZe6WdhA/s1600-h/OQAAAHiTExxzuC978m_mzRsxoW3xmVu6TWG1ns4Ht4JzsvlZEHAU2IhwO7f6thCcR7tEgJ2K8cJNiOUhlysXPDXTRcYAm1T1UMoRFdouCPmnNpfqLHdy8mARbCJ8.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392248043598856434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 324px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/StUdBruBQPI/AAAAAAAAB7U/_ohIZe6WdhA/s400/OQAAAHiTExxzuC978m_mzRsxoW3xmVu6TWG1ns4Ht4JzsvlZEHAU2IhwO7f6thCcR7tEgJ2K8cJNiOUhlysXPDXTRcYAm1T1UMoRFdouCPmnNpfqLHdy8mARbCJ8.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hoje, um texto bonito de um amigo me fez lembrar de minha infância. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fiquei pensando no quanto eu sempre fui esquisita, e em como, ao longo da vida, fui ficando, para alguns, cada vez mais estranha e diferente. E no quanto, hoje, isso é uma marca, um estilo, um jeito de não transigir com algumas coisas inaceitáveis e que me agridem eticamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lembrei, assim como ele, que na infância chorava durante horas a fio, e também não havia ninguém por perto para perceber. Lêda, a minha primeira babá amorosa e querida, me "abandonou" por contingências da vida, quando eu ainda não podia simbolizar muito uma perda. Sofri calada, sem saber que dali em diante, uma sucessão de perdas encheriam a minha vida de dor, mas de novos sentidos. Fui crescendo entre essa dor aguda e uma alegria sincera pelo novo.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Todo símbolo para mim é, desde então, "alegre- triste". Alegre por lembrar a coisa amada, triste por ser o lugar onde ela não está.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Perdi meu avô materno ainda pequena, numa época onde ele era "quase tudo"" que eu tinha: meu amor, minha referência de mundo, meu exemplo, meu herói. Aprendi cedo a me despedir dos que amei e a frequentar velórios de pessoas queridas, e sempre fiquei interrogada com aqueles momentos: achava tudo tão triste para ser uma despedida, e pensava que um velório deveria ter a beleza dolorida e poética do outono- toda a beleza de um último adeus. Desejei não ser enterrada em ataúde e tinha claustrofobia com a idéia de ficar trancada numa caixa. Isso me causa arrepios até hoje, embora eu tenha uma outra dimensão do que é morrer, prefiro pensar nas minhas cinzas soltas ao vento, num vôo bonito, lançadas sobre o mar, colocadas ao pé de uma árvore da infância- acho um símbolo de leveza, de liberdade e de vida. Acho que seria uma viagem mais coerente com a minha postura inquieta e desassossegada diante dos mistérios do mundo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dia desses, uma pessoa comentou comigo que tem pânico de viajar, porque gosta de lugares onde tudo já está decifrado e eu pensando com meus botões que eu morro de medo, tenho pavor mesmo é desses tais lugares onde tudo já está decifrado. Por isso tenho a urgência de voar e de "conhecer- desconhecer" o mundo ao meu redor. Tenho asas nos pés, alma cigana e um olhar, que tem horror à gaiolas e grades. Gosto de ver longe e perceber " as várias tonalidades do espectro emocional, entre a alegria e a dor".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desde cedo, também tenho uma forma aguda de pressentir as dores do mundo e uma exacerbação emocional, sem continente adequado. Procurei, com alguma dificuldade, fazer com isso e inscrever meu desejo no mundo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sei que o quê me alegra sinceramente é encontrar gente que, como eu, gosta de um certo desalinho e foge dos lugares subjetivos convencionais. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Saber que tudo é transitório, faz esses encontros serem ainda mais especiais e faz qualquer viagem mais bonita.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E, saber da efemeridade da vida, me fez amar mais e melhor. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-7331623614795066614?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/7331623614795066614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=7331623614795066614' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/7331623614795066614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/7331623614795066614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/10/dos-encontros.html' title='Dos encontros...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/StUdBruBQPI/AAAAAAAAB7U/_ohIZe6WdhA/s72-c/OQAAAHiTExxzuC978m_mzRsxoW3xmVu6TWG1ns4Ht4JzsvlZEHAU2IhwO7f6thCcR7tEgJ2K8cJNiOUhlysXPDXTRcYAm1T1UMoRFdouCPmnNpfqLHdy8mARbCJ8.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-2894276851194271989</id><published>2009-10-07T00:36:00.053-03:00</published><updated>2009-10-07T20:00:33.003-03:00</updated><title type='text'>O amor depois de Paris e sempre....</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Ss0b8udp2_I/AAAAAAAAB7M/zaVH1AriCAc/s1600-h/mau+imprevisivel.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389995059110861810" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Ss0b8udp2_I/AAAAAAAAB7M/zaVH1AriCAc/s400/mau+imprevisivel.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Ss0bnrLyz4I/AAAAAAAAB7E/GWwMi4vbOts/s1600-h/eu+no+jardim+1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389994697453391746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Ss0bnrLyz4I/AAAAAAAAB7E/GWwMi4vbOts/s400/eu+no+jardim+1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Ss0bYhRTCnI/AAAAAAAAB68/qj9SXk2iq_k/s1600-h/mau+na+avenida.....JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389994437094083186" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Ss0bYhRTCnI/AAAAAAAAB68/qj9SXk2iq_k/s400/mau+na+avenida.....JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Paris é um lugar que faz a gente se encantar, mas ao mesmo tempo lembrar dos versos malditos de T.S. Eliot: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;" Livra- me da dor da paixão não satisfeita, e da dor- infinitamente maior da paixão satisfeita..."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sim, porque tudo lá tem um gosto doce, daquilo que ainda falta para se conhecer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Paris atordoa os sentidos e desperta paixões. E me fez pensar, que talvez a medida exata das coisas, esteja não na renúncia estóica das paixões, mas na ética que aposta na vida, mesmo sabendo o tanto de paixão e renúncia, que há em cada ato humano.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não há como fugir da vida e é digno e heróico viver, mesmo sabendo que isso, comporta inevitavelmente um tanto de insatisfação e dor. O encontro é possível quando se sabe transitar entre os domínios sutis do amor e da paixão, mesmo sabendo que no caminho há tropeços, terremotos e muitas dúvidas. O amor acontece nas instabilidades, principalmente. ( embora, a gente tenha como costume acreditar nos comerciais de margarina!)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E é claro, que dá para desejar a mais verdadeira e bonita das paixões- aquela que transforma a nossa vida, mesmo que dure pouco, mas que tenha intensidade para causar e interrogar; mas dá também para desejar um amor calmo e construído, sem que nada seja tolo ou menos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dá para se encantar e sentir- se quase cego- amar urgentemente como se antes só existisse um ruído surdo e vazio de sentido, mas é também possível e legítimo, amar com calma e delicadeza e viver uma experiência colorida, luminosa, que abarca muitos sentidos de uma só vez. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dizem, que a gente nunca esquece o homem que nos leva até Paris pela primeira vez, ainda mais quando é um amor tão pungente e especial. Eu acho que o quê acontece é que mesmo que o cotidiano deixe de ser uma coação mágica, invencível e fatal para quem, de fato, ama; Paris faz reavivar qualquer amor, mesmo com toda a flutuação involuntária de nossos desejos no cotidiano; a gente redescobre que é sempre possível amar, quando abrimos mão de nosso narcisismo, e quando conseguimos, ainda que, minimamente, lidar com a falta e com a angústia de existir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Adauto Novaes, no livro " Os sentidos da paixão", diz que na paixão espero encontrar um ser que me completa , cujos desejos são meus desejos- alguém que chega para me salvar da condição solitária que é a própria condição humana. Diz ainda, que a paixão é auto-erótica e narcísica, e vive mergulhada no registro imáginario idealizando relações onde o Outro só existe a partir de si mesmo. Pois bem, eu concordo e acho que, quando amamos descobrimos encantados e com alguma dor, que ninguém nos salva da vida-e é aí que reside toda a beleza, a poesia e a tragédia de amar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Só quando sofre- se as desilusões da fantasia é que o amor se instala. E, amar, sejamos justos, é coisa para gente corajosa e subversiva, porque a "sociedade do narcisismo" na qual vivemos nos diz- como aponta Lasch- que "se eu não posso amar e gozar de meu sexo, se não posso transformar o mundo a partir de meu ódio, se não encontro um destino menos neurótico para as minhas paixões, a civilização burguesa me propõe que invista libidinalmente em mim mesma."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E, quando, permanecemos no narcisismo, a demanda de amor não encontra o caminho do amor, o desejo de contato não se satisfaz no contato, porque não aguenta as evidências de castração que qualquer convivência traz. Quem não se desamarra um pouco desse narcisismo e de algumas identificações que carrregamos como troféus ao longo da vida, não sabe amar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para amar, é preciso desejar aquilo que sempre me escapa, mas saber também que aquilo que eu já tenho e penso possuir tem asas misteriosas e encantadas. Ama- se alguém, quando se suporta chegar ao ápice da paixão, mas tolera- se também declinar no momento delicado de encontro com a falta. E do declínio, saber sustentar um "savoir- faire" com o vazio, e daí poder se deparar com a imperfeição no outro, que remete a nossa própria imperfeição.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para amar,tem que ter garra, gana, vontade, desejo, porque o amor faz reabrir a ferida narcísica e reintroduz a falta. Não é tarefa fácil desejar...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sei que, estar com alguém não é ter papel assinado em cartório, casa própria, burocracias, garantias e certezas. Essas coisas acontecem mais por contigência. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Amor de verdade, não é feito de gaiolas e promessas, mas do vôo secreto das aves....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E eu, sempre, vou achar mais honesto e poético Vinícius, do que as tristes e enfadonhas bençãos religiosas :&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- " o que Deus uniu, o homem não separa.." &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Deus me livre disso, como dizia minha avó!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;" Que seja eterno enquanto dure...."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Sempre!!!!!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-2894276851194271989?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/2894276851194271989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=2894276851194271989' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/2894276851194271989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/2894276851194271989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/10/o-amor-depois-de-paris-e-sempre.html' title='O amor depois de Paris e sempre....'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Ss0b8udp2_I/AAAAAAAAB7M/zaVH1AriCAc/s72-c/mau+imprevisivel.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-2327373195451657291</id><published>2009-10-04T22:37:00.010-03:00</published><updated>2009-10-04T23:46:16.484-03:00</updated><title type='text'>Paris para quem vê....</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SslSgPH1zPI/AAAAAAAAB60/3Mj-HQbFCOk/s1600-h/epicerie.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5388929142894218482" style="DISPLAY: block; 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MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SslRjt-6gjI/AAAAAAAAB50/1x5KeiijIzM/s400/st+germain.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava aqui pensando que existem várias "Paris".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Existe a Paris dos parisienses, a Paris cosmopolita, a tradicional, a turística- essa um tanto sem charme é aquela de quem imagina que Paris é a Torre ou a mega avenida consumista Champs Eliseés.  Essa é a Paris de quem é raso, coisa que não combina com Paris, mas voilá....&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A" minha Paris" definitivamente não é a turística, embora eu tenha olhado tudo com olhos novos e frescos, nunca me senti tão parte de um lugar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lendo "Paris é uma festa" tive certeza, que "minha Paris" é parecida com a de Hemingway. Acho que também com a de Joyce, Pound e Fitzgerald, escritores para os quais a literatura era coisa sagrada e condição da existência. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Paris não é para leitores óbvios, é lugar para quem gosta das entrelinhas e das sutilezas e para quem tem sofisticação de espírito. Cidade para quem pode, graças à errância, com ela se surpreender. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Achei a melhor definição num livro de Henry Miller- "Dias tranquilos em Clichy", onde ele compara Nova York e Paris. Nova York é a velocidade, a vertigem e nenhum lugar tranquilo para se sentar. Paris é maravilhosa, indolente, preguiçosa, fina, indiferente, mais sedutora que vistosa. De fato, a cintilância de Paris é despretenciosa e esse foi o traço que mais me encantou. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fiquei maravilhada com a Paris da surpresa- aquela que se ilumina de repente, num lusco- fusco do desejo e faz o cinza ser uma cor de onde podemos ver e rever todas as outras antes vistas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sempre ouvi dizer que os mineiros gostam de Paris.  Deve ser porque o mar de Minas é no céu, prá gente olhar para cima e navegar, sem nunca ter um porto onde chegar. Pois bem, eu amei e fui reconduzida para o "meu país da infância", me senti uma exilada com desterro voluntário, uma estrangeira que acredita que que essa condição humana é um privilégio- "pertencimento- estranhamento" que fazem a gente olhar para dentro e viver uma experiência mágica e inominável como nenhuma outra. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Sena tem uma importância única para os parisienses- é coisa que transborda, vida pulsando, palavra abissal- água que vem de dentro e escapa num infinito de simbolismos e sentimentos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Minas  também é dentro e fundo, e depois disso entendi a simpatia dos mineiros por Paris. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Achei o céu da minha infância parecido com o céu de Paris.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bom, mas só enxerga céu de Paris, quem tira os olhos do chão....&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hemingway dizia que quando sentia fome em Paris, olhava para o céu e conseguia ver e entender os quadros de Cézanne. Mas o que era ter dor no estômago quando a fome o iluminava?&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E tudo vale a pena em Paris, porque a gente sempre recebe algo em troca do que dá. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Paris é muito generosa, sinto decepcionar....&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-2327373195451657291?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/2327373195451657291/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=2327373195451657291' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/2327373195451657291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/2327373195451657291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/10/paris-para-quem-ve.html' title='Paris para quem vê....'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SslSgPH1zPI/AAAAAAAAB60/3Mj-HQbFCOk/s72-c/epicerie.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-4180198293572438253</id><published>2009-09-26T02:04:00.005-03:00</published><updated>2009-09-26T02:18:16.088-03:00</updated><title type='text'>Paris sempre...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sr2j3ZGVDEI/AAAAAAAAB5s/uUF3jIvkqAk/s1600-h/eu+na+boulangerie.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385640901430545474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sr2j3ZGVDEI/AAAAAAAAB5s/uUF3jIvkqAk/s400/eu+na+boulangerie.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sr2jvMwueVI/AAAAAAAAB5k/oDuLOBqsyDs/s1600-h/eu+com+brochinho+1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385640760679758162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sr2jvMwueVI/AAAAAAAAB5k/oDuLOBqsyDs/s400/eu+com+brochinho+1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sr2jpIrfC2I/AAAAAAAAB5c/RYE7sqQcC90/s1600-h/Brochinho.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385640656504818530" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sr2jpIrfC2I/AAAAAAAAB5c/RYE7sqQcC90/s400/Brochinho.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sr2jRd7C5RI/AAAAAAAAB5U/Y58bwm-RiNE/s1600-h/Luxemburgo.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385640249890366738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sr2jRd7C5RI/AAAAAAAAB5U/Y58bwm-RiNE/s400/Luxemburgo.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estive andando na Paris de Hemingway e ela é mesmo uma festa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Circulei por lá com Joyce e Fitzgerald na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Me perdi nos diferentes quarteirões e pela margem do Sena. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vi o desabrochar do outono com suas árvores indo do verde clarinho ao amarelo- ocre. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sentei nas praças e fui aos bares para tomar um bordeaux ou um beaujolais. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Me perdi em Paris para me descobrir, e a cada passo, me surpreendi....&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-4180198293572438253?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/4180198293572438253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=4180198293572438253' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4180198293572438253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4180198293572438253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/09/paris-sempre.html' title='Paris sempre...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sr2j3ZGVDEI/AAAAAAAAB5s/uUF3jIvkqAk/s72-c/eu+na+boulangerie.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-1892460372184744446</id><published>2009-09-25T01:37:00.004-03:00</published><updated>2009-09-25T02:00:23.522-03:00</updated><title type='text'>Ainda Paris...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SrxJ1UfwmBI/AAAAAAAAB5M/WzDHL1xIfqU/s1600-h/1206_thumb.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385260434812082194" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 276px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SrxJ1UfwmBI/AAAAAAAAB5M/WzDHL1xIfqU/s400/1206_thumb.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A temporada em Paris me leva por caminhos já trilhados, mas também me induz a percorrer tantos desconhecidos e novos. Ainda atordoada com a beleza de tudo procuro palavras para poder descrever meu encantamento- da vida para o texto e do texto para a vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Prometo em breve, mostrar a Paris que eu vi- não a dos guias, mas aquela que insere a marca do estrangeiro e do familiar; a Paris de qualquer um- da rua, do bar, dos mercados, dos jardins.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Precisamente, me é dado estranhar. Sendo assim, gosto de viajar pelo desconhecido e enigmático.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E Paris é para quem tem como marca a possibilidade de se estranhar e se interrogar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Revirando minhas coisas na tentativa de escrever e de me encontrar, achei uma carta bonita do meu pai. Li e me emocionei com um trecho demasiadamente simples, mas muito sincero. Nem me lembrava disso. Enfim:&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;"Custa tanto ser uma pessoa plena, que muito poucos são aqueles que tem a luz ou a coragem de pagar o preço...é preciso abandonar por completo a busca da segurança e correr o risco de viver com os dois braços abertos. Sim, é preciso abraçar o mundo como um amante, mas aceitar a dor como condição da existência. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;É preciso também cortejar a dúvida e a escuridão como preço do conhecimento e ter uma vontade obstinada no conflito, mas também uma capacidade de aceitação total de cada consequência do viver e do morrer." &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Termino o dia escutando Jane Birkin e Serge Gainsbourg( nada mais Paris!). Escutem comigo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt; Aqui ó:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=sHiMDB19Dyc"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=sHiMDB19Dyc&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-1892460372184744446?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/1892460372184744446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=1892460372184744446' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1892460372184744446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1892460372184744446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/09/ainda-paris.html' title='Ainda Paris...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SrxJ1UfwmBI/AAAAAAAAB5M/WzDHL1xIfqU/s72-c/1206_thumb.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-4466087146758221813</id><published>2009-09-23T18:40:00.004-03:00</published><updated>2009-09-23T19:01:50.567-03:00</updated><title type='text'>Paris e meu arrebatamento...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Srqanlqk2BI/AAAAAAAAB5E/PaVJ604TrE4/s1600-h/OgAAACxAqnJaLiFNNddsB5KNHqqoSICmIJhbq9O5fND4p0fDucX2YNt_4QoM90sf9goojqKA9pg5ZwYvuUDXyhK4ATcAm1T1UADJXMEsWVYao8l3gMxXXJG0qYve.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384786309391112210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Srqanlqk2BI/AAAAAAAAB5E/PaVJ604TrE4/s400/OgAAACxAqnJaLiFNNddsB5KNHqqoSICmIJhbq9O5fND4p0fDucX2YNt_4QoM90sf9goojqKA9pg5ZwYvuUDXyhK4ATcAm1T1UADJXMEsWVYao8l3gMxXXJG0qYve.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; ( Paris tem Jane Birkin e Serge Gainsbourg...precisa de mais nada e tem mais tudo!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Cheguei em casa, mas nunca senti uma sensação de pertencimento tão grande como a que senti quando cheguei em Paris. Estava cansada, exausta, mas quando vi cintilar os primeiros prédios e as primeiras árvores meu coração bateu em descompasso....estava apaixonada!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nunca vou esquecer a magia da primeira visão do Sena. Impossível esquecer o que nasce das entranhas do nosso desejo. Se existe isso de reencarnação, eu morei em Paris na vida passada, eu nasci e renasci em Paris muitas vezes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lá eu tive vontade de dizer para um grande amor: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;" Você é minha palavra solta, meus gestos mais sinceros, os meus sorrisos entregues.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para você eu rasgo as minhas verdades mais profundas e não exijo respostas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Continuarmos juntos, será, tão- só conhecer belezas sempre novas..."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tive vontade!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando olhei para o Sena eu pensei: '' caminhei a vida toda para chegar até aqui..."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não sabia bem onde estava chegando e o quê era que se movimentava numa celeridade absurda dentro de mim, mas me deixei levar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Só sabia que havia chegado até ali cheia de sonhos e medo, com muitas inseguranças e dúvidas, lágrimas e sorrisos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sei que alguma coisa aconteceu dentro de mim, sem que eu pudesse perceber, quase sem querer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Algo tão grande que não se pode expressar por palavras e tão forte que ficará para sempre cravado em minha vida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Durante minha vida toda muitas coisas aconteceram, muitas vidas passaram por mim, muitos sonhos vingaram, muitos amigos se foram, muitas alegrias foram celebradas. Perdi pessoas muito importantes, sofri, chorei, vacilei no meu desejo, mas depois de Paris não tenho medo de seguir adiante e nem de olhar para trás e aprender com tudo que vivi..&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tem encontros que mudam a vida da gente- acabo de constatar!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nada mais bonito para se ouvir do que "La vie en rose" aqui ó:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=rKgcKYTStMc"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=rKgcKYTStMc&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-4466087146758221813?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/4466087146758221813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=4466087146758221813' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4466087146758221813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4466087146758221813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/09/paris-e-meu-arrebatamento.html' title='Paris e meu arrebatamento...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Srqanlqk2BI/AAAAAAAAB5E/PaVJ604TrE4/s72-c/OgAAACxAqnJaLiFNNddsB5KNHqqoSICmIJhbq9O5fND4p0fDucX2YNt_4QoM90sf9goojqKA9pg5ZwYvuUDXyhK4ATcAm1T1UADJXMEsWVYao8l3gMxXXJG0qYve.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-5698897463565024017</id><published>2009-09-23T01:15:00.002-03:00</published><updated>2009-09-23T01:29:39.349-03:00</updated><title type='text'>Ah, Paris....</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SrmkFb3TrLI/AAAAAAAAB48/XVnNr9tmjPw/s1600-h/tour-eiffel-1-520x780.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384515242784173234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 267px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SrmkFb3TrLI/AAAAAAAAB48/XVnNr9tmjPw/s400/tour-eiffel-1-520x780.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Alô, alô, acabo de botar os pés na realidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Cheguei de um sonho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Paris é mesmo uma festa, linda, chiquérrima e transborda cultura.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tem arquitetura deslumbrante, a melhor comida do mundo, gente fina, elegante e bem- vestida....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Paris atordoa os sentidos. Ainda estou absorvendo tudo que vi e vivi. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estou ainda comovida com a música que continua tocando no meu coração. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fui atravessada por um sentido de beleza que nunca tinha acontecido antes. Lembrei- me de Milan Kundera lá:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;""O homem compõe sua vida segundo as leis da beleza, mesmo nos instantes do mais profundo desespero..."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Paris é perigosa- a gente fica transtornado, enfeitiçado. Eu fiquei dominada por um desejo de sair pelas ruas abraçando todo mundo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Paris é mesmo o lugar do amor...Foi um encontro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Enquanto as postagens com fotos e novidades não chegam, dá para ouvir Serge Gainsbourg aqui ó:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=PH446iuE8V0"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=PH446iuE8V0&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-5698897463565024017?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/5698897463565024017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=5698897463565024017' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/5698897463565024017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/5698897463565024017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/09/ah-paris.html' title='Ah, Paris....'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SrmkFb3TrLI/AAAAAAAAB48/XVnNr9tmjPw/s72-c/tour-eiffel-1-520x780.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-3928131857362582360</id><published>2009-09-05T01:37:00.014-03:00</published><updated>2009-09-05T02:23:56.768-03:00</updated><title type='text'>Sobre psicanálise lacaniana e desejo...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SqH14TATr8I/AAAAAAAAB3s/TlIolajaZyY/s1600-h/acidente-29.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377849777580126146" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 188px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SqH14TATr8I/AAAAAAAAB3s/TlIolajaZyY/s400/acidente-29.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A psicanálise surge da ambivalência e da incoerência e direciona seu olhar para o homem com todas as suas contradições. Pensando a psicanálise, eu penso sobretudo o quê é ser humano e as consequências disso.Para Freud, e depois para Lacan, é a partir dos tropeços e do inconsciente que o homem pode ser configurado como sujeito. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hoje vivemos uma obliteração do sujeito como signo de uma época, visto que isso se encontra impresso nas ações e nos sintomas contemporâneos. Fazemos parte de uma sociedade deprimida, que faz calar o desejo de se engajar e de se posicionar na sua singularidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A modernidade nasce de uma necessidade de rompimento com a tradição e com uma ânsia de autonomia, mas, muitas vezes, o sujeito se perde aí.A psicanálise, está imbuída desse espírito de se comprometer na busca da verdade do sujeito- daí sua face de não- conformidade em contraposição à falta de perspectivas realmente libertárias dos tempos atuais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A juventude contestatória que fez o" maio de 68" está silenciada- será por quê?Será que tudo já foi dito? Freud, de alguma forma já tinha questionamentos parecidos no texto " O mal- estar na civilização".Pois bem-a formulação do inconsciente muda radicalmente a concepção que o homem tinha de si: ele não pode mais ignorar as forças imperativas que o constragem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com a introdução do conceito de pulsão de morte, Freud dá um passo além, ou talvez um descompasso, ao enfatizar a prevalência do caos e do acaso.A hipótese de que a pulsão é um impulso em direção à morte trouxe para o campo teórico da psicanálise o inassimilável.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O inusitado é que a pulsão de morte, enquanto potência destrutiva também possibilita a emergência do novo.Acho essa, senão a maior, uma das grandes questões que Freud pode trazer para a contemporaneidade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A análise lacaniana é uma escuta compatível com esse sujeito pós- moderno, que vive num momento de uma horizontalidade maior entre as pessoas- diferente de antes, em que tínhamos modelos piramidais de organização.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O sujeito pós- moderno tem uma forma de significação que ultrapassa a ordem paterna. E foi Lacan, que propôs a condução de uma análise além do édipo- além do modelo freudiano típico, e portanto, mais compátivel com o sujeito de hoje. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escrevo um pouco da minha leitura de mundo, para que os amigos que sempre me interrogam, entendam um pouco daquilo que me causa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lacan me impressiona desde o primeiro contato através da palavra, mas fiquei emocionada quando li uma entrevista de Jorge Forbes contando do seu contato com o vigor de Lacan. O sujeito realmente era muito corajoso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;" Conheci Lacan com 75 anos. Era impressionante a sua força e a sua vontade de ir além. Dava a impressão de que não perdia um momento na vida. Era uma pessoa receptiva, claro que de um jeito muito peculiar. Mesmo muito famoso, bastava telefonar e ele te recebia. Qualquer ambiente que entrasse, se fazia imediatamente notar, mesmo que não abrisse a boca. " &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na mesma entrevista, Forbes foi interrogado sobre a dimensão da psicanálise no Brasil hoje- e disse:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;" Uma das qualidades dos brasileiros é a de não se levar muito a sério- ele tem uma desconfiança sadia, e essa qualidade o faz sensível ao inconsciente, numa certa medida. A psicanálise praticamente é inexistente nos países totalitários. "&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ainda bem que, a psicanálise ainda sobrevive por aqui- em trilhas tortuosas e marginais, pegando atalhos, enfrentando obstáculos, mas sempre na tentativa de fazer o sujeito saber de si.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Posição ética da qual- como dizia meu pai- não arredo pé. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tenho dito....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-3928131857362582360?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/3928131857362582360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=3928131857362582360' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/3928131857362582360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/3928131857362582360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/09/sobre-psicanalise-lacaniana-e-desejo.html' title='Sobre psicanálise lacaniana e desejo...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SqH14TATr8I/AAAAAAAAB3s/TlIolajaZyY/s72-c/acidente-29.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-5127690047880421127</id><published>2009-09-04T22:03:00.012-03:00</published><updated>2009-09-04T22:36:03.713-03:00</updated><title type='text'>Un pas, une pierre, un chemim qui chemine....</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SqHAYeGKKNI/AAAAAAAAB3k/_jTNRomH9oY/s1600-h/OgAAAKt-aVcLkvoTwCBtTwbKJc98oplfNns97dnYodSDYWplvrGDuybbJQjjQMw0N6-gy4bxS7xuDVZUtoMCeqj64coAm1T1UGBBtjyFIezrmN0YzskBIpIp32rt.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377790956685371602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 260px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SqHAYeGKKNI/AAAAAAAAB3k/_jTNRomH9oY/s400/OgAAAKt-aVcLkvoTwCBtTwbKJc98oplfNns97dnYodSDYWplvrGDuybbJQjjQMw0N6-gy4bxS7xuDVZUtoMCeqj64coAm1T1UGBBtjyFIezrmN0YzskBIpIp32rt.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Somos jogados no mundo e nos instalamos no universo estruturalmente errante da linguagem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desalojados das determinações cerradas do mundo natural, o homem busca por meio do desejo, transpor a fenda cavada pelo corte com o natural. E eis que emerge o desejo...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No desejo eu anseio entender o mistério do amor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando amo vejo no rosto da pessoa amada, presente, apenas a superfície da lagoa, onde se reflete o obscuro objeto do desejo- ausente. A pessoa amada é metáfora de uma outra coisa....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;( Em ti amo uma outra coisa misteriosa, que não conheço, mas que me parece ver aflorar no teu rosto. Eu te amo porque no teu corpo um outro objeto se revela. Teu corpo é lagoa encantada...)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No vazio e no encontro com minha errância "amei- amo" um homem. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sonhamos juntos tantas coisas que preservamos- coisas do coração, coisas delicadas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Falamos juntos belezas, verdades, doçuras, levezas flutuantes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Erramos, tropeçamos, nos magoamos. Fomos, voltamos, insistimos....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nunca acreditamos no amor que aprisiona.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não fizemos promessas um para o outro, apenas sonhamos juntos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não compramos terreno, não assinamos papéis, não unimos as famílias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Cheguei saída do vento- só com amor para oferecer. Até hoje dou o que não tenho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ele chegou sem casa própria, sem discurso pronto, mas chegou na bruma misteriosa do desejo- para mim era isso que importava.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mesmo na efemeridade dos sentimentos, chegamos distraidamente até aqui.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mesmo sabendo que o amor pode voar por aí, chegamos- dignamente- até aqui.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tem dias em que eu acordo e não sei bem como isso aconteceu. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sei que me sinto a menina do pássaro encantado:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;" Sempre que você ficar com saudades eu ficarei mais bonito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sempre que eu ficar com saudades você ficará mais bonita"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mesmo que o nosso amor bata asas e voe mundo afora, a delicadeza do que fomos é eterna.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Depois de Paris, nada será como antes....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-5127690047880421127?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/5127690047880421127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=5127690047880421127' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/5127690047880421127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/5127690047880421127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/09/un-pas-une-pierre-un-chemim-qui-chemine.html' title='Un pas, une pierre, un chemim qui chemine....'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SqHAYeGKKNI/AAAAAAAAB3k/_jTNRomH9oY/s72-c/OgAAAKt-aVcLkvoTwCBtTwbKJc98oplfNns97dnYodSDYWplvrGDuybbJQjjQMw0N6-gy4bxS7xuDVZUtoMCeqj64coAm1T1UGBBtjyFIezrmN0YzskBIpIp32rt.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-6001003945222328392</id><published>2009-09-01T16:02:00.040-03:00</published><updated>2009-09-01T16:52:23.406-03:00</updated><title type='text'>Quando um encontro se dá...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sp16aNz9D0I/AAAAAAAAB3M/lmXJZggNx24/s1600-h/pente.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376588120952999746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 197px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sp16aNz9D0I/AAAAAAAAB3M/lmXJZggNx24/s400/pente.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Coisa difícil a gente reconhecer a sutileza que é, um encontro acontecendo, um amor chegando, uma amizade pedindo passagem, um olhar se cruzando. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A gente reconhece fácil o desencontro, a antipatia grita alto e nem precisa de muita escuta e percepção para ser notada. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Somos treinados para nos defender de um encontro mais próximo com o outro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Qualquer deslize já é motivo para excluir o outro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A estranheza que nos invade com o desconhecido dessa alteridade em nós é expurgada para o mundo. Somos seres esquisitos mesmo- somos criauras do mal- entendido por natureza, ou melhor, porque não somos só natureza, nos estranhamos tanto e nos angustiamos com a diferença.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O verdadeiro encontro é quase silencioso, sutil, sem hora para acontecer. Acontece à nossa revelia, no meio do nada, no vazio mesmo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para reconhecê-lo é preciso abrir bem os olhos e deixar acontecer uma experiência poética no olhar- que não é aquela de ver coisas grandiosas que ninguém mais vê, mas aquela de ver o absolutamente banal, que está bem diante do nariz, sob uma luz diferente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando isso acontece o encontro se vivifica e cada objeto cotidiano se transforma na entrada de um mundo encantado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E, sem saber, estamos amarrados aos amigos que conquistamos por laços misteriosos e belos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E, de repente nos vemos amando alguém....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando isso acontece, olhamos para quem chega e sentimos que a vida toda esperamos por ele. Pode ser um amigo querido ou um grande amor- não importa muito. Afinal de contas, o que fica dessa vida são somente as delicadezas- sejam elas de qualquer tipo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O fato é que somos amantes e amigos , muito antes de nos encontrarmos com a mulher ou homem que será nosso objeto de amor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E, quando a gente olha para alguém que olha para nós com um olhar verdadeiro e transparente, o nosso jardim se torna "sonho que virou realidade"- revelação da nossa verdade interior escondida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Daí a alma fica nua se oferecendo ao deleite dos outros, sem vergonha alguma, porque é justamente aí que faz sentido ser causa de desejo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas há encontros que passam e a gente não vê- ou estamos distraídos, ou de olhos fechados e ofuscados por algum outro brilho. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Outros passam, mas ficam eternizados- a morte eterniza o amor. Ela o fixa, para sempre na bela cena. Ela imortaliza as palavras bonitas partilhadas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há também encontros que se desencontram, de fato.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A partida da pessoa amada por um novo amor mais encantado e encontrado. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma amizade que se desfaz lenta e silenciosamente; outra que acaba por nunca ter existido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alguém já disse antes que para amar basta estar distraído. Concordo, mas não dá para ficar tão desatento assim, senão o encontro chega e a gente fica. Passamos por ele sem perceber, por estarmos alienados em nós mesmos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não dá para engaiolar as relações, mas é sempre importante saber que elas tem asas e podem voar a qualquer momento. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com quem a gente ama é preciso carinho, cuidado, olhar atento e carinhoso- numa amizade ou numa relação de amor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O encontro se dá quando acontece uma longa e silenciosa escuta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E é na escuta que o amor começa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E é na não- escuta que ele termina...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-6001003945222328392?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/6001003945222328392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=6001003945222328392' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/6001003945222328392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/6001003945222328392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/09/quando-um-encontro-se-da.html' title='Quando um encontro se dá...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sp16aNz9D0I/AAAAAAAAB3M/lmXJZggNx24/s72-c/pente.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-1191851338335629331</id><published>2009-08-31T22:27:00.041-03:00</published><updated>2009-08-31T23:38:49.685-03:00</updated><title type='text'>La mer....</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SpyIv5HdYTI/AAAAAAAAB3E/NcUxMcN5Ym4/s1600-h/redfox.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376322411540865330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 309px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SpyIv5HdYTI/AAAAAAAAB3E/NcUxMcN5Ym4/s400/redfox.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Decidi falar francês. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Primeiro, porque vou passar uma temporada lá na França a partir da próxima semana.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Segundo, porque sempre achei uma língua elegante, classuda e além de tudo, tenho vontade de ler Camus e Lacan na origem. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A coisa mais bonita no francês é o enigma do feminino e do masculino. Ao menos para mim, pareceu enigmático e curioso um vestido se chamar "la robe".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Só com o tempo , escutando várias vezes a mesma palavra é que podemos assimilar a diferença que a palavra abriga.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Achei uma metáfora interessante para entender a condição do feminino e do "ser mulher".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sempre achei poético o mar francês. Gosto desse mar feminino e acho os franceses sensíveis por isso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"La mer"- masculino?- escrita feminina?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desencontro de línguas, encontro de signos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A poesia também é o reverso das coisas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Somos todos seres dilacerados pela linguagem-dela pouco entendemos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela não dá conta do nosso vazio e abriga o mistério do feminino.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O poeta, parecendo saber da condição feminina, escreve para invocar uma coisa ausente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Toda poesia é um ato de feitiçaria cujo objetivo é tornar presente e real aquilo que está ausente e não tem realidade. Poesia é tentativa;não é conclusiva- poesia é abertura sempre. Só quem sabe disso pode gostar de poesia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O que escrevo é uma ponte de palavras que tento construir para atravessar o rio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na escrita me faço mulher e pela feminilização do desejo, o erotismo se torna possível, revelando a incompletude que rasga meu corpo permeado pelo excesso indomável.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Continuo insistindo numa escritura do meu querer, porque se isso me remete para a incandescência do erotismo feminilizado e para as possibilidades de criação, a figura da histeria remete às pobres sofredoras que não podem assumir o seu desejo, justamente porque ficam sideradas pelo poder aniquilante do falo. E esse, na sua dureza pétrea e na sua consistência metálica, conduz irrevogavelmente a mulher para a inibição e para a culpa pelo desejar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Prossigo escrevendo, para que seja uma saída para a histeria, que é o anti- erotismo, a imobilidade da fluidez pulsional, e a transformação dos humores vitais em abcesso da carne. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aprender francês é bonito, porque me obriga a ouvir as sutilezas dessa linguagem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A palavra bascula, engana, toca na carne poeticamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para escutar a verdade é preciso tempo e ainda assim, não há verdade absoluta na representação. A verdade desliza por entre os dedos e segue viagem...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O encontro com a estranheza da nova língua me livra do engodo de me confirmar nas imagens e miragens do falso brilho do falo. Aquilo que não sei me move e me desabriga dos atributos e insígnias totalitárias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não tenho certeza de nada. Me perco no estranho de mim e aprendo novas formas de me comunicar com o outro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não tenho mais a necessidade de concluir nada. Conclusões são chaves que fecham e fazem parar o pensamento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Que cada palavra minha tenha reticências para o pensamento continuar seu vôo....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sempre...&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Semana que vem, me jogo nesse mar feminino francês....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-1191851338335629331?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/1191851338335629331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=1191851338335629331' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1191851338335629331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1191851338335629331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/08/la-mer.html' title='La mer....'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SpyIv5HdYTI/AAAAAAAAB3E/NcUxMcN5Ym4/s72-c/redfox.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-7780427656858105296</id><published>2009-08-29T01:17:00.033-03:00</published><updated>2009-08-29T02:01:57.960-03:00</updated><title type='text'>Viagem despretenciosa...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Spi2Hw1H2OI/AAAAAAAAB28/E3LZSzJiEHI/s1600-h/cow-boy-1-520x346.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375246399749740770" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Spi2Hw1H2OI/AAAAAAAAB28/E3LZSzJiEHI/s400/cow-boy-1-520x346.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O tempo é um fio. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nesse fio vão sendo enfiadas as experiências de beleza e amor que tivemos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A vida é esse colar colorido de coisas vividas e sonhadas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um pôr- do- sol compartilhado, uma viagem despretenciosa e um encontro inesperado, uma carta, um único olhar de uma pessoa que enxergou sua alma de verdade....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Houve muitos momentos desses em minha vida. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E em cada um deles eu senti que valeu a pena ter vivido só por aquele momento. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O tempo me ensinou a amar melhor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aprendi a amar o amor absoulto e os contingentes. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Numa viagem despretenciosa, um encontro se deu. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No corpo, a prova poética desse encontro: a reverberação musical.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Num pôr- do-sol outro encontro aconteceu, e o corpo mais uma vez reconhece que o momento é fugaz, mas que se eternizaria, e dali adiante nada seria como antes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma carta chega e muda a vida, transforma. A carta diz que há na vida um momento em que chega a hora de uma grande metamorfose, e que é preciso abandonar o que sempre fomos para nos tornamos uma outra coisa. Uma carta amorosa muda a vida da gente. E mudou...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um único olhar sincero acaricia a alma. Pode ser um olhar familiar ou de um estranho, mas que seja um olhar que te desnude e te cause. O tempo pode levar tudo, a morte pode chegar, mas esse olhar se cristaliza no infinito e isso ninguém te rouba.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Esses momentos me fizeram amar, me despertaram os espaços sensíveis que me habitam. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Esses gestos sutis e delicados dos pequenos encontros me mostraram que a mesma chama que o vento impetuoso apaga, volta a se acender se for acariciada com um sopro suave...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Disso eu sou feita- "da bruma leve das paixões que vem de dentro", da beleza do acaso, dos amores que tive, dos amigos que foram e dos que ficaram. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sou aquilo que eu não compreendo bem- aquilo que vive nas funduras.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não escrevo para ser entendida- escrevo para pintar os cenários da minha vida e para enxergar melhor meu enigma e o do outro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não tenho dom nenhum. Eu simplesmente olho para os outros e me vejo nesses interstícios.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E daí surge a urgência de escrever. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escrever é, numa certa medida, admitir com dor que os limites da memória do corpo são mais estreitos do que pensamos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escrever é saber que a vida também é cansaço que anseia pelo sono.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Saber viver é também saber morrer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sou aquilo que lembro, mas sou principalmente aquilo que esqueço.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por isso, amo....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-7780427656858105296?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/7780427656858105296/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=7780427656858105296' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/7780427656858105296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/7780427656858105296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/08/viagem-despretenciosa.html' title='Viagem despretenciosa...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Spi2Hw1H2OI/AAAAAAAAB28/E3LZSzJiEHI/s72-c/cow-boy-1-520x346.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-6060782198590974852</id><published>2009-08-27T14:25:00.042-03:00</published><updated>2009-08-27T15:32:19.420-03:00</updated><title type='text'>O fim...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SpbREZfecJI/AAAAAAAAB2s/rks3v_7kp14/s1600-h/darkness.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374713078805852306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 361px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SpbREZfecJI/AAAAAAAAB2s/rks3v_7kp14/s400/darkness.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era um dia cinza e chuvoso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No apartamento que haviam construído juntos, um monte de histórias reunidas: nas fotos, nos objetos, nos rastros, no cheiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela olhava atônita para o mundo lá fora, sem saber se podia sair correndo debaixo daquele temporal, ou se enfrentava o chão frágil e gelado do apartamento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lembrou de alguns apartamentos frios e duros que conheceu nos últimos tempos- decorados por decorador profissional, com obras de arte sem nenhuma ligação afetiva com o dono-tudo morto e apático. Respirou aliviada, por ali existir amor, ainda que decantado. Tudo tinha um sentido, tudo havia sido adquirido com carinho e afeto. Em cada coisa havia o toque de cada um.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Seu apartamento era o reflexo de uma história de "sins e nãos", de uma vida genuína vivida entre "encontros e desencontros". Ela não podia dizer que não havia vivido um grande amor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Olhou mais uma vez pela janela e percebeu que tinha muitas histórias para ser contadas; e que os objetos que a rodeavam eram colos onde moravam felicidades passadas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No seu apartamento, tudo tinha um oco, um côncavo, que ela e ele podiam habitar, de vez em quando. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nas reetrâncias invisíveis da parede, uma tristeza doce e bonita invadia a sala. Soprava suavemente em seu coração a dúvida do fim. No meio de tanta beleza, uma bruma ressentida insistia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela, angustiada e sozinha, tentava compreender o mistério que a interrogava. Correu para os livros que haviam comprado juntos, e cada um ali sabia dar um palavra generosa em momentos delicados. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela não saberia viver longe daqueles livros, daqueles riscos, daqueles grifos que se perderam no tempo sem saber por quem foram feitos. Tudo ali se confundia e se interpenatrava.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em suave companhia para a sua inquietação, caiu aleatoriamente, sobre seu corpo "O Livro do Desassossego" de Fernando Pessoa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Enquanto ela procurava siderada uma resposta, achou uma anotação no meio do livro . Era ele, quem havia anotado e deixado ali- como se estivesse esperando pelo momento exato e precioso:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"&lt;em&gt;Tudo que cessa é morte, e a morte é nossa, se é para nós, que cessa.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Aquele arbusto fenece e vai com ele parte de minha vida.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Em tudo quanto olhei, fiquei em parte.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Com tudo quanto vi, se passa, passo.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Nem distingue a memória do que vi, do que fui. "&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando as palavras entraram pela retina tristonha da moça, ela respirou um tanto aliviada; não estava sozinha. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Precisava eternizar o momento em que o acaso acontecia: em palavras, e em fotos, para que esse fosse mais um instante preservado nas letras, nas imagens, na sua grandeza. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sentia uma urgência enorme de capturar o vazio e o mistério que estavam presentes ali. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fez uma foto da sala. Só a sala e os livros. Sem ela. Sem ele. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A única presença não poderia ser vista: ela mesma, olhando através da câmera, dizendo adeus à felicidade que viveu, ao lado daqueles livros, ali dentro daquele apartamento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Depois da fotografia,um encontro: seu corpo tremia e sua voz silenciou. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Havia acontecido a ruptura.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma dor forte atravessou sua coluna, uma dor gelada e intensa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela teve que escutar o corpo, mesmo que ele falasse uma língua ininteligível. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Olhou mais uma vez para o mundo lá fora, para o mundo que vivia na sua pele e para a iminência do fim.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acabara de descobrir que a verdade vive no avesso daquilo que é conhecido com familiaridade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Olhou para a foto e podia sair debaixo da chuva- sua sabedoria era loucura, sua loucura era sabedoria.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E foi...sem saber se era o fim ou um novo recomeço.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Foi desajeitadamente, de mãos dadas com o insólito, andar um pouco na chuva e caminhar sem medo do mistério que a esperava mais adiante.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-6060782198590974852?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/6060782198590974852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=6060782198590974852' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/6060782198590974852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/6060782198590974852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/08/o-fim.html' title='O fim...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SpbREZfecJI/AAAAAAAAB2s/rks3v_7kp14/s72-c/darkness.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-7108441521879221053</id><published>2009-08-27T01:27:00.007-03:00</published><updated>2009-08-27T01:49:30.803-03:00</updated><title type='text'>Escritura</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SpYQL1iYSUI/AAAAAAAAB2k/StanhpqjSpo/s1600-h/Anna%205093.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374501000849148226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 266px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SpYQL1iYSUI/AAAAAAAAB2k/StanhpqjSpo/s400/Anna%25205093.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Minha escritura é o pedaço arrancado de mim.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;Escrevo para me completar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escrevo pela falta e pela urgência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escrevo para tentar entender.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escrevo porque tenho fome, para que os vivos não morram, para que os mortos ressuscitem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escrevo quando num lampejo, em meio a dez mil coisas que me distraem, sou capaz de ver o essencial e chamá-lo pelo nome.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Coloco palavras no lugar da dor- não para que ela termine, mas para que seja transfigurada pela beleza.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando letra por letra desabam para fora de mim, brota uma palavra que surge do silêncio- primeira palavra, começo do mundo. Na escrita, posso desajeidamente dar forma ao meu caos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Só a escrita me faz retornar à essa palavra nascida no abismo do silêncio. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando escrevo, calo e o tormento consistente em versos ralos invadem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nunca sei para quem escrevo, sei que preciso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sei que na instância da inscrição poética me reconstruo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escrever é se permitir tentar...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um poema não é uma expressão do ser poeta- é uma modalidade do não- ser :&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O que escrevo não é o que tenho; é o que me falta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escrevo porque tenho sede e não tenho água...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-7108441521879221053?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/7108441521879221053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=7108441521879221053' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/7108441521879221053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/7108441521879221053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/08/escritura.html' title='Escritura'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SpYQL1iYSUI/AAAAAAAAB2k/StanhpqjSpo/s72-c/Anna%25205093.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-8962071301873504738</id><published>2009-08-26T18:24:00.016-03:00</published><updated>2009-08-26T18:48:40.292-03:00</updated><title type='text'>Angústia</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SpWtkVr2hZI/AAAAAAAAB2c/wZs8i32cF-M/s1600-h/3595184081_bb69b2320c.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374392570144523666" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SpWtkVr2hZI/AAAAAAAAB2c/wZs8i32cF-M/s400/3595184081_bb69b2320c.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pairava cheia no ar&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;entre um silêncio e outro,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;evaporava pedaços da alma&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;e no horror ela se regozijava&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Caminhava em alvoroço- &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;diante daquilo que nos amedronta,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A angústia estrangulava o dia&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;fazia parceria, insistia...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com o horrível fazia baile&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;paralisava a alma &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;travava pés, pernas e mãos&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;num absoluto estado de sideração&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um dia, eu fiz da angústia- poesia&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Juntei todas as palavras que habitavam meu silêncio e misturei bem&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mergulhei no lago misterioso que me habitava&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Cheguei longe dos reflexos luminosos da superfície&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fui fundo...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Habitando as funduras onde as palavras nascem e vivem&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;descobri que as palavras mentem e que a verdade mora em volta do nada que há nos entornos da letra&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Olhei a angústia na cara&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Começei a ler o que não era dito, as entrelinhas do discurso&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Voltei a flutuar no mundo: eu tocava as palavras sem cair em suas armadilhas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No grito do desejo todo cuidado com a sedução da clareza&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Cuidado com o engano do óbvio&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para a angústia só há uma resposta&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;?????&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-8962071301873504738?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/8962071301873504738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=8962071301873504738' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/8962071301873504738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/8962071301873504738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/08/angustia.html' title='Angústia'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SpWtkVr2hZI/AAAAAAAAB2c/wZs8i32cF-M/s72-c/3595184081_bb69b2320c.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-2583047505625180048</id><published>2009-08-22T19:04:00.032-03:00</published><updated>2009-08-22T21:20:01.530-03:00</updated><title type='text'>Reflexão....</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SpCKvHMLSWI/AAAAAAAAB2U/CFNPyXCJnxY/s1600-h/2242868654_0e8b2ee8a9_o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372946897441605986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SpCKvHMLSWI/AAAAAAAAB2U/CFNPyXCJnxY/s400/2242868654_0e8b2ee8a9_o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nascemos num caldo social e numa história familiar e cultural. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Chegamos ao mundo desabrigados do campo das determinações naturais e assim, nos tornamos presas do universo da linguagem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Somos fisgados pela letra,e logo no primeiro grito, somos por ela atraídos na imantação do desejo do Outro, que lá estava. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando tomamos o Outro como referência na constituição de nosso próprio desejo, pagamos com o assujeitamento o preço de nosso ingresso na comunicação, campo humano e do mal- entendido por excelência. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Assim, nasce o sujeito- que é biológico, psiquíco, afetivo e social. Qualquer leitura que exclua um desses fatores é reducionista e pobre. (Digo isso, por minha conta e risco...)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O que se configura como cultura, ethos, morada da condição humana, é o que se tece em torno do Outro, enquanto absoluta alteridade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na cultura ancoramos o nosso desejo e abrigamos o mais essencial de nós mesmos. Não existimos sem história e sem cultura, e isso a psicanálise e a filosofia sabem. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Esse Outro onde constituimos nosso discurso é um ser "histórico-biológico" também- aquele ponto de exterioridade íntima- extimidade, no dizer de Lacan. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nessa "referência- reverência", o sujeito arremessa demandas, que visam acertar na "mosca do desejo" para calar sua inquietação. Operação incansável, que deixa sempre um resto que testemunha a indestrutibilidade de desejar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O outro permanece para nós enquanto enigma e é por isso amamos. Por isso, queremos amar. Por conta disso desejamos alguém que é para nós pura estranheza, admiração e cintilância.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desejamos e em nome disso enviamos cartas, tropeçamos, criamos teorias sobre a vida e sobre o mundo. Tudo tentativa....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Alguém já disse que somos todos iguais na ignorância do amor e no mistério daquilo que sonhamos. Sinto- me levada à concordar...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As cartas de amor não servem para narrar fatos históricos e nem repetir as coisas por demais sabidas, mas só para que mãos separadas se toquem, ao tocarem a mesma folha de papel. Simples, delicado e complicado assim...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A conversa amorosa é a coisa mais inapreensível do mundo, mas ainda assim duas pessoas radicalmente diferentes conseguem habitar o mesmo espaço afetivo quando amam. Na palavra o amor acontece, nela ele se desenrola. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A palavra tem poder encantatório- seduz, embriaga, conquista, toca. Por vezes, também destrói e exclui. Ela é o segredo do amor, da amizade, do encontro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Bataille no brilhante livro "O Erotismo" diz que a conversa é metáfora dos jogos amorosos, que quem não sabe conversar, não sabe transar. O que os amantes buscam é o mesmo que Babette buscava ao cozinhar: aumentar a fome e não matar a fome nunca. A palavra tem esse poder de despertar nossos sentimentos mais bonitos, e deve ser consequência das primeiras letras "mal- ditas e malditas" que ouvimos lá atrás do nosso primeiro objeto de amor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por isso, uma carta de amor, mesmo antes de ser lida, ainda dentro do envelope fechado, tem a qualidade de um sacramento: presença sensível de uma felicidade invisível. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No mal- entendido da linguagem nos tornamos humanos e amamos. Na palavra uma amizade se dissolve, um amor acaba, a história muda, a ciência se sustenta. Esquecemos de zelar pela palavra, que é coisa frágil e firme, líquida e consistente, efêmera e eterna. Esquecemos que a palavra é a nossa maior marca do paradoxo do desejo. Damos respostas rápidas no cotidiano, estraçalhamos a escritura do outro, acreditamos na totalidade do signo linguístico, criamos certezas ao redor de algo que é pura evanescência. A palavra não dá conta de quem somos, e nada que é mediado por ela é completo- é essa nossa angústia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Precisamos reaprender a escutar o outro "além- palavra", escutar o silêncio da diferença. Nada mais fatal para o amor que a resposta rápida. Nada mais mortal para uma amizade que o julgamento precoce.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A resposta rápida revela um ouvido que não se deixou penetrar pela fala do outro- é a alfange que decapita. Há certas falas que são um estupro...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sempre é preciso carinho com aquilo que nos simboliza. A fala é coisa preciosa....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-2583047505625180048?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/2583047505625180048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=2583047505625180048' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/2583047505625180048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/2583047505625180048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/08/reflexao.html' title='Reflexão....'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SpCKvHMLSWI/AAAAAAAAB2U/CFNPyXCJnxY/s72-c/2242868654_0e8b2ee8a9_o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-6647028588871742960</id><published>2009-08-20T01:21:00.002-03:00</published><updated>2009-08-20T01:33:13.837-03:00</updated><title type='text'>No frio...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SozR7nDWsFI/AAAAAAAAB2M/uqNNAcOIP-s/s1600-h/caiof3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371899277571698770" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 309px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SozR7nDWsFI/AAAAAAAAB2M/uqNNAcOIP-s/s400/caiof3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O dia é frio, mas não prometo nada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Promessas são gaiolas de palavras com que se pretende aprisionar o futuro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não prometo amor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Só amo no desmedido do que sou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Só sei sentir assim...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os sentimentos flanam dentro de mim, mas não me pertencem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eles são pássaros livres que vem e vão quando querem. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Felicidade para mim é coisa discreta, silenciosa e frágil.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Amor não é para ser alardeado, amor é para ser vivido na sutileza do encontro. é &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Amor é amor até no desencontro, no risco, no salto, na dúvida, na incerteza.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A minha referência evanescente para o amor vem de um livro de cabeçeira de meu pai- " A insustentável leveza do ser" de Milan Kundera:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;" O amor começa por uma metáfora.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ou melhor: o amor começa no momento em que uma mulher se inscreve com uma palavra em nossa memória poética." &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acho isso bonito que dói....&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-6647028588871742960?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/6647028588871742960/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=6647028588871742960' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/6647028588871742960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/6647028588871742960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/08/no-frio.html' title='No frio...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SozR7nDWsFI/AAAAAAAAB2M/uqNNAcOIP-s/s72-c/caiof3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-8511692242047974058</id><published>2009-08-19T01:00:00.002-03:00</published><updated>2009-08-19T01:08:59.446-03:00</updated><title type='text'>Em mim- em desatino....</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sot6lI0LpoI/AAAAAAAAB2E/dB_Sm9_Q8io/s1600-h/amor.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371521759009547906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 265px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sot6lI0LpoI/AAAAAAAAB2E/dB_Sm9_Q8io/s400/amor.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;O desejo de liberdade é mais forte que a paixão.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;Só amo o amor que me deixa delirar.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;Não saberia amar que me cortasse as asas.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;Não amaria quem me amarrasse no cais.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Não posso entender uma carta de amor pela análise da escritura.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;O quê a carta contém não está ali, está ausente, nas entrelinhas amorosas do cotidiano.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Qualquer carta de amor, não importa o que se encontre nela escrito, só fala do desejo, da dor do que se ausenta sempre ou da nostalgia do reencontro.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Que é um homem?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Um homem é um vazio, desejo por uma mulher.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;O que é uma mulher?&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Uma mulher é um vazio, desejo por um homem.....&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-8511692242047974058?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/8511692242047974058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=8511692242047974058' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/8511692242047974058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/8511692242047974058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/08/em-mim-em-desatino.html' title='Em mim- em desatino....'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sot6lI0LpoI/AAAAAAAAB2E/dB_Sm9_Q8io/s72-c/amor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-4292341309418744034</id><published>2009-08-13T19:01:00.016-03:00</published><updated>2009-08-13T19:44:59.678-03:00</updated><title type='text'>O desejo enquanto saída...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SoSXSU9zyAI/AAAAAAAAB10/BXNURfSI9LA/s1600-h/green.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5369582996853868546" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 262px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SoSXSU9zyAI/AAAAAAAAB10/BXNURfSI9LA/s400/green.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escuto diariamente pessoas e alguns amigos se queixando de depressão- que é mais ou menos quando eles se sentem atingidos no corpo e na alma por uma estranha síndrome em que se misturam apatia, a busca da identidade e o culto de si mesmo-( sim, porque esse deprimido clichê adora falar disso e a conversa é sempre umbilical.)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Costumo bater o pé e tentar questionar o quê é isso, mas é um discurso já tão assimilado pelo capitalismo e pela ciência, que eu acabo me passando por louca ou desinformada. E em nome da globalização e do sucesso econômico, tenta- se abolir a idéia do conflito. Vamos gozar todos é o grito de guerra geral!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em outras palavras, a concepção freudiana de um sujeito do inconsciente, consciente de sua liberdade, mas atormentado pelo sexo, pela morte e pela proibição, foi substituída pela figura do deprimido, que foge de seu inconsciente e está preocupado em retirar de si, a essência de todo e qualquer conflito. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não surpreende portanto, que a infelicidade que fingimos exorcizar, retorne de maneira fulminante no campo das relações sociais e afetivas na valorização da estupidez, na dificuldade do encontro amoroso, e no aniquilamento do outro enquanto diferença. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A psicanálise, enquanto discurso da radical singularidade de uma experiência subjetiva é duramente atacada , pois ela coloca o inconsciente, a morte e a sexualidade no centro da experiência humana, e como marcas enigmáticas para o sujeito, diferente das respostas prontas oferecidas pelos livros de "auto- ajuda"e pela religião. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Essas pessoas que dizem ter depressão e todas as novidades dos manuais psiquiátricos com um discreto sorriso no canto da boca, costumam me perguntar no que eu acredito. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu, suportando a falta de nomeação para aquilo que sou, costumo responder:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Ainda aposto no desejo como saída digna possível, e ainda sigo acreditando naquilo que não tem muita funcionalidade, porque" amar é brincar/ Não leva a nada/ Não é para levar a nada/Quem brinca já chegou. " &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quem sabe brincar não se deprime, pois sabe que a tristeza também é parte da brincadeira....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Gosto muito das Mil e uma noites, por ser uma história da luta entre o vento impetuoso e o sopro suave. Ela revela o segredo do amor que não se apaga nunca. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Xerazade, sabia que todo amor construído somente sobre as delícias do corpo tem vida breve. O seu triste destino é ser decapitado pela madrugada. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O exercício de poder amar sempre é poder transitar entre os domínios da dor e do prazer, e ainda assim- ser.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ainda sigo acreditando que o encontro amoroso é o que dá sentido à vida....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-4292341309418744034?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/4292341309418744034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=4292341309418744034' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4292341309418744034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4292341309418744034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/08/o-desejo-enquanto-saida.html' title='O desejo enquanto saída...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SoSXSU9zyAI/AAAAAAAAB10/BXNURfSI9LA/s72-c/green.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-7476631378815264472</id><published>2009-08-10T04:27:00.004-03:00</published><updated>2009-08-10T04:43:26.689-03:00</updated><title type='text'>Pai....</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sn_PVDNYxkI/AAAAAAAAB1k/IW_7-dpJnug/s1600-h/piscina+pai.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368237241394579010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 339px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sn_PVDNYxkI/AAAAAAAAB1k/IW_7-dpJnug/s400/piscina+pai.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Uma amigo querido, que parece sempre saber do que eu ando sentindo, enviou-me a carta-depoimento do Mirisola para o pai. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E ainda fez um comentário bonito e preciso:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Acho estes "testemunhos de amor" tão importantes... eles redimem as arestas das nossas melhores relações, hã?"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E como um bonito presente, ainda enviou junto a música de Fábio Jr.&lt;br /&gt;E a letra da canção do Fábio é bonita mesmo! Escuta aí:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=paz0gomOEgc" target="_blank"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=paz0gomOEgc&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;(Eu sempre tive uma afinidade estética enorme com meu pai, que tinha um apreço grande por aquilo que todo mundo achava cafona. Eu amo Fábio Jr. e Roberto Carlos, que nem ele. E sim, essa música é linda demais, mas é só para quem é afeito às sutilezas do amor)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;Dois solavancos e um tiroteio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Mirisola*&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Os últimos quinze dias foram complicados para mim. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não seria exagero dizer que voltei de uma montanha-russa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Contabilizadas as indignações e as injustiças de praxe, e descontada a queda vertiginosa de cabelos na base do meu brilhante cocuruto, posso tranquilamente dizer que ainda estou sob o impacto de dois solavancos,e um tiroteio. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os três acontecimentos são complementares. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O primeiro foi o infarto do meu pai, o segundo foi a notícia de que assaltaram o sítio do Fábio Jr. E, por último, tenho que dizer que escapei ileso e feliz da vida do tiroteio na Ladeira dos Tabajaras, uma vez que me entrincheirei na Adega Pérola, e resolvi adotar o ponto de vista da bala perdida – sem me esforçar muito poderia chamar isso de “o melhor complemento”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O velho ficou dois dias na UTI, quase que bate com o rabo na cerca. Teve de parar de fumar, e agora me garantiu que vai dar um tempo nos cupins mal passados e nas picanhas sangrentas. A conferir. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Bem, e o Fábio Jr? – perguntariam os mais céticos. O que o assalto no sítio do Fábio Jr. tem a ver com as calças? Tudo. O Fábio Jr – a meu ver – continua sendo, depois do Aldir Blanc e por causa de uma única canção, um dos maiores letristas da Música Popular Brasileira. Além de ser um ótimo ator, vale lembrar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;"Em sendo assim” – como diria meu saudoso professor de economia, dr. Euzébio Rocha – eu peço licença aos leitores do Congresso em Foco, e republico um texto que escrevi em homenagem ao Fábio Jr. e ao meu Pai. Esse texto, aliás, é um dos meus preferidos e faz parte do esgotadíssimo Proibidão (ed. Demônio Negro). Aqui vai: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;"&lt;/span&gt;&lt;em&gt;Pai, pode ser que daqui a algum tempo, haja tempo pra gente ser mais, muito mais que dois grandes amigos... pai e filho talvez...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Essa linda canção do Fábio Jr.me fez pensar no seguinte: nunca olhei nos olhos do meu pai. De uma certa forma sempre mantivemos uma distância engenhosa um do outro. Mas isso não quer dizer que fôssemos indiferentes. Só que ele tinha as preferências dele, e eu as minhas. Como se nossas afinidades – o jeito como organizávamos as idéias na cabeça, a antecipação das tragédias, a fantasia que chegava sempre (tanto nele como em mim) antes da realidade, o gosto pelas viagens de carro noturnas e o sorvete de nozes e, sobretudo, a mania de acreditar nas próprias fraudes ou falar de uma coisa para inventar outra,enfim,como se nossas afinidades não tivessem nada a ver conosco. Não, diferente do Pai do Fábio Jr., o meu pai nunca (em tempo e lugar nenhum) jamais seria meu grande amigo, apenas um cara que cometia os mesmos erros e as mesmas besteiras que eu havia de cometer vida afora; a gente sempre se repetiu,tanto que ele podia ser perfeitamente meu filho, e se fosse assim, eu ia agir da mesma forma que ele age e agiu a vida inteira comigo,isto é, nunca olharia nos meus olhos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Pai, pode ser que daí você sinta qualquer coisa entre esses vinte ou trinta, longos anos em busca de paz...]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Difícil aceitar que a vida de quem amamos tenha sido jogada fora. Porque uma coisa é ponto pacífico: há amor, claro que sim.&lt;br /&gt;Na verdade, tememos pelo nosso destino. Pelo tempo que não é tão longo assim, e que passa rápido demais, e se há algo nessa história que prova que,apesar da distancia entre uma pessoa e outra, o amor existe, e que não é o tempo que vôa, bem, esse “algo” é a busca obstinada pelo encontro (ou pela paz); daí o desejo ou a súplica de que em algum instante – tanto faz se for Pai ou filho ou a mulher amada, – alguém venha a renascer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Pai, pode crer que eu estou bem, eu vou indo, estou tentando, vivendo e pedindo, com loucura pra você renascer...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;enfim, a gente pede “com loucura” para que alguém renasça a qualquer custo,mesmo que o tenhamos matado no meio do caminho, a gente pede com loucura para ele (ela) voltar, mas esse alguém não vai voltar, não. Sabem por quê?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Pai, eu não faço questão de ser tudo. Só não quero e não vou ficar mudo, pra falar de amor pra você...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Porque para o amor sempre vai ser tarde demais. Ah,meu Deus! Por que tem de ser assim? Por que quando adquirimos o grito apenas o deserto nos ouve? Por que, como diria meu amigo e poeta Marcelo Montenegro,temos sempre que “dinamitar a ponte que atravessamos”?Montenegro, aliás – e não por acaso – é fã dessa canção.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Ah, pai, senta aqui que o jantar está na mesa, fala um pouco, tua voz está tão presa, me ensina esse jogo da vida, onde a vida só paga pra ver...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ah, pai, agora que é tarde demais, o jantar está na mesa, deixa eu lhe servir um drinque, me conta daquela noite que flagrei você e a mãe combatendo sob uma luz prateada, foi tão bonito... eu nunca consegui saber o que de fato estava acontecendo, não sei se foi sonho ou realidade, mas me conta, Pai, agora que é tarde demais, me conta porque a minha voz está tão presa... tão presa como a sua voz: me perdoa essa insegurança, é que eu não sou mais aquela criança que um dia morrendo de medo nos teus braços você fez segredo...Tão presa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ah, Pai, minha voz tão presa, igual a sua, nos seus passos você foi mais eu.Pai, eu cresci e não houve outro jeito, quero só recostar no seu peito pra pedir pra você ir lá em casa e brincar de vovô com meu filho no tapete da sala de estar...Não houve outro jeito, Pai. O que eu faço agora que meu filho cresceu? Se não tenho você mais comigo? Ah, e agora que meu filho me olha nos olhos e eu, envergonhado, vejo você? Onde ponho você nessa estante? No lugar do herói ou do bandido? " &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Pai- você foi meu herói, meu bandido....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Saudades eternas!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-7476631378815264472?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/7476631378815264472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=7476631378815264472' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/7476631378815264472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/7476631378815264472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/08/pai.html' title='Pai....'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sn_PVDNYxkI/AAAAAAAAB1k/IW_7-dpJnug/s72-c/piscina+pai.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-490813595597764270</id><published>2009-08-04T01:44:00.035-03:00</published><updated>2009-08-05T01:19:36.976-03:00</updated><title type='text'>Das suaves e doces loucuras....</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SnkIJZgA-nI/AAAAAAAAB1c/L2j1lDjQaAg/s1600-h/adams.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5366329388545669746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 326px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SnkIJZgA-nI/AAAAAAAAB1c/L2j1lDjQaAg/s400/adams.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;" Se a loucura conduz a todos a um estado de cegueira onde todos se perdem, o louco, pelo contrário, lembra a cada um a sua verdade, na comédia em que todos enganam aos outros e iludem a si próprios, ele é a comédia em segundo grau, o engano do engano. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;Ele pronuncia em sua linguagem de parvo, que não se parece com a da razão, as palavras racionais, que fazem a comédia desatar no cômico: ele diz o amor para os enamorados, a verdade da vida aos jovens, a medíocre realidade das coisas, para os orgulhosos, insolentes e mentirosos."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;(Michel Focault)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Clarice Lispector é sempre minha referência de escritura feminina, porque em sua obra está presente a grande questão do feminino: a questão da identidade. Escrevo em parte, para tangenciar e tocar de leve o assunto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nos fazemos através de uma relação especular, mas depois disso temos que empreender nossa travessia solitária que nos dará acesso ao feminino. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No caminho, o encontro com o amor pode ser uma via possível- que revela, desperta, encanta e conduz. Ao estabelecer uma comunicação com o diferente e se colocar como objeto causa de desejo de um homem, uma mulher pode, enquanto não sabe nomear seu desejo, descobrir- se na multiplicidade do que se é, através desse outro. Acredito delicadamente nisso!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dentro de minhas suaves e doces loucuras, a vida nunca me serviu o banquete da felicidade, mas me serviu deliciosos aperitivos de alegria- alguns duraram segundos, outros meses, alguns até anos. Passada as experiências de encantamento, eu pude me alimentar de suas lembranças.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nunca busquei a alegria, porque isso sempre me pareceu um discurso normativo demais. Desejar desesperadamente a felicidade é ficar cego para os momentos bonitos de alegria com que a vida nos brinda. Quanto mais corremos atrás da felicidade, engaiolamos os prazeres e passamos longe das pequenas dádivas. Como diz Guimarães Rosa: "&lt;em&gt;felicidade se acha é só em horinhas de descuido". &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O amor tem sido para mim, desde sempre, uma possibilidade sensível e delicada de momentos de alegria e de encontro com uma vontade. Ainda em Clarice, o encontro amoroso de Loreley e Ulisses ensina e transmite: ela com medo de cair no abismo, segura numa das mãos de Ulisses, enquanto uma força inevitável a empurrava para o infinito de si no outro- uma outra espécie abissal de ser e estar se colocava. Quando pudesse sentir a pura diferença no outro, estaria um tanto salva, mas antes precisava tocar em si própria, antes precisava tocar no mundo, na tristeza da carne. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Bataille, no seu livro "O Erotismo"'diz que o erotismo só aparece aí, quando se viola algo de sagrado e se introduz o fascínio da transgressão. E na interpenetração dos corpos, uma saída sublime se coloca para a feminilidade. Na transgressão, o encontro das faltas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tocar no mundo, tocar o outro e pegar a vida nas mãos. Com as palavras descrever a vida, o toque. Penetrar fundo até o ponto em que a coisa toda deixe de ser comum para se tornar única. Pegar a letra sem medo, repetir a palavra infinitamente, até fazer crescer o estranhamento, e aí poder sentir a pureza e a ternura de tentar se fazer mulher.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não há saída para a vida, e para o feminino.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Só nos resta ser alma feiticeira- aquela que tem o poder de transfigurar a tragédia na beleza. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como sugeriu Rilke, a beleza nos permite contemplar o horrível, sem ser por ele destruído.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;São dessas coisas loucas e especiais, que tenho tentando viver. Algumas almas sensíveis podem perceber. Recebi de uma delas um bonito recado:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;"As moças que eu conheço escalam as alturas dos cumes e exalam os mais loucos perfumes. São bailarinas profanas, meretrizes sagradas. Tão descaradas, tão descaradas... Não ligam tomadas e desconhecem as bulas. Por pura gula engolem o mundo, levantam as saias e violam as nuvens."Qualquer semelhança é mera coincidência, Bia. "&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-490813595597764270?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/490813595597764270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=490813595597764270' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/490813595597764270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/490813595597764270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/08/das-suaves-e-doces-loucuras.html' title='Das suaves e doces loucuras....'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SnkIJZgA-nI/AAAAAAAAB1c/L2j1lDjQaAg/s72-c/adams.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-4780246736513914430</id><published>2009-08-02T03:59:00.004-03:00</published><updated>2009-08-02T04:35:19.587-03:00</updated><title type='text'>Reticências....</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SnVA6mDxwVI/AAAAAAAAB1M/StmU0_Coizo/s1600-h/2242868596_2d3a6c1429_o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365265906474795346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SnVA6mDxwVI/AAAAAAAAB1M/StmU0_Coizo/s400/2242868596_2d3a6c1429_o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No espaço sagrado das ausências, as palavras poéticas chegam de um mundo que só visitamos de longe; é a saudade que vem profonar a memória-que chega e ocupa violentamente o lugar do silêncio- que voa dentro da gente até fazer metamorfose.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E a vida se refaz mesmo na dor- porque mesmo que, inexplicavelmente, por um instante algo nos faça esquecer do brilho do reflexo das origens, a rasura da letra sempre está lá à espreita, e num lampejo súbito faz o riso exorcizar a ansiedade da finitude, através da escritura daquilo que lateja no desejo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E, de repente, nas ausências, as palavras dançam selvagens, livres. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Assim, cada poema que insiste, transborda para a existência como um testemunho do nosso mundo perdido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na fulminância do afeto que emerge diante dessa perda,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;a escrita faz pouso suave e pede passagem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na imprevisibilidade do que sou,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;um horizonte possível se coloca.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No gosto amargo do amor não- vivido&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;há ainda o amor possível&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;nele o fundamental se ordena&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;nele a mágica do cotidiano acontece&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;e assim, à minha revelia,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;o encontro se dá...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Encontro dentro do desencontro:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;pela ruptura que pretende realizar,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;pela celeridade do novo querendo entrar,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;pelo não- saber que acompanha a vida...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu digo:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Amor é tragédia e reticências...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-4780246736513914430?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/4780246736513914430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=4780246736513914430' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4780246736513914430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4780246736513914430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/08/reticencias.html' title='Reticências....'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SnVA6mDxwVI/AAAAAAAAB1M/StmU0_Coizo/s72-c/2242868596_2d3a6c1429_o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-4207006781324244815</id><published>2009-07-28T18:55:00.002-03:00</published><updated>2009-07-28T18:58:34.115-03:00</updated><title type='text'>Sempre haverá Paris, baby!</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sm90U5R5JAI/AAAAAAAABzQ/XKPKhljeSMc/s1600-h/AmorSemFronteiras-450x591.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363633583543624706" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 305px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sm90U5R5JAI/AAAAAAAABzQ/XKPKhljeSMc/s400/AmorSemFronteiras-450x591.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=SP1RXAgZzhQ&amp;amp;feature=PlayList&amp;amp;p=7B864B009033FCEB&amp;amp;index=3"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=SP1RXAgZzhQ&amp;amp;feature=PlayList&amp;amp;p=7B864B009033FCEB&amp;amp;index=3&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-4207006781324244815?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/4207006781324244815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=4207006781324244815' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4207006781324244815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/4207006781324244815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/07/sempre-havera-paris-baby.html' title='Sempre haverá Paris, baby!'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sm90U5R5JAI/AAAAAAAABzQ/XKPKhljeSMc/s72-c/AmorSemFronteiras-450x591.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-417849381699288711</id><published>2009-07-22T23:26:00.027-03:00</published><updated>2009-07-23T01:02:24.536-03:00</updated><title type='text'>Pedaços do real...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Smff3rHq-TI/AAAAAAAABzI/4SN13zzoM8s/s1600-h/2242868816_c058cedafd_o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5361500028968565042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Smff3rHq-TI/AAAAAAAABzI/4SN13zzoM8s/s400/2242868816_c058cedafd_o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A existência emerge no artifício teatral do cotidiano-ao colocar em cena o inconsciente e a urgência das pulsões , o teatro toca no espectro do íntimo e do mínimo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Somos todos atores e espectadores da tragédia do inconsciente e só nos resta fazer disso poesia-a poesia é música que transforma tudo o que toca, adentra as profundezas mais impenetráveis e faz cintilar enigmas e belezas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando podemos nos doar através das palavras, a alma- essa orquestra oculta- faz- se conhecer como sinfonia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Debussy musicou um poema de Mallarmé: "A catedral submersa"- no fundo do mar havia uma catedral e no seu silêncio se ouvia música. Fora das águas ouviam- se apenas sons distantes, mas nas profundezas se ouvia toda a melodia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;De vez em quando o fundo do mar transborda; é minha alma pedindo passagem, é aquilo que eu nem sei bem querendo virar letra.E a questão de ser ou não ser não é viver ou morrer- é uma ontologia da escolha( ser sim, mas como ser?)&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não sou do mundo solar, não gosto de luz forte e não sou prática: naquilo que pude depurar, desejo mais construir uma identidade do que me ancorar nas identificações, quero mais fazer bom uso da imagem do que ser usada por ela. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sou complexa e sou confusa: prefiro habitar o fundo do mar e o mundo lunar, lá onde moram os homens de olhos noturnos que enxergam a beleza que desliza na luz azul da lua, da noite e das funduras das águas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Deslizo pelo mundo entre Kafka e Camus, entre encontros do acaso e eternidades líricas. Acredito somente na esperança do absurdo- só ela me move e só assim, alguém pode fazer a viagem comigo e desfrutar do pequeno intervalo que temos...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-417849381699288711?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/417849381699288711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=417849381699288711' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/417849381699288711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/417849381699288711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/07/pedacos-do-real.html' title='Pedaços do real...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Smff3rHq-TI/AAAAAAAABzI/4SN13zzoM8s/s72-c/2242868816_c058cedafd_o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-1611805339720333118</id><published>2009-07-15T01:18:00.005-03:00</published><updated>2009-07-15T01:43:38.156-03:00</updated><title type='text'>Amar o amor....</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sl1dbyrJpCI/AAAAAAAABzA/2n_wJLBvXIY/s1600-h/2242076249_61b7022f31_o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358541863681369122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sl1dbyrJpCI/AAAAAAAABzA/2n_wJLBvXIY/s400/2242076249_61b7022f31_o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Primeira vez que eu senti essa música&lt;/span&gt;:&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=YfMglFG4qLY"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=YfMglFG4qLY&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um dia amei um amor: sofisticado, melódico, harmônico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No outro dia amei outro amor: denso, polissêmico, lírico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em cada um deles dei de mim e me coloquei no limite em cada deserto do encontro ou do desencontro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desafinada, muitas vezes bailei entre o amor harmônico e o polissêmico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nebulosa, tantas outras vezes fiquei confusa entre o elegante-discreto, e o brilhante tormento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Errante, me escondi atrás das infinitas combinações das possibilidades narrativas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Trágica, sempre preferi acreditar na beleza do imperfeito, impuro, informe e inacabado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Metaforicamente, os dois amores prosseguem em mim- foi bonito e sempre será!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-1611805339720333118?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/1611805339720333118/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=1611805339720333118' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1611805339720333118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/1611805339720333118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/07/amar-o-amor.html' title='Amar o amor....'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sl1dbyrJpCI/AAAAAAAABzA/2n_wJLBvXIY/s72-c/2242076249_61b7022f31_o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-694835026647625519</id><published>2009-07-07T23:58:00.072-03:00</published><updated>2009-07-13T17:31:55.512-03:00</updated><title type='text'>Aventura na palavra.....</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SluZigBQSRI/AAAAAAAABy4/dyhOrCtfpMI/s1600-h/2242076193_ca2c2d9af6_o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358044999677135122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SluZigBQSRI/AAAAAAAABy4/dyhOrCtfpMI/s400/2242076193_ca2c2d9af6_o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na busca de um sentido, escrevo sem muita pretensão de encontrar algo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escrevo para tentar entender, aquilo que em mim é ruptura- palavras em desatino procuram destino dentro de mim, e eu gosto de flanar nelas, para então me perder; ou para então me encontrar, ainda que por poucas linhas. Ainda que, logo em seguida, eu me perca: ou ainda que, na linha seguinte o horror novamente se inscreva.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por toda minha vida, associei o ato de escrever ao meu gosto pela errância, pela escapada, pela digressão. Com algumas pessoas muito especiais, troquei traços, rasuras, esboços e cintilâncias do que sou, através da escrita. Diferente do que muita gente diz, as palavras para mim, não se perdem no ar, elas se eternizam ao se transformar em outros saltos semânticos. Elas permanecem encantadas em algum canto recôndito da memória- lá onde existem os segredos partilhados, a palavra plena, as frases delicadas das bonitas trocas do acaso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Palavra para mim é vertigem, salto no escuro ou, como disse o escritor João Gilberto Noll: "retorno à clareza da manhã, um lançar expressionista como o da tinta na tela, qual um Iberê Camargo com suas cores arrancadas do peito".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desde muito cedo, fiquei encantada com o ritmo e a sonoridade de cada palavra nova que me habitava. Passei a ter profundo respeito por elas, porque elas passaram a ter um sentido desbravador. Com elas, começei a tomar contato com as multidões que me habitam e com aquilo que está à flor do nada. E, na cadência desse novo mundo que se descortinava, nas entrelinhas da linguagem, eu me fiz: nesse monte de sensações com a língua, com o silêncio e com os &lt;em&gt;inter-ditos &lt;/em&gt;criei a minha prosa torta e sincera. Prosa pulsional, seguidora do inconsciente, perdida entre significantes lisérgicos, bucólicos e delicados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não sou escritora- reconheço e respeito quem faz literatura e tem essa envergadura- mas a urgência de partilhar uma narrativa, me faz escrever. A violência do mundo, escamoteada por uma cordialidade nada cordial pede que eu possa me vingar, escrevendo.E assim, me sinto viva, pulsante e um tanto apaziguada na minha loucura. Assim, o humor se vivifica e algo da ironia como um último refúgio se coloca. E na palavra e por ela, a mediocridade se transforma em busca.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nas linhas tortas e despretenciosas, posso colocar no mundo o meu subtexto afetado pelo &lt;em&gt;pathos, &lt;/em&gt;aquilo que me move enquanto sujeito desejante. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na tentativa de dizer, a enunciação acontece e meu drama vira tragédia. A coragem me toma no meu romance particular e o lirismo fica maior do que o horror de existir e ter fim. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando escrevo, posso viver o mundo paralelo inebriante e perigoso que me ronda aqui dentro. Quando alguém lê, a possibilidade de apagamento é partilhada e se dissolve em poesia dividida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com algumas pessoas a gente diz sem precisar escrever, a gente vai tateando o imposssível de dizer e uma outra escritura se faz. Tive alguns encontros assim, amigos e amigas, que passaram por mim e puderam perceber que o peso das coisas não-ditas no cotidiano, tornam- se marcas indeléveis de quem sou e dessa escrita onde real e ficcional se confundem. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De alguns desses encontros, restaram somente as palavras e todo um universo que esperava e ansiava para ser vivido em ato. A morte se colocou algumas vezes- real ou simbólica, mas nessa interpenatração da escrita com o que sou, tento lapidar cada letra para que assim meu grito mudo se legitime e possa transmitir um pouco daquilo que me constitui, mas que pode habitar qualquer um. Nessa interface da aventura de escrever, o Outro também se revela para mim e se faz presença, mesmo na ausência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A palavra vence a morte...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-694835026647625519?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/694835026647625519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=694835026647625519' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/694835026647625519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/694835026647625519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/07/aventura-na-palavra.html' title='Aventura na palavra.....'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SluZigBQSRI/AAAAAAAABy4/dyhOrCtfpMI/s72-c/2242076193_ca2c2d9af6_o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-6658401998695747644</id><published>2009-07-05T19:10:00.009-03:00</published><updated>2009-07-05T19:15:20.944-03:00</updated><title type='text'>Carta desafinada...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SlElx3z5UwI/AAAAAAAAByg/uMY7dthtbKY/s1600-h/tulipa+azul.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355102970645664514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 266px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SlElx3z5UwI/AAAAAAAAByg/uMY7dthtbKY/s400/tulipa+azul.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Entre o desejo do que já foi e a intermitência do que virá, meu coração bascula e lateja de dor. Entre o novo e o mesmo, a pergunta &lt;em&gt;inter-cala&lt;/em&gt; a cena.&lt;br /&gt;Acordo sentindo que não há coisa alguma do tamanho da minha urgência de amar.&lt;br /&gt;Minha ansiedade de amor é grande demais, e com isso atropelo o presente e estrangulo a alteridade deitada ali do lado. Ainda não sei fugir do eterno retorno, e talvez ainda nem saiba nomear o meu desejo, mas encontro em Neruda algum conforto: " &lt;em&gt;seria capaz de devorar o universo inteiro por amor"...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Adélia Prado, dizia que, para o desejo dela, o mar era uma gota. Talvez ,para mim, seja um tanto assim também. A poesia anda sempre me salvando de mim, e nela eu posso, em dança ritmada, entender que todo objeto de amor é pequeno demais para o nosso querer.&lt;br /&gt;Caetano, cantou" o desencanto na bruta- flor do querer" e depois dele, qualquer palavra para dar conta do desencontro é desnecessária. Só sobra o corpo gravitando ao redor da angústia, como se soubesse mais do que eu, como se sentisse a cadência que transborda dali .&lt;br /&gt;E, eu sigo no enigma desejante da falta, às vezes tropeçando em deslizes metonímicos e relâmpagos perigosos. Sigo lendo mal as entrelinhas do corpo, porque só entendo a metafísica da alma.&lt;br /&gt;Bataille, diz que o olhar que olha para o corpo e só vê a superfície, não vê o corpo. Corpo é profundidade, desejo é sangue e suor. Quem olha para o corpo e entende tudo não vê o símbolo, o índice, a marca misteriosa da ausência dilacerada.&lt;br /&gt;Por ver demasiadamente, a poesia salta de mim numa celeridade desordenada, e em prosa ela se despedaça da lógica: pula entre vestidos, filosofia e angústias de domingo.&lt;br /&gt;Pousa em desatino, lá onde você me olha -entre um gole de café e outro, sem nada para dizer; no silêncio das mãos afastadas e apáticas.&lt;br /&gt;A poesia sonha e sua mão invade meu cabelo, e eu falando inutilidades e platitudes sem medo do ridículo e da censura prossigo dionísiaca, a busca.&lt;br /&gt;Entre a embriaguez de um vinho dividido, te digo coisas absurdas e únicas.&lt;br /&gt;Deito do seu lado numa rede e sonho com minha imagem no seu futuro, mesmo sabendo que talvez eu não esteja lá.&lt;br /&gt;Você ignora o improvável e fala da casa que teremos e a descreve em detalhes- com jardins e sacadas para o vento.&lt;br /&gt;Você faz tudo isso, enquanto passa a mão nas minhas costas e me beija o rosto.&lt;br /&gt;E assim, nunca perde de vista a música de sua existência.&lt;br /&gt;E assim, me promete ter entendido que a viagem é o que conta.&lt;br /&gt;E teremos sido felizes.&lt;br /&gt;E nunca nos arrependeremos do que fomos e de tudo que vivemos.&lt;br /&gt;E que, desse jeito, que você me guarde na memória, mais do que nas fotos.&lt;br /&gt;E que até o último dia de sua vida, você conte delicadamente a nossa história para poucos ouvintes, como se ela tivesse sido a mais bela história de amor de sua vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5387560222903260376-6658401998695747644?l=flordebelalma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://flordebelalma.blogspot.com/feeds/6658401998695747644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5387560222903260376&amp;postID=6658401998695747644' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/6658401998695747644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5387560222903260376/posts/default/6658401998695747644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://flordebelalma.blogspot.com/2009/07/carta-desafinada.html' title='Carta desafinada...'/><author><name>Flor de Bela Alma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17888289860516661146</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-WIu8CMjpDZg/TYgVUzKsGGI/AAAAAAAACTg/02e9x1Bw5U8/s220/OgAAAOKAvX7wBwTJRjSusX9xDapQY4ls3K7YfCdEz83Z-2uroJnNxYPeAaxPHnNM2c1rXBDH-G1GDWFRbQFcC6JR9P4Am1T1UF05eBwauTfjs2j5mzDRZst02-Oh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/SlElx3z5UwI/AAAAAAAAByg/uMY7dthtbKY/s72-c/tulipa+azul.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5387560222903260376.post-4862178870645236807</id><published>2009-07-02T14:35:00.006-03:00</published><updated>2009-07-03T00:46:34.596-03:00</updated><title type='text'>Segredo do desejo....</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hlM-8JIoSGc/Sk1-4_6vFCI/AAAAAAAAByQ/_NMm288BUKA/s1600-h/ATgAAABVsLHFJDvNvG_LQVzc8okOLwokcll7IdvVn9hYOYTLxWHtCJKalJVlUknKYoD_5JzeJpHL6ZuCXjTkgx5tHzNPAJtU9VCAgqSeVTkPGM5NVvH3LfDO1HlNVg.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354075049708950562" style="DISPLAY: block; 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